15 de novembro de 2018
publicado às 12h54
Consumidor deve usar 13º para pagar dívida, orientam economistas

Primeira parcela deve cair no próximo dia 30 e injetar mais de R$ 211,2 bilhões na economia, segundo Dieese

A vendedora Célia Maria acumula quase R$ 30 mil em dívidas Arquivo Pessoal

A vendedora Célia Maria acumula quase R$ 30 mil em dívidas
(Arquivo Pessoal)

Por Karla Dunder R7(Economia) – A vendedora Célia Maria Santos Oliveira sente na pele os efeitos da crise econômica. Com a queda nas vendas, a remuneração caiu e as dívidas se acumularam. Assim como tantos outros brasileiros, Célia usará o dinheiro do 13º, a primeira parcela cairá no próximo dia 30, para pagar dívidas.

pagamento do 13º salário deve injetar mais de R$ 211,2 bilhões na economia. O dinheiro beneficiará 84,5 milhões de trabalhadores, que receberão um adicional de fim de ano em média de R$ 2.320, segundo cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

“Eu não me envergonho de dizer que há dois meses eu vivo de cesta básica”, diz a vendedora. “Atualmente, com os juros altos, eu tenho de optar entre pagar contas e comprar comida”.

Mas mesmo diante da situação, a vendedora deve usar o dinheiro do décimo terceiro para pagar parte das dívidas contraídas. “Eu e meu marido vamos pagar um empréstimo que fizemos com um parente no valor de R$ 5.500, o dinheiro já está comprometido”.

Célia está entre os 63 milhões de brasileiros que estão endividados e inadimplentes de acordo com dados do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Pessoas que estão com o nome sujo e com o CPF restrito para tomada de crédito no mercado financeiro.

“Quem tem dívida não pode pensar duas vezes: precisa quitar”, orienta o economista chefe da Nova Futura Investimentos Pedro Paulo Silveira. “Dívida é algo muito caro no Brasil, principalmente se for bancária ou no cartão de crédito porque os juros praticados são altos, além disso, é uma situação que debilita a situação financeira das famílias”.

Somando o salário de Célia com o do marido, que é confeiteiro, a renda familiar é de R$ 4 mil. As dívidas da família com dois empréstimos bancários e as dívidas acumuladas no cartão de crédito beiram os R$ 30 mil. “Eu negociei com o banco e parcelei minhas dívidas, mas mesmo assim, não estou conseguindo pagar os juros, a dívida só aumenta”, diz Célia.

Célia ainda tem de pagar o financiamento de um apartamento e o aluguel. “Compramos o imóvel em um período que as vendas iam bem e eu tinha uma comissão boa, agora, com a crise, a situação financeira complicou”, conta. E o planejamento para o próximo ano? “Eu costumo dizer que o futuro a Deus pertence”.

Planejamento é a palavra-chave para quem quer começar o ano sem sufoco. “É importante contabilizar agora os gastos de janeiro: os impostos como o IPTU e IPVA, material escolar dos filhos, para não ter dor de cabeça lá na frente”, explica o economista chefe da Nova Futura.

Para Denise Hills, superintendente de Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco, é fundamental organizar o orçamento, listar os ganhos e os gastos, tentar cortar aquilo que é desnecessário e sempre que possível poupar. “Para cuidar do dinheiro, é importante começar hoje e de uma forma simples, de um jeito que funcione, para que isso se torne um hábito” E para quem pode, guardar o décimo terceiro pode ser o primeiro passo.

Escreva um comentário