Planalto corre atrás de discurso unificado para se defender contra impeachment

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Dilma Rousseff e Jaques Wagner: Planalto não mostra alinhamento na hora de reagir a Cunha. Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Dilma Rousseff e Jaques Wagner: Planalto não mostra alinhamento na hora de reagir a Cunha. Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Por Paulo Cruz – iG Brasília – Ainda sob o baque do processo deflagrado nesta semana pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o Palácio do Planalto não conseguiu construir um discurso unificado de defesa, e mostra sinais de que ainda não possui uma estratégia de comunicação que será eficiente para superar o momento que tem pela frente.

Nos dias em que se seguiram à autorização, por parte de Cunha, da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, seus auxiliares mais diretos deram demonstrações de que ainda não estão concatenados, nas palavras de um observador próximo das movimentações.

Na sexta-feira (4), um dia após ser divulgada a versão de que a orientação feita diretamente por Dilma era de que o “bate-boca” deveria ser evitado, a presidente voltou a atacar o desafeto, dessa vez com mais ênfase, dizendo que não possui contas na Suíça. Como não é de levar desaforo para casa, Cunha mais uma vez contra-atacou e a associou ao que classificou de “o maior escândalo de corrupção do mundo”.

Foto: J. Batista/Câmara dos Deputados
Foto: J. Batista/Câmara dos Deputados

Um dia antes, mesmo tendo dito que pretendia encerrar o assunto sobre quem teria mentido a quem, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, se referiu à deflagração do processo por Cunha como uma “conspiração do bem”, já que, na sua opinião, teria ficado “explícito” que o presidente da Câmara tomou a atitude de acolher um pedido que estava em seu gabinete há meses horas depois de o PT declarar que não entregaria seus votos no Conselho de Ética (que investiga Cunha).

O desencontro de orientações vai além. O encontro de quinta-feira (3) entre Dilma e o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), evidenciou o ruído entre versões que já começou a circular nos bastidores do Palácio do Planalto. O objetivo seria forçar o vice a se posicionar publicamente a favor de Dilma. A propósito, três dias depois de iniciado o processo, ele ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto.

A conversa entre os dois durou menos de 30 minutos, e de acordo com interlocutores de Temer, a avaliação do cenário não foi muito aprofundada. Alegando compromissos pessoais em São Paulo, ele não aceitou o convite feito por Dilma para participar da reunião em que ela discutiu o quadro político com 23 de seus 31 ministros.

O motivo da reunião seria, então, possibilitar que a informação veiculada extraoficialmente pelo Planalto fosse tida como verdadeira. Conforme essa versão, Temer teria se colocado à disposição como jurista para auxiliar na defesa de Dilma. O encontro teria sido longo, disse-se. Já a versão do vice-presidente foi somente a de que ele a aconselhou a agir de forma institucional para diminuir a crise política.

Outro fator, que pode ser decisivo para conceder mais força à presidente, também parece não ter sido discutido a fundo pelo núcleo duro do governo até o momento. Perguntado em entrevista sobre a mobilização social nas ruas em defesa de Dilma, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, disse que seria democrático se os setores sociais que defendem o governo se movimentassem.

O ministro disse, no entanto, que não seria bom para o Brasil haver uma “guerra política nas ruas”, e frisou que não haveria uma convocatória do governo. Já o ministro da Casa Civil disse que esse processo ocorreria “naturalmente”. Na opinião dele, a mobilização vai partir não somente dos defensores da presidente, mas também dos que defendem a institucionalidade do país.

 

 

 

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