ARAGOIÂNIA/Desafios que os pré-candidatos terão para seduzir o eleitor

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Por Wilson Silvestre – O município de Aragoiânia, vizinho da capital, talvez mereça um estudo sociológico mais detalhado para explicar, cientificamente, o por quê do atraso em relação às outras cidades da região. Desde os anos 1980, quando o estado começou o projeto de duplicação das vias para as cidades da região metropolitana de Goiânia, pouco ou quase nada foi investido no município.

Anápolis, Aparecida, Abadia, Bela Vista, Goianira, Hidrolândia, Nerópolis,  Senador Canedo e Trindade, partindo de Goiânia estão duplicados, menos o acesso a Aragoiânia que está “colada” à capital. Por conta disso, a infraestrutura na cidade é precária desestimulando qualquer investimento privado no município. Para a maioria da população, falta iniciativa política e gestão dos prefeitos que assumiram a cadeira nos últimos 15 anos. De fato, nessa década e meia, com raras exceções, o executivo foi dominado por três famílias. A cada disputa eleitoral, um dos clãs revezava apoio a um dos lados e vencia. Nada mudava a não ser os personagens do poder municipal.

Enquanto os vizinhos se desenvolvem atraindo empresas, gerando empregos, rendas e qualidade de vida, Aragoiânia mantém seu ritmo lento e pacato. Dominado por uma classe média rural, preocupada mais com o sossego do que com o futuro dos filhos, netos e a pujança econômica da cidade. Agora, com o país, estados e municípios literalmente falidos, somados aos constantes fracassos em criar políticas públicas para retirar as camadas mais pobres da porta da prefeitura, surgem novos e velhos postulantes à cadeira de prefeito.

São nove pré-candidatos que se apresentam junto ao eleitor aragoianiense. Danilo Rios, Luiz Antônio [Luizão] — ambos em busca de um novo partido —, Jair Porfiro (PP), Fernanda Caetano Rios (PMDB), Andrade Júnior (SD), Dr. Léo (PEN), Vinicius Tavares (PTB) e o atual prefeito Nauginel Antunes que, mesmo desgastado vai disputar a reeleição. Especula-se que Nauginel deve migrar para o PSDB e fazer dobradinha com Jair Porfiro como vice. O cenário ainda é incerto por conta da “janela” partidária. Muitos dos postulantes devem mudar de sigla para acomodar melhor a nominata de vereadores, combustível fundamental para qualquer candidato a prefeito.

Presidente do diretório municipal do PR em Aragoiânia, Séginho Lourenço: “Muitos dos pré-candidatos devem desistir e apoiar um candidato”
Presidente do diretório municipal do PR em Aragoiânia, Séginho Lourenço: “Muitos dos pré-candidatos devem desistir e apoiar um candidato”

Observadores da cena política de Aragoiânia como o presidente do diretório municipal do PR, Sérgio [Serginho] Lourenço de Souza acreditam que a disputa vai ter muitas surpresas. “Muitos dos que estão se apresentando como pré-candidatos a prefeito, sabem que não tem chances e deve negociar com outros candidatos melhor posicionados. Mesmo que tenham votos, sem estrutura partidária, bons nomes para vereadores e gente para o planejamento da campanha, acabam desistindo”, avalia Serginho.

Empresário do ramo de madeiras ambientalmente sustentáveis, Kleberton Oliveira (Klebinho): “Espero que os pré-candidatos tirem Aragoiânia do isolamento econômico e político
Empresário do ramo de madeiras ambientalmente sustentáveis, Kleberton Oliveira (Klebinho): “Espero que os pré-candidatos tirem Aragoiânia do isolamento econômico e político

Na mesma linha de opinião, mas com contundência crítica, afirma o empresário do ramo de madeiras ambientalmente sustentáveis, Kleberton [Klebinho] Alves de Oliveira. “Desde que me entendo como gente, ao contrário das outras cidades, Aragoiânia só vai regredindo. Não vou culpar só a classe política, pois nós cidadãos temos nossa parcela de culpa. Participamos da vida política só na época de eleição. O resultado é isso: Aragoiânia é a cidade do não”. Klebinho chegou a publicar um protesto no jornal local criticando o abandono da cidade. Diz ele: “Aragoiânia não tem prefeito – mora em Goiânia; não tem vereadores pois não trabalham para o povo;  não tem banco porque nenhuma instituição financeira acredita na cidade. Não tem juiz, promotor e nem padre. Espero que os pré-candidatos que estão zanzando por ai, incluam em seus programas de governo, um pouco do muito que falta em nossa cidade”.

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