Eliana Calmon mostra coragem e independência ao criticar Justiça brasileira

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02.03.2012 SAO PAULO .DIRETO DA FONTE MINISTRA ELIANA CALMON, DO CNJ, DURANTE PALESTRA NO TRF EM SAO PAULO. FOTO:PAULO GIANDALIA.AE
Ministra Eliana Calmon, do CNJ, durante palestra no TRF em São Paulo.(Foto:Paulo Giandalia.AE)

Revista IstoÉ traz uma excelente entrevista com a ministra aposentada, Eliana Calmon (http://istoe.com.br/eliana-calmon-os-partidos-sao-casas-de-negocios/). Vale a pena ler e refletir sobre os privilégios que o poder Judiciário detém. O blog destaca quatro respostas que Eliana Calmon deu sobre o aumento de salários para o judiciário.

O que a senhora acha do aumento salarial para o Judiciário?

Sou absolutamente contra. É inoportuno. O magistrado está ganhando muito bem. Vamos fazer o seguinte? Uma tabela comparativa mostrando quanto ganha um médico do Exército, por exemplo, com dedicação exclusiva. Ou um dentista, um advogado… Mas, não, eles só querem se comparar com o que ganha um milionário, aí não é possível.

Por que esse aumento obteve sucesso no Congresso Nacional?

Houve um lobby muito grande. Mas também porque ninguém quer brigar com o Poder Judiciário.

Por quê?

Por quê? Não precisa nem eu dizer. Um juiz que trabalhava comigo dizia “ministra, está todo mundo com o rabo na cerca”. É uma expressão de matuto. O animal preso pelo rabo fica desesperado, faz qualquer coisa para sair. Então, está todo mundo com o rabo na cerca com essa operação Lava Jato. Então, é melhor não brigar com ninguém que tenha saia. Não se briga com mulher, com amante, nem com juiz, nem com padre. Usou saia, meu amigo, faça as pazes.

O ministro Ricardo Lewandowski lutou muito por esse aumento…

Pois é. Ele prometeu isso. Brigou muito para se contrapor a Joaquim Barbosa (ex-ministro do STF), que era absolutamente contra, então ele se colocou a favor. Quando os juízes foram pedir aumento a Joaquim, e eu estava presente, ele passou uma descompostura. E o Lewandowski se colocou inteiramente contrário àquela posição e aí teve de manter isso até o fim.

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