OPINIÃO\O que quer e para onde vai o eleitorado de Brasília?

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Por Ricardo Callado – A população do Distrito Federal ensaia uma guinada em 2018. Uma mudança de rumo. A insatisfação com o atual modelo é nítida. O atual momento favorece. O brasiliense se acostumou com governos onde os resultados podiam ser vistos a olhos nus. Grandes e médias obras, programas sociais paternalistas e benesses ao funcionalismo público.

Esses governos não enfrentaram crises. As finanças do Distrito Federal era invejada por outras unidades da Federação. Administrar com dinheiro sobrando no caixa sempre é mais fácil. Um tempo que ficou para trás. A realidade hoje é outra. Não tem dinheiro mesmo.

Com as medidas tomadas pelo Executivo de conter gastos e os projetos aprovados pelo Legislativo, provável que em 2016 e 2017 os cofres estejam menos combalidos. E sobre algum para investir em obras e estimular o setor produtivo. Gerar emprego e renda.

Não adianta reclamar. Quem foi eleito para governar tem que governar. Rollemberg sabe disso. E sabe que a pressão será cada vez maior se não agir no tempo certo. E muito tempo foi perdido no início do governo com conselhos equivocados. A brincadeira de gato e rato acabou. A hora é de trabalhar.

As guinadas na política brasiliense não são novidades. O eleitor sempre se revezou entre a direita (d) e a esquerda (e). Entre o candidato bom de trabalho, mas conservador, e o com cara de bom moço e mais voltado as ideias.

Roriz (d), o primeiro governador eleito, iniciou o vai e vem entre direita e esquerda. Ele deu lugar a Cristovam Buarque (e). Roriz ainda foi eleito para mais dois mandatosm sendo sucedido por José Roberto Arruda (d). Na sequência, vieram Agnelo Queiroz (e) e Rodrigo Rollemberg (e). Entre um governo e outro ainda tivemos Maria de Lourdes Abadia (d) e Rogério Rosso (d).

Os governos de direita sempre foram melhor avaliados, mas em vários momentos enfrentaram crises políticas por denúncias de corrupção. Os de esquerda ou tiveram problemas de avaliação ou não conseguiram se comunicar de forma correta com a sociedade.

Rollemberg ainda não pode ser avaliado. Mas, em menos de 11 meses, as pesquisas mostram que algo precisa mudar para que a história não se repita. Esse índice de reprovação é fruto dos maus conselhos do início de governo. O governador foi convencido que fazer política é uma coisa ruim. E paga um preço muito alto até hoje. Além de correr atras do tempo perdido, vai precisar ter atitude.

Considerado até hoje o melhor governador do DF, Roriz era um craque na política. Foi o responsável por muitas obras na capital. E pela fundação de muitas das cidades-satélites. É tido por seus aliados como um grande tocador de obras, como a Ponte JK, vários viadutos e o Metrô de Brasília o qual, em pouco mais de dez anos, consumiu bilhões de reais em recursos e já possui linhas mais extensas que o do Rio de Janeiro.

Seus adversários e a classe média brasiliense o acusam de ter depauperado e favelizado o Distrito Federal. Entre as argumentações, a distribuição em massa de lotes semi-urbanizados em cidades-satélites, incentivando a forte migração de pessoas de baixa renda, aumentando em mais de um milhão de habitantes a população do DF.

Após treze anos intercalados como governador (1988/1990, 1991/1995, 1999/2006), Roriz renunciou em favor de sua vice, Maria Abadia para lançar-se candidato ao Senado pelo PMDB em 2006. Sua sucessora disputou a reeleição pelo PSDB com o intuito de permanecer no cargo até 2010. Foi derrotada no primeiro turno pelo então pefelista José Roberto Arruda.

Ao assumir, Arruda divulgou medidas para diminuir o gasto público. E para restabelecer a legalidade. Nos primeiros dias de governo reduziu as secretarias de 38 para 16. Também mudou a sede administrativa do governo para Taguatinga.

Implantou o gabinete de gestão integrada do governo, onde os funcionários do primeiro escalão trabalhavam na mesma sala. A medida visava a transparência e a comunicação, Arruda ainda exonerou cerca de 16 mil funcionários comissionados do governo, com a perspectiva de contratar a metade no futuro. No primeiro ano de governo, proibiu a circulação do transporte coletivo de vans, retirou placas de propaganda não permitidas, e demoliu edifícios em situação irregular e deu início ao processo de legalização de diversos condomínios.

A Caixa de Pandora dizimou o governo Arruda. Rogério Rosso foi escolhido como governo tampão pela Câmara Legislativa.

O governo de Cristovam Buarque implementou soluções criativas, baratas e eficientes. Entre as ações que ficaram marcadas está o projeto bolsa-escola, implementado no DF durante seu governo, premiado no Brasil e no exterior. A bolsa-escola assegurava um salário mínimo a cada família carente que tivesse todas as suas crianças entre 7 e 14 anos matriculadas na escola pública.

Apesar de ter obtido 58% de aprovação (notas ótimo e bom) em pesquisa do instituto Datafolha realizada ao final de seu mandato, não conseguiu a reeleição, perdendo para Joaquim Roriz (PMDB) por pequena margem de votos.

Cristovam atribuiu a derrota à promessa que Roriz fez em campanha, de conceder um grande aumento salarial de 28% para o funcionalismo público do Distrito Federal. A promessa não foi cumprida por Roriz. Cristovam perdeu a guerra da comunicação.

E olha que Cristovam tinha um repertório de ações para apresentar, além do bolsa-escola: Poupança-escola; Saúde em casa; Mala do livro; BRB-Trabalho; e ao Paz no trânsito. Tudo muito bonito, mas a população queria ver obras.

Agnelo Queiroz foi um caso a parte. Conseguiu chegar ao poder pelo PT, aliado com uma dissidência do Rorizismo, tem a frente o seu vice, Tadeu Filippelli (PMDB). Entre suas ações, a construção do estádio Mané Garrincha que até hoje é motivo de polêmica. Não apenas por ser o mais caro da Copa de 2014, mas pelas constantes suspeitas de irregularidades na obra.

Agnelo deixou o governo com marcas superlativas. Se em 2010 foi o petista que conseguiu o melhor índice de voto numa eleição, em 2014 conseguiu o pior desempenho de um candidato do PT. Foi de um extremo ao outro.

Também foi o governador com pior avaliação, mesmo tendo dado os maiores aumentos salariais da história do funcionalismo público e feito os maiores investimentos na área da saúde. Enfrentou os barões do transporte coletivo, ao mesmo tempo que enfrenta um CPI por suspeita de fraude na licitação das empresas de ônibus. Agnelo é, definitivamente, um governo a ser estudado. E seus erros, evitados.

Enquanto Roriz e Arruda têm como caracteristicas posições firmes, Cristovam, Agnelo e Rollemberg tem cara de bons moços. Em 2018, o eleitor não deve levar em conta se o candidato é de direita ou de esquerda. O que deve prevalecer serão as posições.

O bom moço estará fora de moda. E as raposas políticas daram vez a candidatos éticos, mas com posturas fortes e firmes. O candidato a ser escolhido não será nem um Roriz ou Arruda, tampouco um Cristovam ou Agnelo. O eleitor vai virar essa página e começar um novo ciclo. Rollemberg precisará se reinventar para entrar nessa disputa.

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