Rollemberg ganhou, mas (ainda) não levou

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“O que faço eu aqui?”, do escritor e ensaísta americano Bruce Chatwin. O livro é uma coletânea de artigos sobre as viagens do escritor mundo a fora.

 

Tomo emprestado o título imaginado que esta tem sido a pergunta que mais contribui para a insônia do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg (PSB) nos últimos meses.

Recuando ao ano passado, quando ele disputou uma eleição relativamente fácil, não imaginava que, ao vencer a disputa os grandes problemas que teria pela frente. Se soubesse que sua carreira política, até então bem sucedida, seria colocada à prova e em risco quando sentasse na cadeira do Palácio do Buriti.

Governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg: medidas extremas de um gestor solitário
Governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg: medidas extremas de um gestor solitário

Passada a noite da vitória, ainda de ressaca recebeu os primeiros informes do abacaxi que teria de ser descascado em seu governo. No dia dia seguinte, acabou sua tranquilidade e euforia.

Como é do conhecimento de todos não engajados politicamente, o rombo das contas públicas estavam acima do teto limite. Fazer o quê diante das promessas e compromissos firmados com o eleitor durante a disputa eleitoral? Enrolar, mentir, montar uma comunicação estilo vendedor de sonhos?

Rollemberg contrariou todos os manuais de crise que recomendam tomar decisões duras, impopulares e amargas logo no primeiro dia de governo. Ao pensar com o coração, perdeu o bonde da história e passou a caminhar em círculos. Cometendo uma sucessão de erros, tanto pelo sincericídio político ao anunciar falta de recursos e ações sem combinar com sindicatos, empresários e a Câmara Legislativa.  Com isso, alimentou o noticiário negativo inflando os deserdados dos interesses econômicos que mantinham no governo. O resultado foi a perda de apoio da sociedade.

Agora, num ato corajoso saiu a campo buscando aliados para cortes e arrocho nos cidadãos. Óbvio que o preço político será bem alto para aprovar aumento de impostos e serviços. Isso num momento em que as famílias brasileiras estão com a água acima do queixo. Em Brasília então, só se ouve ranger de dentes. Penso que o Rollemberg humano e solidário deve estar se penitenciando diante de decisões tão difíceis, mas o preço para um estadista está além de seu mandato como gestor público. A história vai se encarregar de dizer se foi um acerto ou uma decisão equivocada.

O fato é que o governador, sob o olhar político, está sozinho carregando todas as dores dos que tiveram seus interesses contrariados. No fundo da alma, ele sabe que está no jogo olho no olho, quem piscar perde. Talvez este seja o motivo pelo qual tem alimentado pouco, dormindo quase nada e sorrindo muito menos.

Ela sabe muito bem que Brasília é uma cidade de economia estatal e não de mercado como nas demais unidades da federação, por isso muitas fortunas emergiram da noite para o dia por estas bandas. Agora, com os governos local e federal à mingua, a sociedade brasileira não vai bancar esta conta. Por se tratar de uma sociedade constituída em sua maioria de burocratas, onde o indivíduo ganha R$ 5 mil e gasta todo sem se preocupar em poupar, pois tem a garantia que vai aposentar-se com o equivalente. Este servidor sabe que sua aposentadoria será a mesma. Esta generosidade é dividida com o contribuinte e os fundos de pensão. Em Brasília, as pessoas não questionam preços de serviços. Simplesmente pagam sem reclamar.

As forças políticas, empresariais e a população devem analisar que todos perdem se não houver uma união em torno da recuperação econômica de Brasília. Não existe almoço de graça. Acabou o tempo de fartura e de uma nação que sustentava tudo em Brasília sem reclamar. A conta chegou, todos tem que pagar, Não só Rollemberg que ganhou, mas (ainda) não levou. Se ele não conseguir, não esperem um milagre para substituí-lo. Rollemberg deu azar de vencer uma eleição no apagar das luzes da era PT, onde o capitalismo de estado levou o país a bancarrota.

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