Deixem os partidos fora desta

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 rodrigo rolembergPor Hélio Doyle – O governador Rodrigo Rollemberg e alguns porta-vozes do governo deveriam se informar melhor para não falar bobagem. No caso, a bobagem é dizer que exigir filiação partidária dos candidatos a administrador regional é importante para impedir que haja excesso de postulantes ao cargo. Os partidos, segundo eles, seriam o filtro para as candidaturas. Essa é uma posição atrasada, restritiva e incoerente com os dias de hoje, em que os partidos não têm representatividade e legitimidade, sendo rejeitados pela sociedade. Exigir que um cidadão com inserção na comunidade se submeta ao crivo de um partido político e de seus caciques, muitas vezes corruptos, para ser administrador é uma restrição inaceitável. Além de partidarizar o que não tem de ser partidarizado – pelo contrário.

É só consultar o Reguffe

A preocupação de Rollemberg e de seus desinformados assessores é fácil de ser resolvida. Eles poderiam, inclusive, consultar o senador José Antônio Reguffe, que apresentou uma proposta de emenda constitucional para que ninguém seja obrigado a ter filiação partidária nas eleições para o Executivo. A fórmula, proposta por Reguffe e em vigor em vários países, é simples: a candidatura é registrada se o postulante demonstrar ter o apoio de determinado número de eleitores, o que pode ser comprovado por uma lista com assinaturas.

No caso de haver mesmo eleição para administrador regional, esse apoio poderia ser manifestado também, por que não, por entidades representativas da comunidade. Ao se exigir que todos os candidatos apresentem os apoios mínimos de que dispõem, o número deles também estará sendo restringido. Mas não por um limite artificial como o partido, mas pela representatividade da postulação. Jeito, tem. Mas tem de sair da mesmice e buscar ideias novas e modernas.

Debate necessário

O governo deveria aproveitar a discussão sobre as eleições para administrador regional e colocar em pauta, para a sociedade, algumas questões que precedem a escolha do gestor. Eis algumas: qual é exatamente o papel de uma administração regional? Como ela deve se estruturar? Quais os limites orçamentários e financeiros das administrações? Como deve ser a relação do administrador com as secretarias, autarquias e empresas públicas?  A sociedade também deveria ser ouvida sobre a definição das áreas territoriais das administrações. São mesmo necessárias 31 administrações regionais? É razoável que Ceilândia e Candangolândia tenham uma administração cada? A renda deve ser critério para separar uma região administrativa de outra limítrofe, como Lago Norte e Varjão?

Tudo isso deveria ser discutido com a população, especialmente por intermédio de suas entidades. Se essas questões forem discutidas apenas com os deputados distritais, já sabemos o resultado: mais administrações, mais cargos comissionados e mais contratos.

Tempo de mudar

Brasília tem de sair do mesmo do mesmo. Romper com velhas estruturas e criar novos mecanismos de participação e gestão. Rollemberg dizia que não queria ser governador para fazer o mais do mesmo. Que iria mudar de verdade. Está passando da hora de mostrar isso e o debate sobre as administrações pode ser um bom caminho.

Meu pirão primeiro

Há 290 mil desempregados no Distrito Federal. Em um mês, foram 8 mil a mais. A elevadíssima taxa de desemprego em Brasília subiu de 18,1% em março para 18,6% em abril. Em abril foram extintos 62,8 mil empregos no país. Neste ano, 378,4 mil postos de trabalho deixaram de existir no Brasil. Mas mesmo assim servidores públicos, grande parte com elevados salários e estabilidade no emprego garantida, insistem em reivindicar aumentos salariais e de benefícios que chegam a ser indecentes em um país como o Brasil. São um exemplo de alienação. Isolados em seus mundinhos corporativos, parece que não sabem o que acontece com os trabalhadores em empresas privadas e com os segmentos mais pobres. Aliás, parecem não saber o que acontece no mundo.

Assim não dá

Um empresário interessado em se candidatar a operar estacionamentos pagos em Brasília sondou o ambiente e praticamente desistiu. Primeiro, porque não sentiu empenho do governo de Brasília em viabilizar os estacionamentos pagos, que existem em praticamente todas as cidades do mundo. Teve dificuldade até em descobrir quem, no governo, estuda o assunto. Segundo, porque foi informado que a fiscalização de trânsito é deficiente e não tem condições de impedir os motoristas de, para fugir do pagamento, estacionarem em filas duplas, canteiros e locais proibidos. Aliás, ele próprio ficou impressionado com as transgressões rotineiras que são praticadas no trânsito de Brasília e com a ausência de policiamento e fiscalização.

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