26 de abril de 2018
publicado às 10h06
Dividido, longe do povo e muito paulista, aliados do PSDB vêem candidatura de Geraldo Alckmin naufragar
Pré-candidato a presidente da República e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin: correndo contra o tempo para convencer tucanos ‘rebeldes’ e possíveis aliados que tem um projeto para tirar o país do atoleiro. (Reprodução: Facebook)

Pré-candidato a presidente da República e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin: correndo contra o tempo para convencer tucanos ‘rebeldes’ e possíveis aliados que tem um projeto para tirar o país do atoleiro. (Reprodução: Facebook)

Por Wilson Silvestre – Tempos sombrios e incertos rodam velhos e novos personagens da política brasileira, quer pela revolta da população com seus ‘representantes’ ou pelas garras da operação Lava Jato. Neste compasso de incertezas, o cidadão olha para o futuro com desalento, indignados com os governantes da vez’ e a privilegiada elite burocrática nos três poderes que sustentam a República.

No momento, nenhum sociólogo, especialista em marketing, palpiteiros da mídia e os partidos conseguiram fazer um prognóstico seguro sobre o que sairá das urnas em 7 de outubro. Soma-se às incógnitas, a tensão patrocinada pelo PT e o ex-presidente Lula da Silva com seus fanáticos devotos. Dentro deste quadro de incertezas, alguns otimistas acreditam que dentre os mais de uma dezena de pré-candidatos a presidente da República, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) tem credenciais para empunhar a bandeira de centro direita.

Do lado dos céticos, a vez de Alckmin passou e terá dificuldades em convencer o distinto público que o PSDB tem credenciais para balançar a torcida. Avaliam que nuvens negras da justiça pairam sobre o plano de voo e na pista 45, obstáculos como a divisão do partido liderada pelo prefeito de Manaus, Arthur Virgílio e a falta de entusiasmo dos eleitores com a candidatura de Alckmin impede a decolagem.

Na avaliação geral, pesa contra Geraldo Alckmin o fato de que o PSDB envelheceu, está dividido e ficou longe do povo durante os últimos anos. Para piorar seu calvário, tornou-se uma plutocracia paulista e vê suas principais lideranças encrencadas com denúncias de corrupção. Com um prontuário de problemas destes, fica complicado arrebanhar seguidores e aliados.

Diante destes desafios, Alckmin e seus amigos terão um longo caminho a percorrer em curto espaço de tempo. O maior deles é convencer o eleitor que pode liderar o país, unindo a sociedade na construção de um projeto nacional para tirar o Brasil do atoleiro político e econômico. Mas, por enquanto, eleitores e agentes políticos ainda não tem mostrado interesse em caminhar com o PSDB. Pelo contrário. Após Alckmin perder o foro privilegiado e ter seu processo encaminhado para o TRE paulista, os possíveis aliados entraram em modo off.

Como a corrupção tornou-se um modo de vida dos políticos e instituições, pouco importa se o corrupto é ‘coxinha’ ou ‘pão com mortadela’. A percepção popular tende a avaliar que está “está tudo dominado” e a patuleia acaba tendo razão em desviar o olhar também para os tucanos. Com razão. Quando o país mais precisava deles no combate à corrupção, entraram em modo silencioso durante estes últimos oito anos. Preferiu se lambuzar na lama da corrupção e a maioria do PSDB permaneceu muda, indiferente ao clamor popular.

As denúncias apontam que os tucanos também tiraram seu quinhão do erário, aproveitando que a patuleia anestesiada pelo populismo irresponsável do PT e suas bolsas esmolas, dominavam a cena da política brasileira. Como “maior partido de oposição”, tem muita culpa do que acontece hoje com o país.

Quando foi derrotado nas urnas pela segunda vez na disputa presidencial, recolheu-se como um caramujo em sua concha. Quando aparecia à opinião pública, ensaiava um discurso meia boca, insonso e desconexo da realidade do povo. Agora, novamente sai em busca de regeneração com Geraldo Alckmin. Para variar, um paulista. Nada contra, mas passa a imagem que só em São Paulo o PSDB tem pessoas capazes para governador o Brasil. Talvez esta seja a razão que move o ‘rebelde’ prefeito de Manaus, Arthur Virgílio a abrir guerra contra Alckmin.

Arthur Virgílio diz que o PSDB caminha para mais uma derrota e defende que Alckmin seja trocado por Tasso Jereissati “uma boa opção e pode surpreender na eleição”. Enquanto parte dos tucanos beliscam Alckmin ele diz em reunião que vai “deslanchar quando ultrapassar os 10 pontos na intenção de votos”. O blog deixa uma pergunta no ar: dá tempo para chegar lá?

Escreva um comentário