Dilma, Lula e o PT não podem terceirizar culpa pela crise

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(Foto: Divulgação/Noticia livre)
(Foto: Divulgação/Noticia livre)

Por Kennedy Alencar (Brasília) – No 1º de Maio, Dia do Trabalhador, a presidente Dilma Rousseff disse que a oposição é a responsável “pela economia estar passando por uma grande crise”. É uma afirmação falsa.

A principal responsável pela crise econômica brasileira é a presidente Dilma Rousseff. Não há dúvida de que o cenário internacional criou dificuldades. Não há dúvida de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e a oposição de um modo geral tenham ajudado a agravar a crise econômica. É verdade a aposta de Cunha e do PSDB numa estratégia de tentar impedir a presidente de governar. Mas essa estratégia só funcionou porque Dilma contribuiu com graves erros.

Cunha e a oposição não destruíram a política fiscal, por exemplo. Isso foi obra da presidente. Também foi um feito da presidente a implosão da sua base de apoio parlamentar.

Enquanto não fizerem uma autocrítica sincera a respeito dos próprios equívocos, a presidente Dilma, o ex-presidente Lula e o PT só vão piorar a imagem perante a sociedade como um todo. Não dá para terceirizar a responsabilidade pela crise econômica ou pelos erros políticos do governo. Não dá para o PT achar que não tem responsabilidade pelo desastre econômico do governo Dilma.

A combinação da crise econômica com erros políticos é o que o levou a presidente à atual situação. Insistir nesse caminho só vai arrastar ainda mais Lula, o PT e uma parte da esquerda para o fundo do poço onde Dilma se encontra. Parece que a presidente sempre pega uma pá para cavar mais fundo e piorar as coisas.

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Governo errático

Reajustar o Bolsa Família e corrigir a tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas são medidas corretas do ponto de vista político. O Bolsa Família, que terá reajuste médio de 9%, é um programa que ampara 50 milhões de brasileiros, um quarto da população. Corrigida em 5%, a tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas está, de fato, com o valor defasado.

O que espanta é a presidente Dilma Rousseff não ter anunciado tais medidas antes. Não o fez porque a sua equipe econômica dizia que não havia espaço fiscal para aumentar gasto e abrir mão de receita. A presidente faz agora por oportunismo. Tenta ficar bem na foto perante uma parcela da sociedade.

Esse pacote de bondades é mais um retrato da forma errática como Dilma governou. Na reta final da guerra do impeachment, ela redescobriu a importância dos movimentos sociais, LGBT e das mulheres. Nos cinco anos em que governou, deu pouca atenção a esse público.

Na questão do Bolsa Família, o vice-presidente Michel Temer havia dito em uma reunião com sindicalistas que daria um reajuste ao programa se assumisse a Presidência. Seria um gesto para recuperar as perdas inflacionárias dos mais pobres. Moreira Franco, ex-ministro e dirigente peemedebista, também falou na possibilidade de reajuste do Bolsa Família em conversas reservadas.

A presidente Dilma não quis deixar uma eventual bondade para Temer. Esse é o motivo principal das medidas anunciadas. Dar algumas boas notícias e deixar a conta para o futuro governo.

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