CRISTALINA] Que vice sou eu? ou: Maks e Vanderlei erram menos ao não fechar portas agora

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Pré-candidatos a prefeito de Cristalina, Maks Louzada (PSD) e Vanderlei da Plantebem (PMDB): estratégia em negociar até o último momento a vaga de vice é a mais acertada
Pré-candidatos a prefeito de Cristalina, Maks Louzada (PSD) e Vanderlei da Plantebem (PMDB): estratégia em negociar até o último momento a vaga de vice é a mais acertada

Por Wilson Silvestre – O bom senso politico recomenda que a escolha de um vice, quer para presidente, governador ou prefeito deve ser criteriosa e agregar, não só votos, mas equilíbrio dentro da coligação. Unanimidade é impossível ser alcançada, no entanto, ao escolher o vice o candidato majoritário deve pensar mais no futuro do que no presente. A história esta ai para nos mostrar exemplos de vice que foram mais problemas do que solução. Quem cede às pressões de partidos e possíveis aliados sem esgotar todas as possibilidades, acaba perdendo aliados ao invés de mantê-los ou ampliá-los.

A política é um jogo para quem sabe manter-se seguro, pensando nas pequenas vantagens e não só nos grandes lances. Se você joga 50% de sua vitória numa só aposta, perdendo, entra na próxima rodada em desvantagem. Este é o jogo da política.

Ha pouco mais de 60 dias da eleição – a mais curta campanha da história –, a escolha do vice-prefeito numa coligação deve ser decidida no apagar das luzes, ou seja, no último minuto do prazo legal estabelecido pela justiça.

Nenhum pré-candidato a prefeito escapa da pressão para se escolher o vice de imediato, principalmente quem está próximo a ele. Pode parecer vantajoso num primeiro momento, mas também pode afugentar possíveis aliados. Essa história de que “ah, vamos indicar o vice logo para sair às ruas com um projeto definido”, pode até funcionar num primeiro momento, no entanto, dependendo do adversário, mesmo ele estando em desvantagem em relação às pesquisas, pode virar o jogo na reta final.

A justificativa de que “estou aberto a negociações” como tem dito alguns pré-candidatos que já escolheram vices ou atropelaram a lógica, deve pensar no seguinte: como retirar alguém que foi anunciado como o parceiro numa disputa eleitoral sem deixar mágoas? Não existe “esse é bom, esse não” numa coligação. Todos têm sua importância no conjunto. Isolados, não passa de “mais um”. Ao menosprezar a escolha, perde-se a liderança e a capacidade para aglutinar votos.

OS PRECIPITADOS – Fred Bastos (DEM), Daniel do sindicato (PSB) e João Fachinello (PSDB), erram ao anunciar vices antes de qualquer negociação concluída. A bola ainda está rolando no primeiro tempo e eles retiram a possibilidade de entrar no segundo tempo com jogadores de ataque. Sem banco de reservas e sem jogador, dificilmente conseguem mudar o placar.

Daniel anunciou que o vereador e aliado de primeira hora, Luiz Henrique (PDT) será seu vice. Sem dúvida um nome de expressão política, honrado, honesto, inteligente e com boa capacidade de verbalizar e assimilar a gestão pública como ninguém, mas não pode ser tratado como ‘reserva’ numa possível negociação futura. Luiz Henrique é um homem que sabe superar limites e, caso ocorra ter que se afastar para turbinar a coligação de Daniel, vai provocar uma cisão entre seus eleitores, sem contar a família que não veria isso com passividade. “Outros pretendentes como o vereador [Gilsão] Ferreira da Silva (Pros), sonha com a vaga também, portanto não vai simplesmente sorrir e fingir que está tudo bem.

Outro que acerta na escolha, mas erra na fórmula é o pré-candidato Fred Bastos (DEM). Ele postou na sua página pessoal do Facebook “que respeita a pré-candidatura do amigo Vanderlei da Plantebem (PMDB), ciente de que o diálogo será o melhor caminho na construção de um novo modo de governar”. Em seguida, anunciou: “Dr. Guimarães é filiado ao PMDB e colocou seu nome à disposição para disputar o mandato de vice-prefeito ao nosso lado”. Nada anormal se não fosse um pequeno detalhe: quem dá as cartas no PMDB de Cristalina é Vanderlei. Se ele é pré-candidato pelo partido, deve ter caroço nesse angu. Como explicar ao distinto cidadão eleitor essa confusão? Se for uma estratégia para esticar a corda para ver de que lado arrebenta, não é nada inteligente.

Vanderlei diz em todo momento que é pré-candidatíssimo a prefeito, mas mantem as portas do PMDB abertas para negociar um nome para vice. Por seu lado, Fred também disse que não abre mão em ser cabeça de chapa e gasta sola de tênis explicando suas ideias. Enquanto isso, sob o ponto de vista político, Vanderlei torna-se mais empoderado já que a ala irista saiu enfraquecida com desistência de Iris Rezende em disputar a Prefeitura de Goiânia. Vanderlei pertence ao bloco de Maguito Vilela e o filho, Daniel Vilela.

João Fachinello (PSDB) saiu da coligação vitoriosa em dois mandatos do prefeito Luiz Attié (PSDB), mascando abelha e até o queixo de mágoas contra o ex-aliado. Dos pré-candidatos é o que mais deu tiro no pé, contrariando regras antigas do manual político: “O adversário de hoje pode ser seu aliado amanhã”. Ou seja, não bata a porta com força ao sair para que ela fique aberta a futuras negociações. Em política, feio é perder tudo. João é experiente, honrado e sabe que não tem chance numa candidatura solo, puro sangue. Errou feio ao anunciar o vice antes de negociar com outros partidos, principalmente sendo o indicado do PSDB. Quem vai se interessar por uma coligação que já está tudo acertado?

O quadro político pode alterar, mas a estratégia mais correta para se escolher o vice, permanece com Maks e Vanderlei. “O Maks tem sido cobrado diariamente sobre quem será seu vice, mas entendemos que não é a hora certa. Tem nomes importantes, respeitados no município, no entanto, devemos avaliar melhor os passos de nossos adversários para definir o nome que mais soma”, garante um dos aliados de Maks.

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