26 de fevereiro de 2020
publicado às 16h10
Enxofre do ‘vulcão’ Cristóvão Tormin intoxica candidatura de Wilde Cambão em Luziânia
Após a denúncia de assédio sexual contra o prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin – afastado pela justiça do cargo –, o escândalo ganha às ruas e torna extremamente tóxico seu apoio à pré-candidatura para prefeito do aliado Wilde Cambão. Esta ‘contaminação’ favorece o candidato do DEM, Eládio Carneiro que deve receber com um largo sorriso o ‘espólio’ de Cristóvão que, por ironia será liderado por Cambão. (Montagem sob fotos do Facebook)

Após a denúncia de assédio sexual contra o prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin – afastado pela justiça do cargo –, o escândalo ganha às ruas e torna extremamente tóxico seu apoio à pré-candidatura para prefeito do aliado Wilde Cambão. Esta ‘contaminação’ favorece o candidato do DEM, Eládio Carneiro que deve receber com um largo sorriso o ‘espólio’ de Cristóvão que, por ironia será liderado por Cambão. (Montagem sob fotos do Facebook)

Por Wilson Silvestre – Até recentemente, o prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormins (PSD) era visto por uma parcela considerável da população como um ‘vulcão político’. Ele tinha uma capacidade singular em fazer barulho e assustar adversários, mas aos ser afastado pela justiça sob a acusação de assédio sexual, implodiu seu grupo político. Enquanto o processo estava restrito no âmbito jurídico, Cristóvão ainda manobrava nos bastidores em busca de um sucessor para disputar a prefeitura, pois está no fim do segundo mandato.

Sem alternativa de um nome mais competitivo, Cristóvão sonhava em ter o ex-auxiliar na Secretária de Obras – que ele ajudou eleger deputado estadual –, Wilde [Cambão] Roriz (PSD). Os dois, até meados do ano passado, mantinham uma boa relação, mas com a denúncia de quase uma dezena de mulheres acusando o prefeito de assédio sexual ganhando às ruas, a amizade começou a exalar enxofre, inviabilizando uma aliança política. Pessoas próximas dizem que o estilo egocêntrico e ditatorial de Cristóvão além de suas estripulias com a justiça, desanimou Cambão a disputar a prefeitura.

Agora, sem Cristóvão no caminho, deve tentar empunhar uma bandeira de independente, mas numa sociedade com tradições religiosas e conservadoras como a de Luziânia, dificilmente ele terá êxito. Sua ligação com Cristóvão ainda é muito forte, não só por laços familiares – são primos –, mas por afinidades políticas. Para complicar, o grupo liderado pelo deputado federal, Célio Silveira (PSDB) emerge como a opção mais viável para construir uma candidatura. O problema é que Célio tem outros planos para 2022 e não consta voltar a ser prefeito. Esta hipótese abre espaços para outros nomes entrarem na disputa. Pessoas próximas ao tucano tem esperanças de que o deputado estadual Diego Sorgatto consiga viabilizar sua candidatura a prefeito de Luziânia.

O problema é que Diego quer deixar o PSDB e migrar para o DEM, mas esbarra na legislação que não abre ‘janela’ nas eleições municipais para deputados e senadores mudarem de partidos. Além disso, a cúpula tucana em Goiás não vai entregar o mandato para alguém que foi eleito pela legenda sem brigar. Para complicar os planos de Diego, o DEM já tem um plano B em marcha com o suplente de senador, Eládio Carneiro que já anunciou sua pré-candidatura a prefeito. Na outra ponta da disputa em Luziânia, encontram-se o vereador e pré-candidato a prefeito, Eliel Júnior (SD). Ele tem feito um trabalho consistente na periferia e pode surpreender.

Mas, em se tratando de política, um pingo é letra, portanto, o candidato do DEM será mesmo Eládio Carneiro apoiado pelo grupo de Cambão. Diante deste quadro, o caminho para Diego trafegar em busca de um arco de alianças para sua candidatura, ficou mais sinuoso e esburacado. Concreto mesmo é a constatação de que as cinzas tóxicas expelidas pelo ‘vulcão’ Cristóvão afugentou seus apoiadores. Para eles, a bússola aponta que o único abrigo de poder é o DEM de Ronaldo Caiado. Fala-se que será um grande êxodo político liderado por Cambão a procura de Eládio Carneiro. Ninguém aposta numa recuperação do prestígio e força política de Cristóvão para esta eleição.

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