SEGURO RURAL/José Mário quer o Congresso e lideranças do setor discutindo uma legislação

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Que o agronegócio brasileiro tem avançado muito nas duas últimas décadas, tanto em produtividade e domínio tecnológico, não é novidade para o mercado interno e externo. Mas o produtor continua contando com o humor da natureza para não contabilizar perdas, isso sem mencionar os riscos do mercado numa economia cada vez mais global.

Por conta dessas preocupações e prejuízos, agora, uma antiga demanda dos produtores – o seguro rural – tem ocupado boa parte das discussões das lideranças classistas do setor. O Brasil começa a dar os primeiros passos para construir uma legislação – a exemplo dos Estados Unidos da América –, onde o produtor rural tem assegurado sua renda contra os efeitos climáticos que possam resultar em perda da produção.

Presidente da CNA, João Martins, José Mário Schreiner (Faeg) e a ministra do Mapa, Kátia Abreu: discussão com especialistas americanos sobre seguro Rural. Foto Fredox Carvalho
Presidente da CNA, João Martins, José Mário Schreiner (Faeg) e a ministra do Mapa, Kátia Abreu: discussão com especialistas americanos sobre seguro Rural. Foto Fredox Carvalho

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), entidade que representa o agronegócio no Brasil, promoveu workshop “Diálogo agrícola Brasil-Estados Unidos”, especialmente para discutir o tema. O evento encerrado nesta quinta-feira (15) na sede da CNA, em Brasília, teve a participação de entidades representativas do setor, tanto público quanto privado. Todos atentos na explanação dos especialistas Thomas Worth e Brandon Willis,  todos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), da sigla em inglês convidados pela CNA.

Na abertura oficial na parte da manhã, a ministra do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Kátia Abreu disse que o governo federal trabalha para que a lei plurianual da agropecuária tenha um mecanismo que amplie o seguro rural no País. Segundo Kátia Abreu, o objetivo é que pelo menos 50% da produção esteja segurada. “Não existe crédito rural nos Estados Unidos porque toda a produção é segurada”.

No que diz respeito ao modelo a ser adotado como a lei agrícola para o Brasil, a ministra destacou os avanços do Mapa em adotar medidas e caminhos para uma lei eficaz e com garantias para o setor. “O que pretendemos, a exemplo dos americanos e o dos europeus, é criar uma lei pura e anual. Para que dê mais previsibilidade e estabilidade aos produtores e toda a cedia do agro, para as indústrias se planejarem com mais rigor ao longo do tempo. A nossa proposta é que a lei possa ser de quatro a cinco anos, para que consigamos unificar toda a legislação brasileira que hoje existe em quatro leis que tratam da politica agrícola”, salientou.

Enfático, o vice-presidente da CNA e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner disse que “se não tivermos um seguro rural eficiente como principal pilar da nossa agricultura, dificilmente teremos uma politica agrícola equilibrada em nosso país”.

Para José Mário é importante adotar novos modelos e alternativas para o desenvolvimento do setor no país, já que nos últimos 10 anos, a agricultura vem buscando caminhos para um padrão de seguro agrícola acessível aos produtores rurais. “Esbarramos em um dos grandes entraves que envolvem o seguro agrícola, ultimamente ele tem sido usado como moeda de troca, e isso não é bom. O seguro é para segurar as lavouras e garantir acima de tudo, o crédito aos produtores rurais tanto do Brasil quanto de Goiás”, ressaltou.

O workshop no período da tarde com os americanos Thomas Worth e Brandon Willis e vários representantes de entidades da área de produção agrícola, foi mediado pelo presidente da Faeg, José Mário. Numa rápida conversa com o blog sobre o evento, disse que “não podemos deixar um setor que tanto contribui para nossa pauta de exportações, sujeito aos riscos climáticos que podem provocar perdas consideráveis ao agricultor”. Para ele, em muitos casos as perdas são tão grandes que o agricultor dificilmente volta a produzir por falta de recursos e dívidas. “Isso não acontece em outros setores da economia, portanto, temos que provocar o Congresso para somar forças suprapartidárias e envolver lideranças do setor para, juntos, construirmos uma legislação que dê segurança aos que produzem”, resume.

José Mário tem mostrado jogo de cintura ao mediar temas espinhosos como do seguro rural. Nem sempre os governos se mobilizam em seus estados para avançar nas discussões. Ele fez uma observação para refletir sobre o assunto: “A questão não pode ficar restrita só com a ministra da agricultura ou o governo. Temos que levar este projeto para ser discutido no Congresso juntamente com as entidades e instituições interessadas”.

Um lembrete: O agronegócio, mesmo com uma queda nas exportações em 12,7% em relação a setembro de 2015, conforme dados do Mapa, ainda é um dos que mais contribui para nossas reservas. (Com assessoria de imprensa da CNA e Nayara Pereira, de Faeg)

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