3 de dezembro de 2018
publicado às 13h23
Governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado quer parceria com Ibaneis para o Entorno de Brasília
Governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado: “Toda ação de governo é política, mas as secretarias devem atuar para chegar em forma de ações para a população” (Reprodução: Arthur Menescal/Especial. CB/D.A Press)

Governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado: “Toda ação de governo é política, mas as secretarias devem atuar para chegar em forma de ações para a população” (Reprodução: Arthur Menescal/Especial. CB/D.A Press)

Por Otávio Augusto (Correio Braziliense) – Em entrevista ao Correio, Caiado adianta que o número de secretarias deve ficar entre 18 e 19, e garante que uma delas será para tratar de assuntos do Entorno, em parceria com o governador eleito do DF, Ibaneis Rocha (MDB). Também não nega apoio ao presidente eleito, Jair Bolsonaro. “No que depender do meu governo, ele terá um bom mandato”, pondera. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

Após 20 anos de Goiás sob o controle do PSDB, o senhor colocou fim à era Marconi Perillo. O que isso significa?

A palavra mais frequente na campanha foi o apelo pela mudança. É impressionante o quadro de estafa do goiano. Sei da minha responsabilidade. Não se resolve os problemas de um estado do tamanho de Goiás de uma hora para outra, mas vou me dedicar com toda experiência e relacionamentos que tenho e buscar parcerias, seja na iniciativa privada, no Sistema S, seja nas instituições sem fins lucrativos e com governadores para acabar com essa vivência inquieta que as pessoas têm tido graças à omissão dos governos.

Como tem sido a transição entre o senhor e Perillo?

Está indo de forma muito lenta. A complexidade de Goiás é que nunca houve uma transição. O governo atual ficou 20 anos no poder e ficou passando para seus aliados. É um processo inédito. Estou tentando fazer diagnósticos, aprofundar informações e, ao mesmo tempo, planejar ações e definir metas. Uma preocupação é que precisamos encontrar uma forma rápida para quitar a folha de pagamento de dezembro. Não podemos deixar de priorizar o pagamento dos salários.

Como será a sua relação com o presidente eleito Jair Bolsonaro?

A melhor possível. Já estive com ele várias vezes, tivemos a oportunidade de conversar sobre segurança pública, sobre presídios, sobre os problemas fiscais, sobre educação, onde foi colocada uma pessoa extremamente qualificada. Estive com o presidente no dia da indicação do (futuro ministro da Saúde) Luiz Henrique Mandetta. Tenho um bom relacionamento com ele e vou trabalhar o máximo possível apoiando o governo dele para que tenha excelentes resultados.

O partido do senhor, o DEM, ganhou três ministérios na nova gestão. Pode ser um facilitador para o estado de Goiás?

De maneira alguma. As pessoas são filiadas ao DEM, mas são indicadas sem nenhuma influência partidária. As indicações têm sido feitas por uma escolha pessoal do presidente ou por elas congregarem ideias com os setores que vão administrar. Não há indicação partidária.

Ainda não foi divulgado o secretariado de sua gestão. Há dificuldades em encontrar nomes?

Cada governante tem seu estilo. Prefiro fazer uma análise mais detalhada, buscar as  informações das pessoas, avaliar o perfil. Isso não é simples. Quanto mais se aprofunda na busca, mais acertados são a escolha e os resultados. Quero ter um secretariado bem articulado, com bons gestores e metas, onde faremos avaliação de dois em dois meses para saber o que está funcionando e o que não está.

Quantas secretarias o senhor pretende manter?

Entre 18 e 19. Estou terminando esse organograma e recriando as que são importantes.

Esse número é maior que as 13 existentes hoje…

O que aconteceu foi a fusão de secretarias, criando superpastas que entraram em colapso. As pessoas não cuidavam mais de suas áreas, não tinham conhecimento das que foram agregadas, ninguém se entendia. Tivemos áreas importantes dentro de uma fusão, acreditando que isso poderia trazer resultados de economia, o que não aconteceu. A verdade é que diminuiu a eficiência das secretarias. Temos o absurdo de haver cinco secretarias extraordinárias para controlar articulações políticas. Isso é errado. Secretaria é para ter metas, não para vincular problemas políticos.

Seus indicados terão perfis mais técnicos ou políticos?

Pretendo ter pessoas tecnicamente qualificadas para que elas possam discutir com um ministro da Economia, um secretário do Tesouro, com boa articulação. Toda ação de governo é política, mas as secretarias devem atuar para chegar em forma de ações para a população. Essas pessoas devem entender do tema que estão tratando.

Algum nome já escolhido?

Ainda não foi batido o martelo final.

Como sua experiência no Congresso vai pautar o governo de Goiás?

Ela me trouxe um conhecimento amplo dos poderes. É preciso ter diálogo para que se possa construir algo. Vou usar da credibilidade dos meus pares na Câmara e no Senado, nos partidos de oposição, utilizar o que eu construí para trazer benefícios ao povo de Goiás. Saberei manter o diálogo com a Assembleia Legislativa. Ninguém governa sozinho.

Goiás terá deficit orçamentário estimado em R$ 7,4 bilhões em 2019. Como equilibrar as contas públicas?

Eu defendo a diminuição percentual de incentivos fiscais para empresas. Faremos isso dentro de um estudo, avaliada cada cadeia produtiva, sem tirar a capacidade competitiva do estado, mas tentando trazer uma arrecadação a mais de ICMS.

Isso não espantaria o empresariado do estado?

Com o passar dos anos, o estado entrou em colapso por completo. Estou analisando cada cadeia produtiva para definir as novas alíquotas. Goiás continuará com as melhores condições de atração de empresas no país. Nada tira isso do estado. Estamos apenas calibrando.

O senhor pensa em aumento de impostos?

De maneira alguma. O cidadão não aguenta mais ouvir falar em impostos.

O Entorno vive décadas de abandono por diversos governos. Como ficará a situação  da região no seu governo?

Vou assumir essa luta. Criarei uma secretaria do Entorno, com uma política direcionada para a região. Enfrentaremos a violência, o baixo índice de escolaridade e a falta de saúde. Vou buscar uma parceria com o governador eleito do DF, Ibaneis Rocha, como já temos conversado. Queremos atingir o maior número de resultados sem criar nenhuma queda de braço, mas sim  um movimento de fortalecimento das nossas ações para trazer resultados rápidos. Vou depender de Brasília. Ele já se comprometeu a atuar no Entorno. (Mais em https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2018/12/03/interna_politica,722822/entrevista-de-ronaldo-caiado-para-o-correio-braziliense.shtml)

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