30 de dezembro de 2018
publicado às 20h24
‘Estrangeiros’ e ‘nativos’ são apostas de Caiado para vencer o caos da ‘velha política’ e construir a ‘boa política de gestão’
Governador eleito, Ronaldo Caiado mantém bom trânsito junto ao presidente da República, Jair Bolsonaro e vários ministros do chamado ‘Estado Maior de Bolsonaro’ como o general Augusto Heleno (GSI) e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. (Foto: Comunicação Ronaldo Caiado)

Governador eleito, Ronaldo Caiado mantém bom trânsito junto ao presidente da República, Jair Bolsonaro e vários ministros do chamado ‘Estado Maior de Bolsonaro’ como o general Augusto Heleno (GSI) e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. (Foto: Comunicação Ronaldo Caiado)

Por Wilson Silvestre – Ninguém conquista o poder político sozinho e muito menos governa sem aliados, mas por exigência dos cidadãos, a era do loteamento de cargos entre quem venceu a disputa eleitoral, sofreu um abalo sísmico arrasador. No plano nacional, os brasileiros deram ‘tchau’ ao lulopetismo e em Goiás, não foi diferente: os goianos elegeram o senador Ronaldo Caiado (DEM) no primeiro turno e ejetaram do Palácio das Esmeralda uma hegemonia de quase 20 anos dos tucanos.

Esta vitória amplia as responsabilidades de Caiado e a expectativa dos cidadãos sobre o modelo de gestão que ele vai implantar. Seu tino de bom observador do cenário político brasileiro, somado à sua carreira parlamentar de quase 30 anos vivenciando ascensão e fracasso de muitas lideranças, fazem dele no mínimo um expert em se mover no pântano político.

Esta experiência tem contribuído na escolha de seus auxiliares diretos, às vezes, contrariando aliados de primeira hora. Mas, Caiado percebeu desde a campanha que, por mais competentes que sejam – e são – os técnicos para áreas estratégicas como Segurança Pública, Fazenda e Saúde em Goiás, são ‘formados’ em gestão pública no modelo da ‘velha política’. Não teriam como no limite da necessidade de ajustes e cortes, afrontar o establishment.

Esta é a leitura correta que se deve fazer da escolha por técnicos de outras regiões do país para composição do seu secretariado. Evidente que os ‘nativos’ serão maioria em seu governo, mas, suas escolhas sugerem que ele fará uma gestão vertical bem ao estilo de sua personalidade forte, exigente em cumprir metas e focada em resultados. Houve resmungos e alaridos isolados nas escolhas, mas ele manteve firme seus propósito em substituir a ‘velha política’ do toma lá dá cá pela ‘boa política de gestão’.

Esta percepção de Estado e responsabilidade de governança, força Caiado a tomar decisões difíceis agora, não amanhã. Ela tem um compromisso com sua história e os goianos, portanto, não espere dele um governante bonzinho que sai por ai distribuindo obras que não saem do papel. Espere dele o que realmente um líder deve fazer: priorizar o que é essencial para as pessoas como segurança, saúde, educação de qualidade e políticas públicas para o desenvolvimento econômico de Goiás.

Na terça-feira (1°), ele recebe o espólio dos 20 anos do PSDB no comando do estado. Dependurado na porta de entrada do Palácio das Esmeralda, um déficit R$ 3,4 bilhões e para piorar a gestão Caiado, sua assessoria contável constatou que para janeiro de 2019, com base em anos anteriores e calendário atual de tributos, deverão entrar no caixa do Tesouro menos da metade do que representa a os salários dos servidores. Ou seja, cerca de R$ 780 milhões dos recursos previstos para a quitação da folha de dezembro de R$ 1,6 bi, com acréscimo do restante de novembro.

Este é um entre as centenas de problemas a serem resolvidos mal sente na cadeira. Outras armadilhas do déficit fiscal virão, afinal são quase 20 de governança tucana que, nos últimos tempos, estacionou o Estado na mesma falácia trágica de ‘avançar mais’ para desenvolver. Assim como Bolsonaro à frente do País, Caiado em Goiás terá o grande desafio de reestruturar a gestão pública e, simultaneamente, restabelecer a confiança dos goianos na prática da boa política.

O governador eleito deixou claro em sua diplomação o compromisso com a população para governar para o cidadão, devolver o Estado ao povo. “Quero ter o apoio dos servidores e da sociedade para combater desigualdades e poder fazer de Goiás um Estado mais justo, equânime, e que as oportunidades cheguem a todos”.

Escreva um comentário