Produção industrial recua 11 anos e nada indica que o fundo do poço chegou

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Por Fábio Graner (Fato Online) – Com mais uma forte queda em novembro, a produção industrial já chegou ao nível praticado em 2004, mais de uma década atrás. E o mais dramático é que nada garante que o fundo do poço tenha sido encontrado. Ao contrário, as indicações ainda apontam para a continuidade, pelo menos no curto prazo, da trajetória descendente da combalida indústria brasileira.

Os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) relativos a novembro surpreenderam os analistas do mercado financeiro pela intensidade da queda mostrada. A explicação para a surpresa, contudo, é meio óbvia: a crise causada pelo rompimento de barragens em Minas Gerais da mineradora Samarco, que fez um grande estrago na produção do setor extrativo (cuja queda foi de 10,9% em novembro ante outubro), e a greve dos petroleiros.

Mas não é porque o setor extrativo causou uma queda mais forte do que se antecipava que muda o fato de a indústria viver uma crise generalizada. Segundo o IBGE, apenas 23,4% dos produtos industriais acompanhados tiveram alguma taxa positiva no resultado acumulado no ano. Ou seja, de janeiro a novembro, houve queda de produção em quase 80% do setor industrial.

Com a demanda interna fortemente deprimida, baixa confiança de consumidores e empresários, elevados níveis de estoques, juros elevados e cenário externo conturbado, o quadro para o setor industrial está complicado. E esses fatores continuam presentes, o que inibe apostas de melhora no curto prazo.

De tudo, o quadro do setor de bens de capital é o que mais desanima. Afinal, esses produtos estão alinhados ao nível de investimento na economia. No ano, esse setor acumula queda de 25,1%, o que significa pouquíssima disposição dos empresários de investirem em aumento da capacidade produtiva.

É claro que faz todo sentido haver queda no investimento em um ambiente de recessão, baixa demanda e pouco uso do parque produtivo. Mesmo assim, a intensidade da queda na produção de bens de capital mostra não só o exacerbado clima pessimista no setor empresarial, mas também que o país não está aumentando sua capacidade de crescer quando assim que a crise passar.

 

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