Em Cristalina, colheita de soja foi oficialmente aberta do Brasil

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Produtores e autoridades comemoram com otimismo a colheita da soja no Brasil Foto: Fredox Carvalho
Produtores e autoridades comemoram com otimismo a colheita da soja no Brasil Foto: Fredox Carvalho

Por Murillo Soares Santos – Em um dos berços goianos da soja, a Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), em parceria com a Associação de Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja) e o Canal Rural, realizaram a Abertura Oficial da Colheita de Soja nesta sexta-feira (29). O evento faz parte do Projeto Soja Brasil, que dá apoio e leva informações aos produtores, acompanhando o grão desde o plantio à colheita.

O evento foi repleto de debates, que promoviam a troca de informações e a busca de soluções para gargalos específicos de quem planta a oleaginosa. Autoridades ligadas ao agronegócio estiveram presentes no evento, com destaque para o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins.

Segundo o assessor técnico da Faeg, Cristiano Palavro, este encontro, apesar de simbólico, é de suma importância para a agricultura brasileira. Afinal, o produtor de soja, afirmou ele, é quem tem tentado tirar nosso país da crise. Ao discursar, o presidente da Aprosoja Goiás e vice-presidente institucional da Federação, Bartolomeu Braz, afirmou que os produtores devem aproveitar esta oportunidade para a troca de experiências.

Para Schreiner, foi mais que um evento. Foi um agradecimento e uma comemoração ao excelente trabalho do produtor brasileiro Foto: Fredox Carvalho
Para Schreiner, foi mais que um evento. Foi um agradecimento e uma comemoração ao excelente trabalho do produtor brasileiro Foto: Fredox Carvalho

José Mário Schreiner, presidente da Faeg, destacou a importância da Abertura da Colheita, ressaltando que não é apenas mais uma festividade. “É um ‘muito obrigado’ por tudo que os produtores fizeram de bom”, bradou. Segundo ele, este agradecimento é importante para lembrar a importância que o Agronegócio tem em toda a sociedade. “Para se ter uma noção, existem 1 milhão e meio de desempregados no país. O Agro, no entanto, fechou o ano com saldo positivo na geração de empregos”, exemplificou.

Para o presidente da Aprosoja Brasil, Almir Dalpasquale, o evento mostra a diversificação e a pujança dos produtores de soja. “Ouvi histórias aqui de pessoas que passaram por dificuldades extremas, mas, hoje, têm um império de grãos em suas mãos”, contou. João Martins, presidente da CNA, lembrou da crise moral, segundo ele, que o país atravessa. “O Brasil é maior que esta crise. E essa região, de Cristalina e Goiás como um todo, é uma demonstração clara do Brasil que dá certo”, sublinhou. “Sem mentiras para sustentação”, completou ele.

A Agropecuária sustenta o nosso país, lembrou Martins. Entretanto, seu receio é que, ao não conseguir mais fazê-lo, o setor seja taxado como ineficiente. Por isso, segundo ele, deve-se dar mais valor ao produtor e fazer com que ele tenha condições de trabalhar bem. “Nossas estradas estão péssimas. Elas diminuem nossa competitividade e, a médio prazo, perderemos nosso posto”, alertou.

Na solenidade, Luiz Carlos Figueiredo, proprietário da sede do evento, Fazenda Capão Grande, recebeu uma homenagem dos organizadores por seu trabalho como produtor em Goiás. “Temos muito o que aprender com ele, que nos representa com muita magnitude. Merece nossos parabéns não apenas pelo trabalho em Cristalina, mas em todo o estado”, ressaltou Schreiner.

Autoridades presentes subiram em colheitadeiras para retirar os primeiros grãos da lavoura Foto: Larissa Melo
Autoridades presentes subiram em colheitadeiras para retirar os primeiros grãos da lavoura Foto: Larissa Melo

Mãos à massa

Assim que os painéis, debates e solenidades se encerraram, algumas das autoridades que estavam presentes foram convidadas para subir em colheitadeiras e retirar os primeiros grãos da lavoura. Após descerem, receberam uma chuva de grãos, “chuva de ouro”, como alguns produtores bradaram. Isso simbolizou otimismo, confirmado por dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo a sigla, acredita-se em números próximos a 100 milhões de toneladas em todo o Brasil.

Colheita boa

Apesar de ter sido a abertura oficial, foi simbólica. Cristiano Palavro afirmou que alguns estados, como o Mato Grosso, e muitos municípios goianos também, já estão colhendo a oleaginosa. Isso, no entanto, não impedirá Goiás de ter uma safra boa. “As expectativas são otimistas para a colheita deste ano. Apesar de ter um começo difícil, com pouca chuva nas lavouras, caiu muita água em janeiro – diferente dos dois últimos anos”, explicou Palavro. Segundo ele, a probabilidade é de que sejam colhidas 9,8 milhões de toneladas. “Mas é provável que a Faeg conte mais do que isso no final da colheita”, completou.

Rogério Viana é produtor do Sudoeste goiano, na cidade de Mineiros. Mesmo assim, viajou mais de 700 km para comparecer ao evento. “É um encontro importante para os plantadores de soja e também para a sociedade como um todo. Mostra a força das associações e a união dos produtores”, afirmou. Sua colheita ainda não está no ponto, devido às chuvas tardias, conforme ele contou.

Porém, até sua soja estar pronta para a colheita, ele troca informações com outros produtores. “Eu, particularmente, não conhecia Cristalina e vi o que está sendo feito nesta região. Fiquei entusiasmado; é uma região muito importante. Aqui eles fazem coisas que não fazemos no Sudoeste”, disse. Trocar experiências, para ele, é o primordial em eventos como este, para que um aprenda com o erro do outro. “Essas conversas são de extrema importância na nossa cadeia”, finalizou.

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