4 de janeiro de 2019
publicado às 20h50
Mais dois partidos aderem à candidatura de Rodrigo Maia pela reeleição

PRB e PSD se unem ao PSL no apoio à reeleição do presidente da Câmara. PSol lança Freixo, mas oposição continua dividida

Campanha de Rodrigo Maia ganhou força após alinhamento do PSL, apesar de Bolsonaro declarar neutralidade (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Campanha de Rodrigo Maia ganhou força após alinhamento do PSL, apesar de Bolsonaro declarar neutralidade
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Por Bernardo Bittar (Correio Braziliense) – Após receber o apoio do PSL, na quarta-feira, a reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ganha cada vez mais espaço. Ontem, foi a vez do PSD se alinhar à candidatura do parlamentar fluminense. O apoio foi anunciado pelo líder do partido na Casa, deputado Domingos Neto (CE), por meio do Twitter. A legenda elegeu 34 deputados para a nova legislatura. Antes, o PRB, que terá 30 deputados, já havia apoiado Rodrigo Maia.

A decisão do PRB inviabilizou o nome do deputado João Campos (PRB-GO), que ambicionava a vaga. Sem apoio dentro do partido, ele desistiu do pleito. “João Campos estava tentando viabilizar a candidatura acreditando que seria o candidato do governo”, disse o deputado Jhonathan de Jesus (RR), líder do partido na Câmara.

Rodrigo Maia ganhou força ao conquistar o apoio do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, que elegeu 52 parlamentares em outubro. Apesar de Bolsonaro ter indicado que não pretende se envolver publicamente na disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, integrantes do DEM estão animados com o reforço à reeleição do deputado fluminense.

Se os deputados forem fiéis às orientações de suas lideranças, Maia poderá ter, ao menos, 145 votos, incluindo nesta conta os 29 do próprio DEM na Câmara. Do lado do PSL, a esperança é de que a reeleição de Maia facilite o encaminhamento das medidas que serão encaminhadas pelo governo ao Congresso nos próximos meses. A eleição dos integrantes da Mesa Diretora da Câmara ocorre em 1º de fevereiro.

Oposição

Enquanto Rodrigo Maia amealha cada vez mais aliados, a oposição teme ficar sem espaço e tenta unificar esforços na candidatura de Marcelo Freixo (PSol-RJ). O psolista confirmou ontem, também pelo Twitter, que vai disputar a Presidência da Câmara numa chapa de oposição ao atual comandante da Casa.

A inusitada atitude de Freixo, que não costuma fazer revelações na internet, foi uma “reação” ao acordo de Maia com o PSL. “Sou candidato à Presidência da Câmara dos Deputados por um amplo campo republicano e democrático, que lutará para resgatar o espírito da Constituição. Vamos enfrentar a agenda de Jair Bolsonaro e de Rodrigo Maia, que aprofundará ainda mais as desigualdades no país”, escreveu o parlamentar eleito pelo PSol.

Ao confirmar a candidatura, Marcelo Freixo criticou a agenda de Bolsonaro. “O Congresso Nacional precisa se comprometer com o fortalecimento e a ampliação dos direitos sociais, ameaçados pelo novo governo e seus aliados. O meu compromisso como candidato à Presidência da Câmara é com uma agenda econômica e social que promova a cidadania”, complementou na rede social.

Dirigentes do PT afirmaram ao Correio que ainda vão conversar com forças de esquerda antes de definir o posicionamento oficial em relação à eleição na Câmara. O acordo de Maia com o PSL desagradou os petistas, que também negociavam com o atual presidente em busca de espaço na Mesa.

O líder do PCdoB na Câmara, deputado Orlando Silva (SP), afastou a possibilidade de a esquerda se unir em torno de uma candidatura única para a Presidência da Câmara. Pelo Twitter, ele disse que “líderes vão lançar uma campanha por uma candidatura unificada na esquerda”, mas que “todo mundo sabe que isso não acontecerá”.

Orlando Silva chamou a tentativa de reunir a oposição de “temporada deflagrada pela decisão do PSL de apoiar a reeleição de Rodrigo Maia”. Ainda de acordo com o líder do PCdoB, a movimentação mostra o aparente interesse do PSL em conseguir mais parlamentares na janela de transferência partidária, entre março e abril. “O PSL descobriu que não basta ter 50 deputados. Se ficar falando apenas pelas redes sociais, sofrerá derrotas seguidas”, finalizou.

Barganha

Ontem, o PSL reuniu-se informalmente na Câmara para discutir os rumos do partido. Participaram o senador eleito Major Olímpio (SP), o atual líder da bancada na Câmara, Delegado Waldir (GO), e o presidente da legenda, Luciano Bivar, entre outros. O acordo dos pesselistas com os democratas envolveu barganhas: o partido do presidente Jair Bolsonaro pediu o controle da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Câmara, da Comissão de Finanças e a segunda vice-presidência da Casa.

Além disso, segundo Bivar, o PSL terá participação em todas as comissões em que estiverem em discussão assuntos econômicos, com o intuito de viabilizar a aprovação de medidas da agenda formulada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

O Partido Novo decidiu incluir em uma série de reuniões que terá na próxima semana, em Brasília, a discussão de uma possível candidatura à Presidência da Câmara. O assunto será parte de uma espécie de imersão que a sigla fará com os oito deputados federais que elegeu em outubro. “Vamos reservar um espaço nessas conversas para discutir a Presidência da Câmara e não descartamos uma candidatura própria”, disse o deputado eleito Vinicius Poit (SP).

PSB critica

Candidato à presidência da Câmara, o deputado JHC (PSB-AL) criticou o apoio do PSL ao seu concorrente na disputa Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para ele, o apoio mostra que o partido “começou a virar o balcão tradicional da velha política”. “São promessas que estão sendo feitas, mas que não poderão ser cumpridas. Há desconforto entre parlamentares que não estão sendo consultados”, disse JHC. O parlamentar faz parte do bloco de candidatos que assinaram um pacto de apoio mútuo na disputa pela presidência da Câmara, para combater o amplo poder de Maia. O deputado João Campos (PRB-GO) também fazia parte desse grupo, mas desistiu ontem de sua candidatura e seu partido anunciou apoio a Maia. JHC falou com os jornalistas em frente à sala onde é realizada a reunião do PSL. “A mesa diretora da Câmara virou um balcão, uma negociata”, disse.

O PSL descobriu que não basta ter 50 deputados. Se ficar falando apenas pelas redes sociais, sofrerá derrotas seguidas”
Orlando Silva (SP), líder do PCdoB na Câmara

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/01/04/interna_politica,728853/mais-dois-partidos-aderem-a-candidatura-de-rodrigo-maia-pela-reeleicao.shtml
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