PSD tende a ser o fiel da balança entre PSDB e PMDB em 2018

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Gilberto Kassab eleva o PSD à condição de terceira força política e aposta em Henrique Meirelles como protagonista da recuperação econômica do país
Gilberto Kassab eleva o PSD à condição de terceira força política e aposta em Henrique Meirelles como protagonista da recuperação econômica do país

Por Wilson Silvestre – Em abril de 2015 quando o deputado federal, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) disse, em entrevista ao site da revista Veja (http://veja.abril.com.br/politica/o-brasil-precisa-de-um-partido-de-centro-direita/ ), porque vetava a fusão do PTB com o DEM, muita gente estranhou, afinal o DEM caminha para ser um partido nanico. Lorenzoni assim como o senador goiano Ronaldo Caiado, sabem que o DEM não terá outra saída a não ser se unir a outras siglas menores. Na entrevista, o deputado gaúcho pediu que seu partido defendesse bandeiras mais claras de centro-direita. Ele estava certo. O DEM se firma como partido de centro-direita e deve fundir com outras siglas numa reforma política.

O caminho natural para uma fusão seria o PSD, mas questões regionais, principalmente em Goiás, torna esta fusão difícil. O fator Ronaldo Caiado, mandarim absoluto da sigla, deve marchar com o PMDB e, caso haja uma fusão por conta da reforma política, aglutinar outras siglas, mantendo o perfil de centro-direita.

Com a derrocada do PT como força política e a desconfiança do eleitor com os partidos de esquerda, as urnas mostraram que a população, a partir de agora, vai caminhar com ideias de centro-direita. É ai que entra uma possível aliança do PMDB com PSDB, mesmo tendo muitas arestas regionais como em Goiás, por exemplo, no cenário nacional é possível. Há anos o PMDB tenta desbancar a hegemonia do governador tucano, Marconi Perillo que está no seu quarto mandato no estado, mas que mantém uma cordial convivência com o grupo do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Este é um sonho que muitos aliados do presidente Michel Temer acalenta.

JUNTOS, SERIAM IMBATÍVEIS – Turbinados pelos bons ventos de votos na eleição municipal, os peemedebistas pularam de 1.021 prefeituras conquistadas em 2012 para 1.038 em 2016, mas em quantidades de eleitores, caiu. Eram 9,5 milhões e agora tem 8,1 milhões, enquanto o PSDB vai administrar 13 milhões em 807 municípios. Conclusão: PSDB e PMDB juntos têm um capital político com mais 21 milhões de eleitores. Enquanto o outrora poderoso PT ficou reduzido a 1,6 milhão de eleitores. Para quem detinha o controle sobre 638 prefeituras a partir de 2012, algo em torno de 11,2 milhões de votos, agora foi reduzido a 254 municípios com 1,6 milhão de votos. Considerando que perderam cidades importantes como São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarulhos e São José dos Campos, ambas no estado onde nasceu o PT é um recado e tanto do eleitor. Outra derrota simbólica foi Recife, estado em que nasceu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A capital de Goiás, Goiânia ganhou o PMDB com Iris Rezende e em Anápolis, segunda cidade mais importante de Goiás, também o PT perdeu para o PTB.

A terceira força que emergiu das urnas foi o PSD de Gilberto Kassab. Será cortejado tanto pelos tucanos quanto pelos peemedebistas. Em Goiás, onde é comandado pelo secretário de Meio Ambiente e ex-deputado federal Vilmar Rocha, será um protagonista forte na disputa do governo estadual. O próprio Vilmar cobiça uma das vagas ao Senado e, dependendo do andar da carruagem, disputar a vaga de Marconi Perillo.

O super secretário do Governo de Goiás e presidente do partido no estado, Vilmar Rocha sai fortalecido na eleição municipal e pavimenta seu caminho rumo ao Senado
O super secretário do Governo de Goiás e presidente do partido no estado, Vilmar Rocha sai fortalecido na eleição municipal e pavimenta seu caminho rumo ao Senado

O PSD vai comandar 541 municípios e 4.638 vereadores além de contar com quatro senadores e 36 deputados federais no Congresso. Nada mal para um partido fundado em 2011 e que ninguém apostava muito em seu crescimento. Com este capital de votos, os pessedistas se assanham e dizem, sem modéstia que vão ‘brigar’ pela presidência da Câmara. Se conseguirem conquistar a vaga de Rodrigo Maia, torna-se um protagonista de peso em 2018. Eles sinalizam que, se Henrique Meirelles domar a crise econômica, o PSD tem candidato a presidente. Imaginam repetir o caminho de Fernando Henrique Cardoso quando foi o Czar da economia e maestro do Plano Real.

Diante desta mudança mais a direita, o discurso de resgate do crescimento a la Margaret Thatcher, a ‘Dama de Ferro’ responsável pela retomada do desenvolvimento econômico da Inglaterra nos anos 1990, toma força. Este é o desenho imaginado pelos próceres do PSD que anteveem uma ruptura do PSDB com o governo de Michel Temer. Se acontecer, o PSD ganha musculatura para negociar a vice-presidência da República com um provável candidato peemedebista.

Legendas como o PP que esteve no epicentro dos escândalos de corrupção, não foi afetada: saltou de 476 para 494 prefeitos eleitos. O PR, outro que tem personagens investigados pela Procuradoria Geral da República (PGR), conquistou 295 prefeituras e o DEM, 265 um pouco acima do PTB que diminuiu. Vai administrar 256 municípios.

PARTIDOS DE ESQUERDA EM BAIXA – As legendas ditas de centro- esquerda, como PSB, PPS, PDT entre outras menos cotadas, tendem a serem coadjuvantes de PMDB, PSDB ou PSD em 2018. Num cenário otimista, marcar presença junto aos eleitores com discursos mais críticos ao governo. Olhando o PSB hoje, percebe-se que o partido fragmentou-se, dividido entre o grupo de Recife e de São Paulo. Pelo menos é o que demonstra nas votações no Congresso. Até agora, não se sabe em que lado o PSB está, com isso vai se distanciando de um projeto mais consistente para 2018. Soma-se a isso, a situação do governo de Rodrigo Rollemberg em Brasília. Dificilmente deve sair do centro de pancadaria que vem sofrendo por conta da situação crítica, tanto administrativa, econômica e política em que se encontra. Para piorar, das 11 prefeituras conquistas nas grandes cidades em 2012, só restou seis. Ao todo, vai administrar 415 cidades num total de 4,7 milhões de eleitores. Antes, tinha 6,1 milhões. O PDT com todas as suas contradições conseguiu ampliar o número de prefeituras. Saiu de 307 em 2012 para 335 em 2016. O Psol, Rede e PCdoB também sofreram revés em todo o país por conta da onda anti PT. A Rede que há bem pouco era tida como uma esperança das siglas de esquerda tornou-se um fiasco.

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