Cenário de 2017 pode frustrar projetos políticos da nova safra de prefeitos

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Prefeitos com agendas cheias de austeridades e grandes desafios a partir de janeiro de 2017: Hildo do Candango (Águas Lindas), Cristóvão Tormin (Luziânia), Daniel Sabino (Cristalina), Pábio Mossoró (Valparaíso) e Sônia Chaves (Novo Gama).
Prefeitos com agendas cheias de austeridades e grandes desafios a partir de janeiro de 2017: Hildo do Candango (Águas Lindas), Cristóvão Tormin (Luziânia), Daniel Sabino (Cristalina), Pábio Mossoró (Valparaíso) e Sônia Chaves (Novo Gama).

Por Wilson Silvestre – Os principais desafios que esperam a nova safra de prefeitos que assumem o leme do barco municipal em janeiro 2017, passam pela escassez de recursos, demandas sociais e o emaranhado burocrático em que se tornou o estado brasileiro. Mas existe uma dúvida em particular que atormenta lideranças vitoriosas nos municípios: como ampliar o projeto de poder e influenciar na grande eleição de 2018, se terão que promover cortes drásticos na gestão?

As notícias que eles tem recebidos por meio das lideranças do Congresso, governos federal e estadual, são a de que não haverá socorro por meio de convênios como no passado recente. A partir de agora, só em áreas essenciais como educação, saúde e o mínimo em infraestrutura terão prioridades. Então, os cortes em custeio da máquina com pessoal e investimentos serão drásticos, doloridos e com efeitos colaterais nos aliados. O resultado óbvio disso será o aumento dos descontentes que ficarão fora das benesses do poder.

Na Região Metropolitana de Brasília (Rembra), composta pelos municípios de Cristalina, Luziânia, Formosa, Águas Lindas, Valparaíso, Cidade Ocidental, Novo Gama, Santo Antônio do Descoberto, Padre Bernardo e Planaltina, este espinhoso desafio embora discreto, tem sido abordado pelos aliados dos prefeitos.

O blog apurou nos bastidores que em Luziânia, por exemplo, o prefeito Cristóvão Tormin (PSD), terá uma oposição mais contundente dos adversários e, por conta dos ajustes na gestão, terá aliados de beiço cumprido por não ser atendido como gostaria. Com isso, Cristóvão vai ter que se virar nos 30 para eleger deputado estadual e apoiar um federal do município. Segundo especulações, nem com a intervenção do Papa Francisco ele apoia o deputado Célio Silveira ou Marcelo Melo, ambos do PSDB. Na bolsa de apostas, o candidato de Cristóvão para a Assembleia Legislativa de Goiás, deve ser o advogado e fiel escudeiro Hyulley Machado. Pela lógica, será a resposta de Cristóvão à pretensão do ex-aliado, deputado estadual Diogo Sorgatto (PSDB) disputar a reeleição.

Em Cristalina, fala-se muito que o prefeito eleito Daniel Sabino (PSB) teria feito um compromisso para apoiar o seu vice-prefeito, Luiz Henrique (PDT) a disputar uma vaga de deputado estadual. Algumas pedras terão que ser serem removidas deste caminho: convencer os demais aliados de sua base que pretendem disputar o mesmo espaço e apoio. Combinar com a população que o remédio amargo para sobreviver à falta de recursos é inevitável e comunicar aos seus eleitores que as promessas de campanha vão demorar um pouco para serem resgatadas. Isso em pleno 2017, ano em que precede a eleição no país, portanto crucial aos interessados em 2018.

O queridinho da classe média expulsa de Brasília, Valparaíso, o prefeito eleito, Pábio Mossoró (PSDB), terá que provar ser bom gestor, ter luz própria e desmistificar a imagem de ‘poste’ eleito pela deputada estadual e super secretária do Governo de Goiás, Lêda Borges (PSDB). Ele, assim como todos aliados vão enfrentar um duro desafio: provar aos eleitores de Valparaíso que o aperto no cinto terá resultados positivos no futuro. Se não convencer, o sonho de Lêda em virar deputada federal ou na melhor das hipóteses, reeleger-se novamente deputada estadual, vira pó.

A prefeita eleita de Novo Gama, Sônia Chaves (PSDB) também terá que cortar na própria carne, ou seja, sacrificar o apetite dos aliados por cargos e mergulhar de corpo e alma na contenção de gastos. Guiada pela sua experiência em ter sido prefeita e deputada, ela vai iniciar seu governo pensando mais no futuro do que na eleição de 2018. Deve apoiar um candidato a deputado estadual de sua estrita confiança e com chances de vitória. Quanto a deputado federal, habilmente vai seguir o instinto de seus eleitores.

Na ponta mais ao Norte, o prefeito reeleito de Águas Lindas, Hildo do Candango (PSDB), surge no cenário político local como a mais promissora das lideranças. Fez uma gestão de resultados no seu primeiro mandato que termina este ano, realizando grandes obras, principalmente saneamento básico, uma das mais cruciais demandas da cidade. Conseguiu um feito histórico se reelegendo e influenciando outas legendas nos municípios vizinhos, como Santo Antônio do Descoberto, Planaltina, Cocalzinho e Corumbá.

Para manter-se no topo como gestor eficiente e líder, ampliando  seu raio de ação política, terá a partir de janeiro, promover cortes profundos na administração. Como bem sintetizou o prefeito eleito de São Paulo, João Dória: “Para enfrentar a crise que não vai ser estancada em 2017, vamos reduzir o número de comissionados e valor de contratos”. Hildo, assim como os 5.570 prefeitos brasileiros, vão ter que adaptar à nova realidade do país e enfrentar a incompreensão dos aliados.

Por ser uma liderança em ascensão e uma das apostas do PSDB no futuro, Hildo vai sofrer uma grande pressão dos aliados para lançar candidatos a deputado estadual. Dentre os mais lembrados, encontra-se sua mulher, a carismática secretária de Ação Social, Aleandra Sousa. As dúvidas do prefeito são: dá o aval para que sua mulher entre na disputa, mesmo com medidas impopulares na gestão, adia o projeto dela ou vai para o desafio. Hildo sabe que o segundo mandato é mais desafiador e pontuado por desgastes políticos por conta de austeridade, mas deve pensar como estadista e não meramente como um político de ocasião. As gerações futuras necessitam de exemplos e atitudes.

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