Mais de 7 mil estão sem aulas devido à ocupação de escolas estaduais

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Do G1 GO – Mais de sete mil estudantes ainda não iniciaram o ano letivo por causa da ocupação de escolas estaduais, segundo levantamento da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce). Alunos estão acampados nessas unidades de ensino em protesto contra a implantação das Organizações Sociais (OSs) na administração dos colégios.

Os estudantes que ocupam as escolas iniciaram o movimento em 9 de dezembro do ano passado. Ao todo, 29 escolas foram fechadas. Após 15 desocupações, 14 colégios continuaram sob os cuidados dos manifestantes. A última ocupação ocorreu na quarta-feira (3), em Anápolis.

O ano letivo na rede estadual começou em 20 de janeiro. Sem aulas, pais e estudantes do Colégio Pré-Universitário (Colu) protestaram na quarta-feira (3) em frente à unidade, em Goiânia. O grupo pediu a retomada das aulas.

“Já começou o ano letivo, minha menina estuda aqui. Eu moro mais perto, trabalho aqui então a gente precisa que a escola desocupe”, reclama a agente administrativa Ireni Maria de Jesus.

Os manifestantes fizeram um abaixo assinado que foi entregue ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). O órgão confirmou o recebimento do documento que pede a reabertura do colégio. Conforme a promotoria, até quinta-feira (4) deve ser entregue um ofício à Seduce cobrando esclarecimentos.

Após o protesto, estudantes que ocupam a escola disseram que vão repensar o movimento. “A gente viu que não é o momento mais de estar aqui ocupando, que a gente está prejudicando outras pessoas. Então, não é bacana, não é isso que a gente quer, ser parecido com o governo”, disse o representante do grupo, Breno Bittencourt.

Ocupações
O Colégio Estadual Professor Faustino em Anápolis, a 55 km da capital, foi o último a ser ocupado. O ato aconteceu na quarta-feira (3). O grupo entrou na unidade de ensino enquanto as aulas ainda estavam acontecendo.

Ainda em Anápolis, os estudantes tomam conta dos colégios Polivalente Frei João Batista, José Ludovico de Almeida, Jad Salomão, Padre Fernando, Carlos de Pina, Américo Borges de Carvalho, Hertha Leyser Odwyerm, Doutor Mauá Cavalcante Sávio, Professor Faustino e Antensina Santana.

Em Goiânia, os estudantes ocupam das escolas José Carlos de Almeida, Lyceu de Goiânia, Instituto de Educação de Goiás (IEG), Colégio Pré-Universitário (Colu), José Lobo e Murillo Braga. Na cidade de Goiás, o Colégio Estadual Aplicação Professor Manuel Caiado também está ocupado.

A Justiça determinou a reintegração de posse de 14 escolas. No entanto, apenas 12 foram desocupadas. A ordem não foi atendida no Polivalente Frei João Batista e Hertha Leyser Odwyerm.

Colégio Estadual Professor Faustino foi o último a ser ocupado (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Colégio Estadual Professor Faustino foi o último a ser ocupado (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Seduce
Os estudantes que protestam contra a implantação de OSs na administração das escolas estaduaisocuparam também o prédio da Seduce no último dia 26, ondem seguem. O grupo pede a revogação do edital de chamamento de empresas interessadas em gerir os colégios.

De acordo com a assessoria de imprensa da Seduce, durante a invasão, os estudantes cobriram os rostos e gritavam palavras de ordem. Houve confusão e, segundo a assessoria, o grupo chegou desligar a energia e ordenar que todos os funcionários deixassem o local.

Alguns servidores reclamaram que os estudantes que entraram no prédio deixaram o ambiente sujo e levaram itens da geladeira dos funcionários. Segundo eles, extintores foram descarregados em diversas salas.

Audiência pública
Foi realizada em Anápolis, na noite do último dia 27, uma audiência pública para discutir a implantação de OSs em 23 escolas da região. Na ocasião, a secretária de Educação garantiu que a medida será benéfica para a comunidade escolar.

“A lei permite que hoje a oferta do serviço público, seja de saúde, educação, cultura, meio ambiente e ciência e tecnologia, seja feita de forma direta ou indireta. É isso o que a gente está fazendo, testando em 23 escolas esse novo modelo de gestão”, afirmou Raquel Teixeira.

Apesar disso, os estudantes seguem se aprovar a mudança na administração. “Na nossa visão, não vai melhorar em nada privatizar, militarizar. A gente só quer educação. A gente quer tudo limpo e público, de graça”, afirmou uma aluna, não identificada.

Colégio Estadual Professore José Carlos de Almeida está entre os desocupados (Foto: Vitor Santana/G1)
Colégio Estadual Professore José Carlos de Almeida está entre os desocupados (Foto: Vitor Santana/G1)

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