16 de dezembro de 2018
publicado às 20h20
MP criando Região Metropolitana de Brasília não entusiasma lideranças do Entorno

 

A MP 862 de Michel Temer criando a Região Metropolitana de Brasília (Rembra) não define municípios que integrarão a região, gerando desconfiança de que “ela só deve beneficiar mais o Distrito Federal do que Goiás”. Várias lideranças acreditam que a MP foi um “agrado de Temer ao governador eleito, Ibaneis Rocha, também do MDB”. Foto: Cesar Itiberê/Presidência da República)

A MP 862 de Michel Temer criando a Região Metropolitana de Brasília (Rembra) não define municípios que integrarão a região, gerando desconfiança de que “ela só deve beneficiar mais o Distrito Federal do que Goiás”. Várias lideranças acreditam que a MP foi um “agrado de Temer ao governador eleito, Ibaneis Rocha, também do MDB”. Foto: Cesar Itiberê/Presidência da República)

Por Wilson Silvestre – “O desenvolvimento econômico e social do Entorno não será efetivado com uma Medida Provisória (MP) elaborada no apagar das luzes do governo Michel Temer (MDB). Por mais bem intencionada que ela seja, para tornar-se realidade, ela terá que ser discutida amplamente com o governo de Goiás, lideranças da região e, principalmente com o presidente Jair Bolsonaro que assume a partir do dia 1º de janeiro de 2019”. A frase resume várias vozes em Goiás, tanto ligadas ao governador eleito Ronaldo Caiado (DEM) quanto de outros partidos, notadamente do Entorno sobre a Medida Provisória (MP), editada no início do mês a pedido do governador eleito de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), criando a Região Metropolitana de Brasília (Rembra).

Passados mais de 15 dias sobre a criação da MP 862, os interessados do lado de Goiás permanecem em silêncio sobre o assunto que, teoricamente, beneficia a região. O blog quis saber o motivo da indiferença e procurou ouvir prefeitos, vereadores, empresários e presidentes de partidos sobre o que eles pensam da MP. Todos eles pediram anonimato devido “o momento de transição política e só depois da posse do governador Ronaldo Caiado podemos discutir abertamente o assunto”, disse uma das fontes.

Ex-prefeito de Cristalina, Luiz Attié (DEM) acredita que “a região Metropolitana de Brasília tem grande potencial para ser transformada na ‘Califórnia de Goiás’: produção agrícola forte, densidade demográfica, mercado consumidor e vocação para o setor de serviços, maior gerador de empregos. O governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado tem o maior carinho pela região e não medirá esforços para ampliar este potencial econômico. (Reprodução: Facebook)

Ex-prefeito de Cristalina, Luiz Attié (DEM) acredita que “a região Metropolitana de Brasília tem grande potencial para ser transformada na ‘Califórnia de Goiás’: produção agrícola forte, densidade demográfica, mercado consumidor e vocação para o setor de serviços, maior gerador de empregos. O governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado tem o maior carinho pela região e não medirá esforços para ampliar este potencial econômico. (Reprodução: Facebook)

O único que dispensou o anonimato foi o ex-prefeito de Cristalina e ex-presidente da Associação dos Municípios Adjacentes a Brasília (Amab), Luiz Attié (DEM). Até mesmo o prefeito de Águas Lindas e atual presidente da Amab, Hildo do Candango (PTB) não retornou as ligações. O blog também procurou o deputado federal, Rogério Rosso (PSD-DF), mas ele não respondeu ligações e recados. Registra-se: Rosso foi um defensor incansável para integrar Brasília com os municípios do Entorno por meio de uma emenda constitucional.

Outras lideranças contatadas se dispuseram a falar sob anonimato, ponderando que só houve articulação política com representantes do governador eleito de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB). Talvez esteja ai a origem da desconfiança que a MP favorece mais Brasília do que Goiás e municípios da região. “Será que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), assim que assumir os destinos do País vai aprová-la?”, indaga um aliado de Ronaldo Caiado na região. Esta pergunta também foi dirigida ao repórter inúmeras vezes.

Na avaliação do ex-prefeito de Cristalina e ex-presidente da Amab, Luiz Attié, aliado de primeira hora na eleição de Ronaldo Caiado, esta medida deveria ter sido criada no mesmo projeto de Lei que criou Brasília. Como quase tudo no Brasil fica a meio caminho do razoável, ninguém alertou sobre o impacto econômico e, principalmente social, que a Capital do País iria provocar na região. Um descuido que ‘esqueceu’ as cidades goianas próximas a Brasília. Por conta dessa falha, a população dos municípios fronteiriços a Brasília sofrem todo tipo de demandas, notadamente, segurança, saúde, infraestrutura e empregos. “Por ironia, estes nossos irmãos tem o privilégio de serem vizinhos da capital mais importante do país. Além da importância política, é rica, opulento, mas também atrai para os municípios adjacentes, uma leva de migrantes de todos rincões do país. Com isso, a qualidade de vida de Brasília bem como os vizinhos na região vão acumulando problemas”, resume Attié.

O ex-prefeito de Cristalina fala com propriedade pois conhece como poucos as demandas geradas entre Brasília e a região metropolitana. Ele vivencia estas diferenças desde o governo de Elmo Serejo Farias (1974-1979), alcançando os de Joaquim Roriz e de José Roberto Arruda. Não só como dirigente classista, mas como empresário e também em cargos públicos. Sua experiência como prefeito por dois mandatos, contribuiu e muito nos diagnósticos sobre os problemas da região. Inclusive, ampliou diálogo com todas lideranças dos municípios da Rembra em busca de soluções para as principais demandas.

Attié acredita que “a situação na Capital Brasília é mais afetada por gerar empregos, mas não transfere essa renda para a Região Metropolitana – nome que sempre usei -, criando uma grande demanda nas áreas de saúde, transporte, moradia e segurança. E, por mais que os sucessivos governos enfrente os problemas, Brasília vai perdendo sua propalada qualidade de vida, aumentando consideravelmente o fosso das desigualdades sociais”.

O realismo político sugere um debate menos oportunista e desprovido da suspeita de favorecimento aos governos de Brasília ou de Goiás. Ambas as populações merecem uma resposta que contemple, na medida do razoável, soluções duradouras e não improvisadas como essa Medida Provisória do presidente Michel Temer. Ela só aumentou a desconfiança de Goiás sobre a eficácia desse gesto a um governador “prá lá de aliado do presidente”, como lembrou um vereador do Novo Gama.

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