PONTO DE VISTA] Nenhum político tem garantias de que embarca sentado na janela do poder em 2018

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A corrupção generalizada sem punição, além de corroer as finanças pública, contamina os pilares da democracia colocando em risco a estabilidade do país. Quando os cidadãos deixam de acreditar na elite política e na justiça, o caos se alastra como fogo morro acima
A corrupção generalizada sem punição, além de corroer as finanças pública, contamina os pilares da democracia colocando em risco a estabilidade do país. Quando os cidadãos deixam de acreditar na elite política e na justiça, o caos se alastra como fogo morro acima

Por Wilson Silvestre – A situação econômica e política do país está tão confusa e incerta que nenhum personagem que pretenda disputar cargo eletivo, seja ele estrela de primeira grandeza ou um simples risco no céu, tem garantias de que embarca na viagem de 2018 com direito a sentar-se na poltrona da janela. Por mais esforços que façam não conseguem atrair a atenção do mau humorado eleitor e, para piorar, o Congresso, Judiciário e Ministério Público, se engalfinham numa guerra para saber quem manda em quem. Ninguém pensa nos pilares da democracia, mas tão somente em seus interesses corporativos, no ego inflado e em abocanhar mais poderes. O relés mortal que se exploda, como diria o personagem do humorista Chico Anysio.

A crise entre os poderes constituídos, além de afugentar investidores externos – imprescindíveis ao nosso desenvolvimento econômico –, provoca uma grande insegurança na iniciativa privada nacional, inibindo empreendedores a abrirem novos negócios. Com isso, os mais de 12 milhões de desempregados formais, somados aos que estão há anos fora do mercado, engrossam os protestos contra governantes, tanto municipal, estadual e federal.

Estes protestos já não se limitam mais a dar apoio ao cruzado juiz Sérgio Moro e seus templários do Ministério Público. Os recados escritos nos cartazes, miram o Congresso, a Presidência da República, governos estaduais e instituições. Exemplos não faltam para ilustrar a falência do país. Começando pelo Rio de Janeiro que há poucos meses sediou uma olimpíada e hoje, amedrontado, falido, paralisado e sem perspectiva salvadora à vista, sofre com os protestos quase cotidianos dos funcionários públicos ativos e aposentados. No Rio Grande do Sul, as mesmas cenas com os novos mandatários do poder anunciando cortes nos gastos, fatiando salários e desempregando mais gente. A Capital do País, Brasília que num passado recente era a ilha da fantasia, paraíso dos burocratas milionários sustentados pelo poder público, ou seja, o burro do contribuinte, agora, sofre com a falta de investimentos já que o governo local não tem receita nem para pagar os funcionários.

Estão destruindo nosso presente e cavando um buraco negro no futuro. O resultado desta apatia do cidadão comum, vai refletir na eleição de 2018 quando o eleitor for convocado novamente para escolher o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Se prevalecer o status quo em que a nação mergulhou, os resultados serão imprevisíveis. As urnas podem parir monstros, ou seja, pessoas despreparadas para promover a retomada do crescimento do país. Uma coisa é certa: a atual safra de políticos deve ser mandada de volta aos seu rincões. As chances dos atuais mandatários se reelegerem novamente, tanto governadores, senadores, deputados federais e estaduais estão sendo drasticamente reduzidas.

Para se ter uma ideia do grau de descrença da população com os partidos políticos, principalmente o PMDB que tem o presidente Michel Temer como sua figura maior, reproduzo um parágrafo do excelente artigo escrito pelo jornalista Mário Sabino do O Antagonista (http://www.oantagonista.com), publicado na sexta-feira (16), sintetiza o que a maioria dos brasileiros minimamente atentos pensa de nossa elite política. Diz Sabino: “O PMDB, eu já disse, é endógeno ao país. O espetáculo repugnante que ele nos proporciona é mais brasileiro do que os dos partidos que o alimentaram. O PMDB existe desde antes da sua fundação. Os seus efeitos deletérios foram descritos pelo escritor Lúcio Cardoso, em 1949: “Não sei que caos é este a que se referem nossos articulistas políticos, e que, segundo eles, já se aproxima. Engano: há muito estamos nele. O Brasil é um prodigioso produto do caos, uma rosa parda de insolvência e de confusão. A verdade é que já nos acostumamos com isso, não dói mais, como certas doenças malignas”.

Fazendo um exercício futurista, no andar da carruagem em que vai a atuação de Sérgio Moro e seus templários do Ministério Público, só vai sobrar fora das denúncias de corrupção, partidos nanicos ou os recentemente registrados. Até o PSDB que poderia acender uma luz de esperança, sucumbiu à avalanche da delação premiada. As principais estrelas do partido foram pegas na teia do juiz Sérgio Moro. Os atuais mandatários dos principais partidos terão, muita dificuldade para sentar-se novamente na poltrona da janela no transporte 2018.

A pior situação é dos governadores que farão cortes drásticos em suas despensas aumentando ainda mais a impopularidade junto aos eleitores. Mesmo que tenham uma eficiente comunicação mostrando que ñão existe milagres quando o país quebra. Todos terão que remar na mesma direção se não quiserem que o barco afunde. Enquanto isso, assistimos cotidianamente, associação de juízes, promotores, auditores, fiscais, funcionários do legislativo e do Congresso em geral, gritando por mais aumentos em seus salários. Eles ignoram que o andar de baixo é quem mais sofre com os desmandos do país, pois não contam com as benesses do dinheiro público.

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