Ao vencedor, as batatas! Ou: “Fácil é ser pedra, difícil é ser vidraça”

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Hildo do Candango (Águas Lindas) e Claudiênio Francisco (Padre Bernnardo), ambos do PSDB, são os únicos prefeitos dos 11 municípios próximos a Brasília que não terão oposição consistente
Hildo do Candango (Águas Lindas) e Claudiênio Francisco (Padre Bernnardo), ambos do PSDB, são os únicos prefeitos dos 11 municípios próximos a Brasília que não terão oposição consistente

Por Wilson Silvestre – É pensamento recorrente no meio político, de que é melhor “ser oposição pois não precisa provar nada”. Quem é criticado que se vire para encontrar uma boa resposta, tanto faz ser vereador, prefeito, deputado estadual, federal, senador, governador ou presidente da República. A oposição existe é para criticar, mesmo não sendo verdadeiras, recomenda-se respondê-las sob pena de perder apoio da opinião pública.

Passada as escaramuças da disputa eleitoral nas cidades onde não tem segundo turno, quem até ha bem pouco era oposição passa à condição de vidraça, invertendo os papéis. Muitos prefeitos eleitos conseguiram sensibilizar o cidadão, descendo a borduna no adversário que está no poder ou que disputava a mesma vaga. Eleito, muda de posição e, a partir de janeiro de 2017, pula para o outro lado do balcão. Mesmo quem foi reeleito terá uma vida administrativa de penúria total. Não haverá socorro do governo federal via convênios como foi em 2013 e 2014, quando as principais obras de infraestrutura como saneamento básico e moradia eram generosas.

A queda da atividade econômica no país que já contabiliza 12 milhões de desempregados e o crescimento do PIB negativo (3,8%), deve provocar  uma catástrofe nas contas dos municípios, principalmente os acima de 50 mil habitantes. A crise econômica iniciada em 2015 vem provocando uma reação em cadeia na arrecadação de tributos nos municípios. Esta onda chegou aos estados em 2016, Goiás incluso e deve seguir nos próximos seis meses de 2017, prevê analistas mais conservadores.

Para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e analistas do governo do presidente Michel Temer, a economia deve crescer 1,6% em 2017, mas os municípios não terão vida fácil. Cortes em pessoal e investimentos em obras de infraestrutura devem ser reavaliados.

E ai que entra o papel da oposição: questionar cortes nos investimentos, principalmente nos estratos sociais mais vulneráveis. Com papéis invertidos, o mandatário da vez e seu grupo não terão refresco, quer por vereadores de oposição, quer pelos cidadãos simpatizantes da gestão que deixou a prefeitura. Esta livre manifestação do pensamento crítico, assegurado pela Constituição de 88, parágrafo 5º, inciso IV diz que “é livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato”, portanto, um prato feito para a oposição azucrinar o adversário que está no poder. Apontar erros, pedir reformas e defender as demandas da população serão, a partir de janeiro, pautas de quem estava do outro lado da vidraça. Como diz o dito popular: “Fácil ser pedra, difícil é ser vidraça”.

TROCA DE COMANDO – Dois prefeitos que não terão problemas na troca de comando nos seus municípios é o de Águas Lindas, Hildo do Candango (PSDB). Reeleito e com maioria na Câmara de Vereadores, não terá grandes problemas para continuar seu projeto de governo. O outro é o de Padre Bernardo, [Claudiênio] Francisco de Moura Teixeira, também do PSDB reeleito.

As demais cidades da região metropolitana de Brasília como Novo Gama (Sônia Chaves – PSDB), Valparaíso (Pábio Mossoró – PSDB), Santo Antônio do Descoberto (Adolpho Roberto Souza Von Lohrmann – PMDB), Formosa (Ernesto Roller – PMDB), Planaltina (Davi Lima – PROS), Alexânia (Allysson Silva Lima – PPS), Cidade Ocidental (Fábio Corrêa – PRTB), Cristalina (Daniel do Sindicato – PSB) e Luziânia que segue indefinido por conta de recurso do prefeito Cristóvão Tormin (PSD), junto à justiça eleitoral, passam a serem vidraças.

Muito dos eleitos pisam pela primeira vez numa prefeitura na condição de gestor público. Eles desconhecem o quanto é complexo a burocracia, Ministério Público azucrinando a vida do prefeito, demandas da população e aliados cobrando a fatura pela “ajudazinha” na conquista do poder. Sem contar que as receitas nunca batem com as despesas com uma agravante: custas com saúde, folha dos servidores e educação, nunca param de crescer. Nenhuma cidade escapa deste calvário, por isso é que o gestor que antes era o algoz passa a esconder-se do povo ou por a culpa no antecessor. Um ano depois, talvez bem antes, sua popularidade vai abaixo. Cada vez mais, a população procura gestores com experiência, competência e capacidade em mediar crises.

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