Luiza Erundina cria um partido para ser chamado de meu: Raiz Movimento Cidadanista

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Luiza Erundina e o novo partido Raiz: “Somos um movimento surgido do rastro das manifestações de rua de 2013 no Brasil, na Europa, na Grécia...” (Orlando Brito/Obritonews/Fato Online)
Luiza Erundina e o novo partido Raiz: “Somos um movimento surgido do rastro das manifestações de rua de 2013 no Brasil, na Europa, na Grécia…” (Orlando Brito/Obritonews/Fato Online)

Tales Faria (Fato Online) – Um novo partido de esquerda está surgindo no horizonte da política brasileira. Chama-se Raiz Movimento Cidadanista e terá sua ata de fundação lançada no próximo dia 22, durante o Fórum Social Mundial de Porto Alegre.

Tem à frente a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), mas boa parte de seus militantes deve se aliar ao PSol nas eleições municipais deste ano. Em 2018, a Raiz espera já estar estruturada nacionalmente. E será mais uma opção para tantos candidatos à sucessão de Dilma Rousseff que andam se colocando por aí.

Fato Online foi ouvir a deputada Erundina para saber quais são os planos da nova legenda

Qual a amplitude da Raiz? Além da senhora, há outros nomes de expressão.

Olha, tem muita gente. Mas não estamos em busca de nome de expressão e sim da participação em movimentos sociais. Não queremos que se pense o partido como propriedade minha ou de qualquer outra figura de expressão, como o Célio Turino, um historiador de reconhecimento internacional. A ideia agora é trabalhar a inserção nos movimentos sociais. Nem estamos pensando ainda nas eleições.

Então vocês não participam das eleições municipais deste ano?

Temos uma série de passos legais a cumprir. Quem quiser participar do nosso movimento e ao mesmo tempo quiser participar das eleições possivelmente deverá fazê-lo por outro partido. Estamos em negociação com o PSol, por exemplo, para um entendimento semelhante ao que a Marina teve com o PSB no processo de criação da Rede. Os militantes do seu partido se filiaram ao PSB para ter participação nas eleições até que obtiveram o registro partidário definitivo no Tribunal Superior Eleitoral.

E qual o ideário da Raiz?

Somos um movimento surgido do rastro das manifestações de rua de 2013 no Brasil, na Europa, na Grécia… Temos como objetivo um processo de democracia radical, com estruturas políticas e partidárias horizontalizadas. De esquerda, com uma visão socialista, mas sem centralismos. Nosso ideário tem um apelo forte na busca de uma nova convivência urbana, defesa de uma política transportes para todos, o ecossocialismo (fusão do marxismo com socialismo libertário e política verde), aproximação com culturas indígenas e africanas. O nome, inclusive, é Raiz Movimento Cidadanista, por lutar pelos direitos de todos os seres viventes na natureza. Defendemos desde uma revolução cultural até uma auditoria na dívida pública brasileira, que é a raiz de boa parte dos problemas econômicos do país.

Em que estágio está o processo de criação?

Como eu disse, não estamos focados nas eleições, nem há tempo para isso. Termos esse ato de fundação no dia 22 que é até uma exigência legal do processo de criação do partido, com registro do Estatuto, ata de fundação subscrita pelos fundadores e representantes de pelo menos um terço dos Estados do país, que terá que ser publicado no Diário Oficial da União. Depois é que passaremos para o recolhimento de assinaturas e demais exigências jurídicas.

A senhora falou nos movimentos de rua de 2013. E agora, como está vendo esses protestos em São Paulo?

Pois é, estamos engajados nessa luta do Movimento Pelo Passe Livre e contra a violência da repressão policial. É um absurdo o que a polícia do governador Geraldo Alckimin (PSDB) está fazendo.

Em 2013 também houve uma repressão forte do governo estadual aos protestos em São Paulo. E isto inicialmente levou a população a apoiar as manifestações. Mas elas acabaram se tornando uma espécie de inspiração para as manifestações de rua de 2015 contra o impeachment. A senhora não acha que isso pode se repetir?

Não creio. As manifestações de 2013 não tinham foco. Era uma pauta difusa. Agora temos um foco muito preciso na questão do passe livre, na questão da mobilidade urbana, do transporte como um direito civil, conforme prevê o artigo 6º da Constituição a partir de uma Proposta de Emenda Constitucional, a PEC-90, de minha autoria. Eu a apresentei em 2003. Mas ela só foi aprovada em dezembro de 2013, motivada pelos protestos daquele ano. Enfim, não creio que os defensores do impeachment conseguirão se assenhorar das manifestações de rua de agora, que são em defesa da mobilidade urbana, do transporte público e gratuito.

A senhora citou a proximidade com o PSol. Isso faz crer, então, que vai sair do PSB.

Não é meu interesse deixar o partido agora. Só se eles me expulsassem, o que não creio que ocorrerá. Acho que tenho uma história que me credencia a continuar lá enquanto se discute o processo de criação da Raiz.

Mas a senhora não votaria para prefeito de São Paulo, por exemplo, no Marcio França, que é o presidente estadual do PSB.

Ele não será candidato, nem eu votaria nele. Mas o Márcio sabe disso e me respeita tanto quanto eu o respeito. Somos amigos, embora tenhamos diferenças ideológicas e de prática política. Como é vice-governador do Alckmin, é provável que o Márcio apoie o candidato do PSDB. Não sei… Mas eu renunciei à Executiva Nacional do PSB quando o partido e a nossa candidata no primeiro turno das eleições presidenciais, a Marina Silva, resolveram apoiar o tucano Aécio Neves no segundo turno. Protestei, saí da Executiva, mas respeitaram minha posição. Acho que é por aí…

 

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