VALPARAÍSO/Lucimar fora do jogo e Lêda encrencada, pré-candidatos gastam saliva em busca de apoios

0

Por Wilson Silvestre – Política é assim: quando se imagina que tudo está seguindo a ordem natural dos acontecimentos, muda-se bruscamente. Por isso a frase do político mineiro Magalhães Pinto está sempre atual. Dizia ele sobre negociações e acordos: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. Este é o caso da disputa eleitoral em Valparaíso, cidade da região metropolitana de Brasília.

Tudo parecia caminhar para que a deputada estadual e super secretária do governo Marconi Perillo, Lêda Borges (PSDB) seria a oponente da prefeita Lucimar Nascimento (PT) na corrida para a prefeitura.

Com a deputada e super secretária Lêda Borges (PSDB) fora da briga pela prefeitura (?) e sua rival, Lucimar Nascimento (PT) desistindo da reeleição, o jogo embolou em Valparaíso
Com a deputada e super secretária Lêda Borges (PSDB) fora da briga pela prefeitura (?) e sua rival, Lucimar Nascimento (PT) desistindo da reeleição, o jogo embolou em Valparaíso

As nuvens política mudaram o formato. Lêda foi ‘baleada’ pela justiça num processo que ainda cabe recurso, mas deve perdurar um bom tempo e, claro, mantendo a sangria de votos em seu capital político. Sua principal rival no páreo, atual prefeita Lucimar Nascimento (PT), jogou a toalha. O inferno astral em que passa o partido da estrela vermelha e a alta rejeição de sua gestão sepultou o discurso da ética, moralidade na política e respeito ao patrimônio público, bandeiras que o PT carregou por décadas.

Com os dois principais lideres fora do páreo — até quando? —, todos os partidos se viram com chances de conquistar a prefeitura. Até o vereador Pábio Mossoró (PSDB), afilhado de Lêda Borges que estava meio esquecido, reapareceu com força. Na mesma trilha, veio o ex-vereador Plácido Cunha (sem partido), fiel escudeiro do presidente da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner. Outro que não arreda o pé na pré-candidatura é o vereador Afrânio Pimentel (PP), apadrinhado pelo vice-governador José Eliton e Francisco Carvalho.

Especulações de bastidores sugerem que, caso Lêda Borges fique fora da disputa, o nome do presidente do PP em Valparaíso, Francisco Carvalho. O problema é que ele é casado com Lêda, situação difícil de contornar entre os aliados. Seria o ideal pois Francisco é a alma e coração quando se trata de Marconi Perillo e José Eliton.

Pré-candidatos ‘brigam’ entre si para conquistar o apoio um do outro na disputa pela prefeitura: empresário Beto Mazzocco (deve deixar o PMDB e migrar para o PSD), vereadores Afrânio Pimentel (PP), Pábio Mossoró (PSDB), Professor Silvano Pereira Neto (PT) e Marcus Vinicius (PSD). Correndo na raia externa, ex-vice- prefeito Adolfo Lopes, ex-vereador Plácido Cunha (ambos sem definição partidária e a zebra, Francisco Carvalho (PP)
Pré-candidatos ‘brigam’ entre si para conquistar o apoio um do outro na disputa pela prefeitura: empresário Beto Mazzocco (deve deixar o PMDB e migrar para o PSD), vereadores Afrânio Pimentel (PP), Pábio Mossoró (PSDB), Professor Silvano Pereira Neto (PT) e Marcus Vinicius (PSD). Correndo na raia externa, ex-vice- prefeito Adolfo Lopes, ex-vereador Plácido Cunha (ambos sem definição partidária e a zebra, Francisco Carvalho (PP)

Outra liderança tradicional na cidade e guardião de um capital político fiel é o ex-vice-prefeito Adolfo Lopes. Ele deixou o PMDB e um grupo político de Brasília deve bancá-lo em outra legenda. Ou seja, mais um que pula fora do barco pemedebista no Entorno.

Outro vereador, Marcus Vinicius (PSD), filho da presidente do diretório municipal da legenda no município, sonha em ser o elo da base tucana em Valparaíso, mas no meio do caminho tem uma pedra: Lêda Borges. Só ela tem o poder da varinha de fada madrinha para ungir um candidato. Vinicius, segundo aliados da super secretaria não encabeça a lista dela. Outro problema para Vinicius é a influência do deputado federal de Brasília, Rogério Rosso que pode dinamitar suas pretensões, mesmo tendo o apoio da mãe e presidente da legenda em Valparaíso, Dra. Mácia Teixeira.

Do lado da prefeita Lucimar Nascimento, o vereador Professor Silvano Pereira Neto (PT) é apontado como o favorito para disputar, em nome da coligação de esquerda, a vaga de prefeito. O problema é que Silvano não quer beber este cálice amargo. Prefere disputar a reeleição para o legislativo, onde, segundo ele “é mais tranquilo”.

A provável surpresa fica por conta do empresário Beto Mazzocco, tradicional força do PMDB de Valparaíso que negocia sua ida para o PSD. Trata-se de uma articulação urdida pelo líder do partido na Câmara Federal, Rogério Rosso com o aval do diretório regional de Goiás. Rosso tem grande influência no Entorno, principalmente em Cidade Ocidental, Planaltina e Valparaíso. Seu grupo exerce forte influência na região, mas nestas três cidades ele dedica maior atenção. Beto Mazzocco é uma aposta de Rosso para mudar o perfil gestor da cidade.

Se realmente concretizar o que está escrito nas nuvens, a base de Marconi Perillo em Valparaíso tem chances de conquistar a cadeira de Lucimar. Agora vai depender que estes pré-candidatos consigam aglutinar apoios e votos.

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

AN