Tia Eron terá ‘liberdade’ para votar em processo de Cunha, diz Russomanno

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Voto de deputada é considerado decisivo para cassação ou não de Cunha.
Deputado do PRB se diz pessoalmente favorável à perda do mandato.

O deputado Celso Russomanno (PRB-SP) durante entrevista na Câmara (Foto: Nathalia Passarinho / G1)
O deputado Celso Russomanno (PRB-SP) durante entrevista na Câmara (Foto: Nathalia Passarinho / G1)

Por Nathalia Passarinho/Do G1, em Brasília – O deputado Celso Russomanno (PRB-SP) afirmou nesta quarta-feira (8) que o PRB dará “liberdade” para que a deputada Tia Eron (PRB-BA) vote como quiser no processo de cassação do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Russomanno é membro da Comissão Executiva Nacional do PRB, foi o deputado mais votado do país na eleição de 2014 (1,52 milhão de votos) e é o provável candidato do partido na eleição deste ano para prefeito de São Paulo.

O voto de Tia Eron é considerado decisivo para o processo que tramita no Conselho de Ética, já que o placar está apertado entre os que defendem que o peemedebista perca o mandato e os que são contrários a essa punição.

Nesta quarta (8), a deputada se ausentou durante toda a sessão destinada a discutir o parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), que recomenda a cassação de Cunha. Adversários do presidente afastado atribuíram a ausência dela a um acerto entre o partido dela, o PRB, e o Planalto para livrar Cunha da cassação. Por determinação do presidente José Carlos Araújo (PR-BA), a sessão do Conselho de Ética desta quarta foi cancelada eremarcada para a próxima terça.

Russomanno negou que exista um acordo com o governo para proteger o peemedebista.

“Desconheço essa pressão porque o ministroMarcos Pereira [da Indústria e Comércio, presidente licenciado do PRB], foi muito claro para mim, por telefone, dizendo que ela teria liberdade para votar como achasse que deveria votar. O partido não deu orientação para ela. Não existe orientação”, afirmou.

O deputado disse que é pessoalmente favorável à cassação. “Eu tenho posição muito clara.  Li o primeiro relatório e o segundo relatório, e as provas são contundentes. Não tem como não cassar o Eduardo Cunha”, afirmou.

O voto de Tia Eron, que ainda não o declarou publicamente, é considerado decisivo para o placar no colegiado, porque, pelos cálculos de adversários de Cunha, se ela votar contra o relator, que pede a cassação, o placar deverá ficar em 11 votos a 9 a favor do presidente afastado.

Essa hipótese leva à derrubada do parecer. Se ela votar com o relator, o placar ficará empatado em 10 a 10, e o voto de minerva caberá ao presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), que já disse ser a favor da cassação.

Se a votação do parecer pela cassação de Cunha tivesse sido realizada nesta terça, Tia Eron, que não compareceu, teria sido substituída pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos principais aliados de Cunha. Marun é suplente da comissão e, como foi o primeiro a registrar presença, teria direito a substituir a deputada no colegiado.

Russomano disse que conversará nesta quarta com Tia Eron, para saber como será o voto da parlamentar. Ele também cobrou que a deputada compareça à votação do relatório, prevista para ocorrer na próxima terça (14).

“Não conversei com ela ainda, mas vou conversar para ver se há alguma mudança da posição do voto dela. Todo julgador deve expor seu voto. É o que deveria ser feito por todos os membros da comissão, declinar o voto no momento da votação. Como todo mundo fez [já manifestou opinião sobre Cunha] e ela não fez ainda, terá que fazer antecipadamente ou na hora da votação”, disse.

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