“A população tem uma imagem errada sobre o papel do vereador”

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Vereador eleito em primeiro mandato, Valtinho: experiência política construída ao lado do prefeito Luiz Attié pode pavimentar seu futuro rumo a voos mais altos
Vereador eleito em primeiro mandato, Valtinho: experiência política construída ao lado do prefeito Luiz Attié pode pavimentar seu futuro rumo a voos mais altos

Por Wilson Silvestre – Muita gente não acredita, mas a política é a atividade mais importante para a sustentação dos pilares democráticos. Só que nas últimas duas décadas, esta nobre atividade foi sendo corroída pela corrupção, contaminando Legislativo, Executivo, Judiciário e instituições fiscalizadoras, principais fundamentos do equilíbrio entre direitos, deveres e oportunidades igualitárias em uma nação livre.

Mesmo com tantos escândalos, Ministério Público e imprensa demonizando os políticos sem fazer distinção, ainda existem mulheres e homens comprometidos com os cidadão nas instituições.

Em meio a uma crise econômica, política e moral em que passa o país, o eleitor foi às urnas escolher seus representantes nos municípios. A esperada renovação dos quadros legislativo nas câmaras de vereadores, não aconteceu. Muitos veteranos se reelegeram, provando que suas comunidades reconheceram o trabalho do vereador, mesmo sob críticas generalizadas. Mas, muitos novatos também conquistaram a disputada vaga, sinal de que os cidadãos acreditam no trabalho do vereador como essencial para a comunidade. O blog conversou com dois vereadores eleitos pela primeira vez. [Serginho] Sérgio Lourenço de Souza (PR), de Aragoiânia, município da região metropolitana de Goiânia, com pouco mais de 9 mil habitantes e Valter [Valtinho] Tomaz de Sousa (PSD), de Cristalina, município com mais de 54 mil habitantes e um dos mais ricos de Goiás.

O ex-motorista, secretário, chefe de gabinete e agora vereador eleito, Valtinho diz que foi um grande desafio pleitear uma vaga na Câmara de Vereadores de Cristalina. “Fui eleito pelo povo com apoio de minha família e amigos, portanto, vou honrar este mandato me esforçando para fazer um trabalho que não decepcione nenhum deles. Na câmara, vou atuar com responsabilidade, sempre ao lado da população, ajudando dentro de minhas atribuições e guiado pelas vozes da população”, diz Valtinho

Quanto ao seu posicionamento político, pois foi eleito pelo PSD, partido adversário do prefeito eleito, Daniel Sabino (PSD), Valtinho afirma que fará uma oposição propositiva, sem alinhamento automático. “Todo projeto que for bom para Cristalina e sua gente, estarei pronto para discutir e aprovar, independente da iniciativa ser do executivo ou da Câmara de Vereadores”. Sobre o momento difícil em que passa o país, Valtinho está otimista. “Creio que esta eleição para prefeito e vereador, extraiu um sinal das urnas de que o povo cansou das mazelas na política. A população quer, a partir de agora, ser mais participativa no dia a dia da política e saber o que seus representantes estão fazendo. Não podemos tapar os ouvidos ao clamor da população, sob pena de sermos apedrejados na rua”.

Valtinho leva para o legislativo, sua experiência em várias funções exercidas na prefeitura. Desde o início do mandato do prefeito Luiz Attié, ele tem acompanhado os problemas e demandas que afligem um prefeito. Entre eles, o crescente uso de drogas pelo interior do país. “O avanço das drogas e a violência de um modo geral, exige esforços de todos, desde o cidadão no bairro distante, passando pelas igrejas, vereadores, prefeito, Congresso Nacional, Ministério Público, Judiciário e os governos estadual e federal. Se não houver ações integradas de todos os ente federativos, teremos apenas soluções paliativas”. Valtinho acredita que no caso de Cristalina, só aumentar o efetivo do policiamento ostensivo, não é o suficiente. “O poder público não tem como colocar um guarda 24 horas em cada esquina. Estudos feitos por especialistas mostram isso. Claro que mais policiamento é bem vindo, mas o cidadão deve ficar sempre em alerta”.

Questionado sobre o papel do vereador e o descrédito deste segmento político, Valtinho analisa que a população precisa acompanhar o trabalho do vereador para ver o quanto ele é importante para a democracia e os interesses dos cidadãos. “A população tem uma imagem errada sobre o papel do vereador. Ele não é um assistente social para ajudar com auxílio financeiro. Primeiro que isso é crime, segundo, seria algo paliativo e beneficiaria só um momento na vida da pessoa. O importante é a fiscalização sobre as ações do executivo, a aplicação correta dos recursos e a busca de convênios que beneficie todos e não só um grupo. Tudo que acontece de ruim no município, a culpa recai em cima do vereador. Penso que o novo presidente da Câmara deve manter uma comunicação permanente com a população, quer por mídias sociais, eletrônica ou impressa. Só assim nosso trabalho deixará de ser visto como supérfluo e dispendioso para o contribuinte”.

Serginho, de Aragoiânia: mandato conquistado com “humildade, dedicação integral aos interesses dos mais carentes e a ajuda dos amigos”
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ARAGOIÂNIA – Para Serginho, o mais importante, a partir de agora como vereador é cumprir os compromissos assumidos durante a campanha: dar continuidade ao trabalho de assistência às pessoas carentes. “Acredito que minha atividade parlamentar vai contribuir muito aos mais necessitados. Já temos leis demais para ficarmos inventando outras, muitas delas nem sequer tem utilidade prática para o cidadão, então é melhor canalizar o trabalho para uma atividade que resulte em benefício da comunidade”, sintetiza ele.

Serginho lembra que ele pertence a uma comunidade de pouco mais de 9 mil habitantes. “Nossa economia é pequena, centrada na atividade rural e o setor de serviços. Chego na Câmara de Vereadores com vontade de trabalhar muito e, humildemente, aprender com meus colegas vereadores a andar sobre as pedras. Creio que nós podemos ajudar a prefeitura a desenvolver projetos que aumente a geração de empregos, principalmente aos nossos jovens e estimular novas empresas a se instalarem no município para aquecer nossa economia, só assim a população carente de Aragoiânia vai deixar de viver unicamente dos programas sociais da prefeitura”, finaliza.

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