Temer avalia Meirelles, Armínio e Serra para Fazenda

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Foto:  (Folhapress)
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Por Kennedy Alencar (Brasília) – Para ocupar a Fazenda em um eventual governo Temer, os realmente cotados hoje são Henrique Meirelles e Armínio Fraga, ex-presidentes do Banco Central, e o senador José Serra (PSDB-SP). Além de ser cogitado para a área econômica, Serra poderia ser indicado também para a Educação ou Saúde.

O vice-presidente Michel Temer se dedicará nos próximos dias a articular nomes para o seu provável ministério. Ele precisa se organizar para quando o Senado instaurar o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, como é a tendência.

Temer deseja dar um choque de confiança na economia, nomeando para a Fazenda um nome que melhore as expectativas econômicas. Nesse contexto, Meirelles e Armínio são benquistos pelo mercado financeiro. Já Serra desagradaria a boa parte do mercado. Por isso, o senador tucano também poderia ocupar uma pasta de peso na área social.

Lula e PT devem pesar prós e contras de manter modo de guerra

A reação do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, no calor da derrota na Câmara, sinaliza disposição da presidente Dilma Rousseff de lutar para manter o mandato. A presidente tem o direito de brigar pelo que acha justo. É do jogo democrático.

Mas o fato é que o governo se inviabilizou politicamente ontem, com uma derrota de 367 votos a favor do pedido de abertura de processo de impeachment. Dilma teve apenas 137 votos contra o impeachment. Contadas as abstenções, sete, e as ausências, duas, que podem ser interpretadas como favoráveis ao governo, apenas 146 deputados ficaram ao lado da presidente.

É muito pouco para continuar governando. Ela quer continuar no mandato para fazer qual proposta ao país? A única carta na manga é essa ideia de nova eleição presidencial, aceitando reduzir o seu mandato. Ora, o mandato foi diminuído na prática ontem.

Outro fato: o vice-presidente Michel Temer conquistou uma maioria expressiva na Câmara. O PMDB e seus aliados, após uma vitória dessa magnitude, têm força para barrar uma emenda constitucional que proponha antecipar a eleição presidencial. Essa emenda só teria chance de ser aprovada em razão de forte pressão popular. Hoje, o vento da rua sopra contra Dilma.

Portanto, a presidente e o PT precisam aceitar a realidade. É recomendável pesar os prós e contras de continuar em modo de guerra. O PT e o ex-presidente Lula terão de avaliar se manter Dilma no poder é uma guerra que devem travar até a morte ou se devem aceitar que a atual correlação de forças é desfavorável à presidente e deverá ter reflexos no Senado, que provavelmente irá instaurar o processo de impeachment.

Certamente, não será a última batalha da vida de Lula nem da história do PT. Tem, por exemplo, uma Lava Jato no meio do caminho. Haverá eleições municipais. Há muitas batalhas pela frente.

Nos próximos dias, ocorrerá mais um confronto direto entre Dilma e Temer, nessa zona cinzenta, nesse vácuo político, que é o tempo da ida do processo de impeachment da Câmara para começar a andar para valer no Senado.

Os aliados de Temer creem ter força política para resolver a situação entre 10 e 15 dias, abrindo o processo e afastando a presidente por até 180 dias, período em que será julgado o mérito do impeachment pelos senadores.

A Câmara criou ontem um fato consumado: a queda de Dilma do poder. Isso dificilmente será revertido. O governo Temer é uma realidade que vai se impor, no que pesem as dificuldades que ele enfrentará. Uma parcela importante da sociedade fará ao peemedebista uma oposição mais dura do que a feita quando Itamar Franco assumiu o lugar de Fernando Collor em 1992.

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