Juiz rebate críticas de que delações serviriam para ‘pescar’ envolvidos

0

Por Renato Onofre/ O GLOBO.  juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condução das Operação Lava-Jato, disse nesta terça-feira, que está um “pouco cansado” da duração das ações, mas que não cabe a ele prever o fim das investigações. Moro falou durante evento da revista inglesa The Economist, em São Paulo…

O editor da revista, Michael Reid, abordou a crítica ao excesso de delações e prisões preventivas e perguntou se isso estaria contribuindo para “pescar” envolvidos. Moro rebateu as críticas e brincou:

Juiz Sergio Mouro
Juiz Sergio Moro

Olha, acho que tem vindo bastante peixe. Acho que existe uma crítica exagerada — disse o juiz.

Questionado se a Lava-Jato seria o agente influenciador de uma mudança no país, Moro voltou a dizer que as investigação sozinha não mudará nada e defendeu o fortalecimento das instituições. Para exemplificar, ele ressaltou a decisão da magistrada Célia Regina Og Bernardes, que na segunda-feira autorizou a deflagração de mais uma fase da Operação Zelotes.

— Esses casos influenciam, positivamente, ontem mesmo tem a decisão de uma colega juíza que pareceu importante – disse elogiando:

— Acredito que o caso está nas mãos de uma colega juíza muito competente.

Para Moro, a manutenção das investigações e a independência do trabalho tipificam uma instituição forte.

— Não se varreu nenhum desses casos criminais para debaixo do tapete.

Durante o debate, que contou com a participação da jornalista Monica Waldvogel e o advogado Thiago Jabor, Moro defendeu o apoio público às investigações da Lava-Jato. Moro voltou a falar que Brasil necessita de reformas legais que “aumentem a efetividade” do sistema judiciário, caracterizado hoje pela “excessiva morosidade”.

— Morosidade excessiva gera impunidade.

O juiz defendeu ainda que o combate à corrupção não é um dever só das instituições, mas da sociedade também. E brincou dizendo que tem aceitado ir a eventos com empresários para “passar basicamente” um recado:

— Não paguem propina — disse.

Moro não quis comentar sobre o suposto acordo entre o governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para evitar o impeachment da presidente Dilma Roussef e a cassação de Cunha, ao se questionado se a tratativa, de alguma forma, poderia atrapalhar o trabalho do judiciário.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

AN