19 de abril de 2018
publicado às 17h16
Zé Eliton tenta se firmar como candidato viável tendo o legado do PSDB como bandeira
Governador de Goiás e pré-candidato à reeleição, José [Zé] Eliton: desafio é convencer o ‘sistema’ que ele pode mais e não será apenas a ‘sombra de Marconi Perillo’

Governador de Goiás e pré-candidato à reeleição, José [Zé] Eliton: desafio é convencer o ‘sistema’ que ele pode mais e não será apenas a ‘sombra de Marconi Perillo’

Por Wilson Silvestre – No reino encantando da política não existe espaço para amadores e cada um sabe seu papel na cadeia alimentar do poder. Por mais inteligente e esperto que seja, um candidato só alcança a vitória nas urnas se o ‘sistema’ abençoá-lo. Não importa se vereador, prefeito, deputado, governador, senador ou presidente. Claro que existem variantes, mas de um modo geral, vence quem melhor se apresenta ao ‘sistema’.

É isto que o governador de Goiás e pré-candidato a manter-se no Palácio Pedro Ludovico, José [Zé] Eliton (PSDB) busca nesta pré-temporada de caça ao voto. Longe da sombra do ‘padrinho’ político, Marconi Perillo e com pleno domínio da máquina burocrática, Zé Eliton pode dizer a pleno pulmão: pelos poderes do PSDB, eu tenho a força! Esta é a expectativa da base aliada que dá sustentação à sua busca para manter os tucanos mais quatro anos no poder.

Os agentes políticos de um modo geral avaliam que, investido no mais alto cargo político do estado, com poder para exonerar, nomear, negociar apoios e direcionar recursos às prefeituras, Zé Eliton pode se firmar como liderança à altura do legado de quase 20 anos do PSDB no estado. Mas, Zé Eliton sabe que só isto não basta. Ele precisa, além da defesa enfática que ele faz das conquistas tucana, principalmente na modernização do estado, convencer o cético eleitor que ele pode mais. Para isso, terá que gastar muita saliva explicando aos gulosos ‘aliados’ a escassez de recursos nos cofres do estado.

Convencer o eleitos é apenas um dos desafios. O maior obstáculo é o ‘sistema’, esta força invisível que domina o inconsciente de massa e nesse momento da corrida eleitoral, Zé Eliton ainda não tocou o coração deste ‘sistema’ que prefere olhar com mais atenção ao oponente Ronaldo Caiado (DEM).

Mas afinal, que diabos é este ser abstrato? Ele é formado por produtores, comerciantes, professores, intelectuais, formadores de opinião, médicos, advogados, servidores públicos, juízes, promotores e todos os segmentos da sociedade que pensam minimamente no estado.

Repetindo: no momento o ‘sistema’ não se convenceu que Zé Eliton pode fazer diferente do que o longevo e poderoso Marconi Perillo.

Zé Eliton é um bom nome. Franco e cumpre acordos, mas infelizmente o PSDB alcançou seu ponto de ebulição nos últimos oito anos. As sucessivas derrotas no plano nacional de seus candidatos a presidente da República como José Serra e Aécio Neves, desanimou a torcida. Para piorar, a maioria de seus líderes caíram nas malhas da Lava Jato, incluindo Marconi Perillo. Mesmo que prove inocência, o ‘sistema’ e a patuleia do andar de baixo querem trocar os mandatários da vez.

Por mais eficiente que tenha sido os governos tucano com seus programas sociais e econômicos, Zé Eliton chega numa hora ruim para a sigla. Ele terá que mostrar não só a força do PSDB, mas sobretudo vencer a descrença do ‘sistema’ que busca romper a continuidade dos tucanos no poder em Goiás.

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