Desafios do agronegócio para salvar a lavoura econômica

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Presidente da Faeg, José Mário Schreiner (Centro) é um interlocutor constante do agronegócio goiano e brasileiro junto à ministra do Mapa, Kátia Abreu e o presidente da CNA, João Martins
Presidente da Faeg, José Mário Schreiner (Centro) é um interlocutor constante do agronegócio goiano e brasileiro junto à ministra do Mapa, Kátia Abreu e o presidente da CNA, João Martins

Por Wilson Silvestre – Inegável as conquistas econômicas e sociais do agronegócio brasileiro. Se olharmos duas décadas atrás quando erámos um país periférico na produção de grãos e hoje, graças ao trabalho, tecnologia e ações políticas de entidades classistas, crescemos mais de 140% em produtividade. Um feito que orgulha o país já que a área plantada cresceu apenas 39% nesses 20 anos. Mas esse feito histórico pode sofrer revés, caso não seja adotadas políticas públicas que assegure este crescimento.

Culturas como soja, milho, álcool e carnes vem, a cada ano num crescente, mas por conta da alta do dólar que praticamente inviabiliza a produção para consumo interno, pode forçar a elevação de preços afetando principalmente as classes emergentes C e D.

O blog conversou rapidamente com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner sobre a expectativa do agronegócio brasileiro e de Goiás para 2016.

Para o líder classista, existe uma onda de incertezas pairando sobre a cadeia produtiva do país, principalmente na agricultura. “Tenho repetido em minhas entrevistas, que o agronegócio não vai evitar uma queda maior na economia como em anos anteriores. Não temos mais fôlego para amortecer a queda do PIB do país e servir de colchão para sustentar 2016”.

José Mário acredita que o protagonismo do agronegócio no crescimento interno do país, mesmo sendo pequeno e, ao mesmo tempo servindo como âncora da economia nos mercados externos, vai sofrer queda. “Os constantes aumentos do dólar por conta de fatores políticos e econômicos, encareceu os custos de produção em até 30%. Soma-se a isso, o fator climático como chuvas em excesso em determinadas regiões, seca  em outras e redução de consumo das famílias devido a perda de poder aquisitivo. Então, a expectativa é que a safra de grãos cresça apenas 3% pouco mais de 20 milhões de toneladas”.

Outro ponto destacado pelo presidente da Faeg foi o pedido feito ao Ministério da Agricultura e a Agrodefesa, a extensão do prazo do zoneamento agrícola e a prorrogação do prazo do plantio da soja nas regiões Centro-Norte, Nordeste e Vale do Araguaia, onde a seca tem castigado lavouras. ”Fomos prontamente atendidos pelo Mapa e Agrodefesa autorizando o plantio para até 15/1”.

Na perspectiva de José Mário este ano de 2016 será de resiliência e cautela no agronegócio. “Vamos sobreviver e aprender com a crise e voltarmos a ser protagonistas do crescimento econômico do Brasil”. Este otimismo sobre a passagem turbulenta em que o país atravessa, são embasados em números que José Mário tem na gaveta.

A estimativa da renda do agronegócio em 2015 ficou em torno de R$ 1,212 trilhão, dos quais R$ 819,16 bilhões (67,6%) do setor agrícola e R$ 393,1 bilhões (32,4%), do pecuário.  “O agronegócio tem evitado que a economia naufrague, não só pelos números superlativos, mas como sempre repito: sozinhos, até andamos mais rápido, mas não vamos longe. Quando encontramos parceiros, vamos muito mais longe”. O líder da Faeg lembra que o empreendedorismo, palavra da moda, deve ser a chave usada pela iniciativa privada tirar o país do atoleiro ético, político e econômico. “As entidades classistas tem assumido obrigações do poder público, não só cuidado das pessoas, mas levando inovações e conhecimento aos jovens que estão à margem dos grandes centros urbanos, principalmente na zona rural”.

Em outubro do ano passado José Mário  mediou, na Confederação Nacional da Agricultura (CNA), debate sobre o modelo de seguro rural em busca de um modelo para o ser oferecido ao Brasil. “Tenho defendido que devemos avançar em busca de alternativas para os produtores. Os americanos é a melhor referência que existe, pois é acessível e compatível aos nossos agricultores”. Parece uma bandeira utópica, mas o líder do agronegócio em Goiás pensa diferente: “Gosto de citar o exemplo que dei no início de nossa conversa de que, sozinhos, até andamos mais rápido, mas não vamos longe. Quando encontramos parceiros, vamos muito mais longe. Acredito que o agronegócio mais uma vez vai ajudar o país a salvar a economia”.

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