23 de abril de 2018
publicado às 22h05
Rollemberg conseguiu unir quase todos os partidos contra ele ao atacar Renato Santana
Renato Santana: “Rollemberg nunca escondeu seu desprezo pelos mais humildes. Faz um discurso pseudossocialista, mas no convívio diário não esconde seu elitismo e seus preconceitos”. (Reprodução portal Metrópoles/Michael Melo)

Renato Santana: “Rollemberg nunca escondeu seu desprezo pelos mais humildes. Faz um discurso pseudossocialista, mas no convívio diário não esconde seu elitismo e seus preconceitos”. (Reprodução portal Metrópoles/Michael Melo)

Por Wilson Silvestre – Reza uma lenda urbana em Brasília que o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) sempre foi um classe média tranquilo. Cresceu à sombra dos pilotis do Plano Piloto e na Esplanada dos Ministérios, coração do poder político e administrativo do país. Por conta desta proximidade acabou sendo agraciado com um generoso cargo no Senado, beneficiado pelas facilidades que antes da Constituição de 1988 era possível conquistar um emprego sem prestar concurso. Por conta deste mimo, nunca teve grandes problemas financeiros e muito menos necessidade de ‘comer poeira’ em alguma cidade administrativa.

Fez carreira política tendo sua base de votos na Asa Sul e Norte. Nunca teve necessidade em ser ‘pé de toddy’ para conquistar vaga de deputado distrital. Inegável que Rollemberg é um sujeito de sorte e, de eleição em eleição, chegou ao Senado. Depois, num lance também de sorte favorecido pela falta de competidores, foi eleito governador. Ai que a história complica.

A falta de recursos e com um secretariado de ‘notáveis burocratas’ vindos do Senado e da UnB, homens que se largarem eles numa cidade administrativa dificilmente voltam sozinhos para o Plano Piloto. Gente sem votos e insensíveis às demandas da patuleia, principalmente servidores públicos do Distrito Federal. Resumindo: acabou sendo abandonado pelos partidos aliados que realmente tem votos.

Praticamente sozinho e insistindo na reeleição, Rollemberg precisa criar fatos políticos pois, sem nada impactante para mostrar ao distinto público, não terá espaços na mídia. Então, aproveitando sua animosidade com o vice-governador Renato Santana (PSD), a quem ele não tem apreço nenhum, como deixou claro na entrevista concedida ao Correio Braziliense no domingo (22): “Renato Santana não tinha maturidade ou experiência para ser vice. Acho que o cargo acabou subindo à cabeça”.

Rollemberg além da agressividade, ignorou que foi graças ao PSD que ele teve generosos minutos de TV para expor seus mirabolantes planos de governo que nunca foram executados. Mais do que isto, Renato é um verdadeiro ‘pé de toddy’ e conhece a periferia de Brasília como ninguém, principalmente, Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas, Águas Claras, Vicente Pires e muito outras cidades.

O governador encaixa perfeitamente na frase de Groucho Marx: “A política é a arte de procurar problema, achá-lo, fazer um mau diagnóstico e, por fim, aplicar o remédio errado”. Ele errou na dose e atraiu a ira e o repúdio de quase todos os partidos, incluindo entidades classistas. Isto não é bom para o seu já desgastado governo e os números abaixo da linha d’água de popularidade.

Refugiado em seu bunker no Palácio do Buriti, sugere aos brasilienses que só ele é agregador na política da cidade e que os seus adversários, notadamente Renato Santana a quem ele acusa de usar “palavras inconsequentes e irresponsáveis”, deve ser tratado como inimigo. Nada bom para alguém que vai passar o tempo todo explicando o que não fez.

FALA DE RENATO SANTANA

NA CÂMARA LEGISLATIVA

Em 2014, fui eleito vice-governador, acreditando que Rollemberg seria o novo na política, e faríamos juntos um governo moderno e eficiente.
Infelizmente, errei nas minhas previsões.
Errei em achar, no plural, que faríamos .
Ele nunca permitiu que eu participasse das decisões. Nunca.
Errei no moderno.
Rollemberg mostrou-se a vanguarda do atraso.
Perseguiu servidores. Descumpriu promessas. Abandonou compromissos. Afastou os aliados.
Errei no eficiente.
Não conseguiu terminar a adutora de Corumbá. Aumentou as tarifas de ônibus e Metrô, na calada da noite. Fui contra! Não fez nem um metro a mais de Metrô nem investiu no sistema viário. Fez um caos na saúde. Fechou delegacias e postos policiais. Destruiu, por ser incapaz de construir. Não fez sequer a manutenção obrigatória dos viadutos. Não cuidou da cidade, que responde ao descaso com a maior rejeição da história.
A princípio, tentei ajudar. Fui rechaçado.
Depois, fiz críticas construtivas. Fui ignorado.
E quando lealmente discordei, fui perseguido.
Para honrar meu mandato, fui para as ruas. Enquanto os asseclas acadêmicos do governador, que não conhecem as cidades satélites, ficavam encastelados no ar-condicionado de seus gabinetes.
Mesmo sem apoio, rodei 800 mil quilômetros em três anos e meio, ouvi a população e resolvi problemas.
Agora, que nossos rumos serão diferentes em 2018, o governador autoritário e despótico demite os servidores do meu gabinete, pessoas honradas e trabalhadoras. Devo lembrar que não fui nomeado, mas eleito pelo povo do Distrito Federal.
Para me prejudicar, ele prejudica pais de família e desrespeita a população que nos elegeu.
E por que tanta perseguição?
Chegou a hora de dizer.
Sou negro. Negro da Ceilândia. Sou servidor de carreira.
Rollemberg nunca escondeu seu desprezo pelos mais humildes. Faz um discurso pseudossocialista, mas no convívio diário não esconde seu elitismo e seus preconceitos.
Pois saiba, governador, que, diferentemente de você, que é filho de ministro e entrou no Senado pela janela, sem concurso, eu estudei, fiz concurso e tenho muito orgulho da minha cor e de minha origem.

Renato Santana
Servidor de Carreira

ROLLEMBERG RESPONDE EM NOTA OFICIAL

As palavras do atual vice-governador do Distrito Federal não surpreendem.
Reafirmam sua conduta despreparada, imatura, inconsequente e por diversas vezes distante da realidade dos fatos.

São palavras inconsequentes e irresponsáveis. Falta envergadura moral ao vice para falar em lealdade.

Lembremos do episódio do borracheiro, em Brazlândia. Em substituição ao governador, Santana ofendeu o proprietário da loja, após enganá-lo. É a prova da sua maneira de atuar.

Agora, de forma leviana e mentirosa, Santana busca o discurso da vitimização, recorrendo a argumentos estapafúrdios para acusar o governador de preconceitos jamais alegados por qualquer pessoa séria em Brasília. Usa o método sorrateiro para esconder sua incapacidade administrativa.

A ação dele não afetará a disposição do Governo de Brasília para melhorar a qualidade de vida da população.

Casa Civil do Governo de Brasília

REAÇÃO DOS PARTIDOS DE OPOSIÇÃO A ROLLEMBERG

O portal de notícias Metropoles ouviu os partidos que devem seguir em caminhos diferentes nas eleições deste ano: MDB, PSD, DEM, PPS, PSDB, PTB, PRB, Patriota, DC, PP e PR. Eles assinaram, em conjunto, um manifesto contra a nota emitida pela Casa Civil do DF.

No texto, as agremiações dizem “repudiar veementemente” a comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF) por “politizar de forma mesquinha o desabafo sincero do vice-governador Renato Santana a respeito do seu sentimento, pessoal e intransferível, sobre preconceito”. (Leia na integra em https://www.metropoles.com/colunas-blogs/janela-indiscreta/oposicao-repudia-nota-da-casa-civil-que-critica-o-vice-governador)

NOTA PÚBLICA SINDEPO-DF

Nesta data, por ocasião de solenidade na Câmara dos Deputados Federais, o Sr. Vice-Governador, Renato Santana, expôs sentir-se rejeitado pelo Governador Rodrigo Rollemberg por preconceito, em razão de sua origem e cor.

O desabafo sincero do Vice-Governador vem mais uma vez expor a forma mesquinha e pessoal com que Rodrigo Rollemberg trata as questões de Estado.

Em quase 4 anos, Rodrigo Rollemberg afastou do seu governo quase todas as lideranças políticas da cidade pelo descumprimento com compromissos assumidos. Enfrenta a maior rejeição da história de um governador do DF, por sua péssima gestão e não por culpa dos outros, como costuma justificar-se.

Assim como Renato Santana ajudou Rodrigo Rollemberg a se eleger Governador e posteriormente foi alijado do governo, muitos integrantes da Polícia Civil do DF confiaram seu voto a Rollemberg e foram traídos pelo Governador e suas mentiras.

Nesse cenário, vimos nos solidarizar com o Vice-Governador Renato Santana, certos de que ele está sendo vítima da mesma arrogância e preconceito de Rodrigo Rollemberg dos quais padecem a Polícia Civil do DF, e que nos colocam juntos na busca por um Distrito Federal melhor em outubro de 2018.

A Diretoria.

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