Apertem os cintos, Rollemberg surtou! Ou: governador antecipa sua sucessão resgatando adversários

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Governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg: erro político autorizando aumento nas tarifas do transporte coletivo, pode custar reeleição em 2018 (Agência Brasília)
Governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg: erro político autorizando aumento nas tarifas do transporte coletivo, pode custar reeleição em 2018 (Agência Brasília)

Por Wilson Silvestre – “Amadorismo político, falta de comunicação, irresponsabilidade, loucura, governo sem rumo, absurdo, aumento numa crise desta, como pode? …” e por ai segue o rosário de frases ouvidas por lideranças políticas, empresários – menos donos de ônibus – e principalmente a população usuária do transporte de massa. Esta reação de perplexidade e protestos da sociedade brasiliense foi motiva pelo anúncio do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg (PSB)  em reajustar as tarifas do transporte urbano em até 25%, bem acima da inflação.

O secretário de Mobilidade Urbana, Fábio Damasceno disse ao portal de notícias Metrópoles ((http://www.metropoles.com/ ), que o governo não vai recuar da decisão. “Não é a melhor decisão, a que o governador queria, mas é uma decisão de austeridade necessária para manter o estado saudável. Não adianta ter passagem mais barata e um Estado quebrado”, ressaltou. Para o usuário do transporte de massa fica o ‘presente de grego’ que pode custar até R$ 5,00, dependendo do trajeto.

rogerio-rossoREAÇÃO POLÍTICA – A primeira liderança a se manifestar, foi o presidente do PSD de Brasília, deputado federal Rogério Rosso que, mesmo sendo aliado do governo Rollemberg ocupou as redes sociais e emitiu nota em nome do PSD ponderando sobre o aumento da tarifa da passagem de ônibus urbano e metrô. “Sou absolutamente contra reajustes de tarifa em qualquer serviço público ou concessão sem os prévios estudos, análises técnicas e financeiras. Me parece que a licitação feita pelo governo anterior aumentou vertiginosamente as subvenções e incentivos, mas isso deve fazer parte das análises e levantamentos econômicos. Por isso tudo sou contra a esse reajuste nas tarifas do transporte público do DF e favorável a uma auditoria profunda, com a participação da sociedade nas contas e itens que formam o custo do transporte para efeitos de formação da tarifa”. Conclui chamando o governador à reflexão sobre a situação do país: “Sugiro ao governador Rollemberg que reveja imediatamente esse reajuste e embase a população dos motivos que o fizeram a tomar tal decisão”.

02FILIPPELLI NO ATAQUE – Quase que simultaneamente, o presidente do PMDB de Brasília e assessor especial da Presidência da República, Tadeu Filippelli, também emitiu nota oficial do partido e gravou vídeo protestando conta o aumento nas tarifas do transporte urbano. O tom de Filippelli foi mais duro do que o de Rosso. Segue o teor da nota oficial: “A bancada do PMDB na Câmara Legislativa do DF, composta pelos deputados Welington Luiz e Rafael Prudente, e a Executiva do partido no DF vêm a público para: Repudiar radicalmente a iniciativa do governador Rollemberg de decretar aumento de até 25% nas tarifas de ônibus e metrô;

Condenar a forma como foi decretado o aumento: no último dia útil de 2016, às vésperas do feriado de fim de ano, quando as instituições do DF estão em recesso;

Somado este aumento das tarifas ao que concedeu há pouco mais de um ano, o governador elevou o preço das passagens em 66,6% em menos de dois anos de governo;

A concessão de um aumento da ordem de 25% revela uma completa insensibilidade e insensatez do governador, ao não levar em conta o momento difícil que o Brasil e o DF atravessam;

Este aumento, se for mantido, punirá principalmente os trabalhadores que se encontram desempregados, bem como os diaristas, autônomos e outros que são o elo fraco da corrente e pagam a passagem em dinheiro nas roletas. E porá em risco, também, os postos de trabalho ainda existentes, pois nenhuma empresa na crise de hoje produz resultados que permitam arcar com tamanho aumento no item transporte público de seus empregados;

Mais uma vez, o governador Rollemberg tenta resolver um problema de gestão de governo penalizando a sociedade com aumento de tarifas de transporte público, sem fazer seu dever de casa, que é otimizar o sistema, fiscalizar as gratuidades e combater a pirataria predatória;

Para agravar a questão, o governador está entrando de férias e deixando a população às voltas com um problema dessa natureza;

Por decisão da bancada e da Executiva, o PMDB-DF está tomando as providências jurídicas, buscando anular este aumento abusivo das tarifas de transporte que irá acarretar mais prejuízos à população do DF”.

03SANTANA, O DESAFETO – Por sua vez, o ‘aliado circunstancial’ e governador em exercício, Renato Santana (PSD) criticou durante a posse dos novos membros da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do DF (CLDF), os reajustes. “Não vamos nos furtar da nossa responsabilidade como gestores públicos. Já solicitei ao secretário de Mobilidade Urbana [Fábio Damasceno], estudos feitos que resultaram no aumento. Vamos rever os índices e não temos problema nenhum em voltar atrás, se for necessário”. Sem especificar nomes, Santana também não aliviou para auxiliares próximos a Rollemberg, dizendo que não foi consultado por ninguém do Palácio do Buriti sobre o aumento nas tarifas do transporte urbano. “Somos 160 mil servidores do governo de Brasília. Por quê um culpado? O auxiliar do governador tem o dever de ofertar alternativas que onerem o menor custo no bolso do contribuinte. Se o gestor não faz isso, precisamos encontrar quem o faça”.

Diante da repercussão bombástica, Rollemberg mal descarregou as malas em Aracaju, onde curte as delícias das praias paradisíacas da costa nordestina e anunciou que retorna a Brasília para tentar salvar sua biografia. Ele não terá outra saída a não ser vetar o aumento nas tarifas do transporte urbano, sob pena de antecipar o fim de seu governo em 2017, resgatando todos os seus adversários políticos.

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