Entidades reagem com espanto à ideia do GDF de recrutar estudantes para liberar obras

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Por Diego Amorim (Fato Online) – Entidades que representam engenheiros e arquitetos do Distrito Federal reagiram com espanto à notícia publicada na semana passada pelo Fato Online de que o governo cogita treinar estudantes das duas áreas para fiscalizar obras.

A medida, ainda em fase de estudo, é uma das alternativas no radar do governo local para tentar destravar a liberação de Habite-se e demais licenças: um problema crônico na capital do país, alvo de diversas críticas do setor produtivo.

Entidades criticaram projeto do Governo de Brasília que usa estudantes para liberar obras (Orlando Brito/ObritoNews/Fato Online)
Entidades criticaram projeto do Governo de Brasília que usam estudantes para liberar obras (Orlando Brito/ObritoNews/Fato Online)

Impossibilitado de aumentar o quadro de servidores, o governo estuda implantar uma espécie de trainee para alunos de Engenharia e Arquitetura – eles não seriam nem estagiários nem funcionários do quadro, mas fariam o papel de fiscal.

“Ficaram doidos? Isso é um absurdo, uma loucura. Se arquiteto recém-formado é incapaz de fazer fiscalização, imagina um estudante”, dispara a arquiteta e urbanista Elza Kunze Bastos, uma das diretoras do Sindicato dos Arquitetos do DF. No entender dela, os alunos não têm a mínima qualificação técnica para exercer essa função, mesmo sob supervisão.

Gestão

Para o presidente do Sindicato dos Engenheiros do DF, Brasil Américo Louly Campos, não faz sentido o governo usar estudantes para buscar resolver um problema crônico de gestão. “Uma coisa é dar oportunidade para que alunos aprendam como estagiários. Outra completamente diferente é tentar suprir a falta de pessoal dessa maneira”, opinou.

Ainda que possa transparecer uma vontade do governo em amenizar um imbróglio antigo, a ideia não agrada também o presidente da Ademi-DF (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do DF), Paulo Muniz. “Só se fosse para fiscalizar as obras menores”, pondera ele, que não economiza nas críticas ao Executivo. “O que falta mesmo é competência para agilizar a liberação das licenças”, ataca.

No Sinduscon-DF (Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF), a informação divulgada em primeira mão pelo Fato Online provocou polêmica, ainda mais diante das declarações do ex-presidente da entidade e atual secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos do DF, Júlio Cesar Peres, de que a alternativa poderia, de fato, agilizar o processo e ajudar a resolver o problema.

Paliativo

Na avaliação do presidente do Crea-DF (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do DF), Flavio Correia de Sousa, recrutar estudantes não resolve o problema. “Não é algo imediato. Eles teriam de passar por uma fase de treinamento especializado, mesmo que fossem ser supervisionados”, sublinha. Segundo Sousa, o poder público precisa discutir melhor, do ponto de vista jurídico, a possibilidade de selecionar profissionais credenciados para auxiliar os órgãos em funções rotineiras.

Criado com a função de orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo no Brasil, o CAU-DF (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do DF) preferiu não se posicionar sobre o assunto. Alegou que não foi comunicado oficialmente da medida, o que é óbvio, uma vez que ela ainda está em estudo.

A aprovação de projetos foi um dos temas abordados no Conversa de Fato que teve como entrevistado o presidente da Ademi-DF, Paulo Muniz.

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