10 de maio de 2018
publicado às 19h07
Candidatos de ‘centro’, adversários de proximidade, o tigre e os dois amigos

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Por César Maia – Todos os dias o noticiário político da pré-campanha eleitoral de 2018 destaca que candidatos ditos de Centro atuam de forma a que uns ou outros possam se somar às candidaturas de uns e outros.
Mas na medida em que nenhum deles se destaca nas pesquisas e desponta como favorito entre eles, não há nenhuma razão para que os demais se somem em torno desse ou daquele. Afinal, por que ele e não eu?
Nenhum dos candidatos que são considerados ou se consideram de Centro têm 8% ou menos. A diferença para os que estão no piso nas pesquisas é de uns 6%. Ou numa soma algébrica: se o de cima cair 3 pontos e o de baixo subir 3 pontos, eles estarão empatados.
Se sabe que quanto menor a % de intenções de voto, maior a margem de erro das pesquisas. Quem tem 2 pode ter 5. Bem, assim como quem tem 8 pode ter 5. Destacado para valer ainda se tem Bolsonaro com uns 20%. Claro que ele não pensa em abrir mão para ninguém.
E como a percepção de muitos é que se trata de um candidato de extrema direita, os ditos candidatos de Centro não pensam -de nenhuma forma- em se somar a ele.
O que cabe a todos -pelo menos até correr o mês de junho- é intensificar a pré-campanha, incluindo, aqui, abrir espaços na mídia, intensificar o uso das redes sociais e -claro- colocar o “pé na estrada” e buscar no contato direto com o eleitor um multiplicador crescente de opinião.
Nesse último sentido, uma leitura de Gabriel Tarde, “As Leis da Imitação”, ajudariam muito. Pena que, escrito em francês, não está traduzido para o português.
De nada adianta um candidato -dito de Centro- querer convencer os demais -os analistas- ou os chamados formadores de opinião, que ele é mais competitivo. Ou querer demonstrar isso nos cruzamentos nas pesquisas de opinião.
Isso é conversa para junho, quando pesquisas sucessivas e semanais de opinião eleitoral mostrarem que afirma-se uma tendência ascendente e sustentável, elevando essa ou aquela candidatura.
Até lá há que ter paciência. E lembrar sempre a conhecida história do tigre. Dois amigos conversavam quando viram apontar à distância um tigre que corria na direção deles. Um deles disse: Vamos correr. E o outro replicou: Para quê? O tigre corre muito mais que nós. E o primeiro arrematou: Não quero correr mais que o tigre, mas mais que você, e deixá-lo com o tigre.
É o que dizem os candidatos numa pré-campanha: Não quero passar o favorito, mas passar os da turma de trás e ir para o segundo turno. É o que todos os -ditos- candidatos de Centro pensam hoje.
Pelo menos será assim até abrir o mês de junho, tanto eles quanto seus potenciais partidos parceiros

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