Serra tem razão: Meirelles chocou o ovo da serpente

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José-Serra-2014Por Fred Lima – O ex-presidente do Bank Boston, Henrique Meirelles, chegou ao Banco Central do governo Lula aclamado pelo mercado como o conservador que daria continuidade à política econômica de Armínio Fraga, fortalecendo o tripé econômico da era tucana. Aconteceu o contrário. Meirelles foi muito conservador quando não precisava – o mundo passava por uma grande bonança externa –, mantendo os juros altos, algo que irritava constantemente o vice-presidente, José de Alencar. E foi muito populista também quando não devia, como na crise de 2008, flertando com o populismo econômico. “A crise acentuada que estamos vivendo vem desde o segundo governo do presidente Lula. Foi nessa oportunidade que (Meirelles) chocou o ovo da serpente. A economia brasileira na década passada desfrutou de uma bonança externa como não houve em nenhum momento do século XX. De 2003 a 2008, o governo Lula teve U$ 100 bilhões a mais por causa da bonança da economia mundial. Não há ninguém em nossa história que tenha tido tanta sorte como Lula. Foi algo que não dependeu de nenhuma ação do governo brasileiro. Foi resultado da bonança internacional. Em uma situação de bonança externa, a última variável que tem que subir em termos reais são os juros. No entanto, o governo Lula cometeu a façanha de fazer uma política de juros em elevação (…) o Brasil torrou o dinheiro que ganhou com o boom do comércio exterior com a entrada de capital estrangeiro. Torrou em consumo que substituiu a produção doméstica. Foi nesse auge do ciclo, onde a economia não aguentava mais, que ocorreu a eleição de 2010, com salários crescendo a 5 e 10% a cada mês, incluindo emprego, consumo, todos os indicadores favoráveis ao processo eleitoral, embora estivesse claro que a economia ia bater com a cara na parede rapidamente. Foi a campanha em que se vendeu a seguinte filosofia ao povo brasileiro: emagreça comendo, faça ginástica deitado e aprenda inglês dormindo. O preço que o governo Dilma pagou foi e é altíssimo”, afirmou Serra na tribuna do Senado, em fevereiro.

 

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