GUERRA NOS MUNICIPIOS] Aos derrotados, as batatas! Viva os novos donos do poder!

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Por Wilson Silvestre – A Constituição Federal de 1988 valoriza a cidadania inserindo em seus artigos direitos individuais e sociais, mas essas garantias nem sempre são cumpridas. Na maioria dos casos, a instituição Estado, mais precisamente o município onde de fato a vida acontece, não dispõe de recursos frente às demandas que lhe são impostas pela ‘Constituição Cidadã’. A carência de recursos por conta da concentração de tributos nas mãos dos governos federal e estaduais, invariavelmente provocam um déficit fiscal maior nas prefeituras.

Para o cidadão comum, em sua maioria desinformado sobre a burocracia pública, “quem foi eleito é para resolver os problemas”. Não interessa se tem recursos para suas demandas ou se o prefeito vai ser enquadrado na Lei 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa) e Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal). O distinto público quer mais saúde, educação, segurança e remédios de alto custo, à sua disposição como manda a Constituição, “se não vou procurar o Ministério Público e a Justiça”.

E a vida do gestor segue entre demandas da população, críticas dos oportunistas de oposição jogando pedras, Ministério Público cobrando ‘o que está na lei’ e os tribunais de contas, federal, estaduais e dos municípios exigindo austeridade. Se o mandatário da vez, ou seja o prefeito não tiver criatividade e aliados ‘costa quente’, perde a reeleição. Se o mesmo acontece com o apadrinhado de seu grupo, então, pisam na cabeça do coitado.

A cada quatro anos tem sido assim: quem perde a eleição, se não pertencer ao mesmo grupo político, fatalmente será acusado por todas as mazelas e demandas do município, mais precisamente no quesito saúde e infraestrutura. Até as pedras sabem que estes setores no país, não importa o tamanho da cidade ou seu poder econômico, vivem literalmente com o pires na mão. Mesmo sabendo disso, o perdedor será responsável pelo ‘caos em que se encontra a saúde no município’.

Em Valparaíso, o prefeito eleito, Pábio Mossoró (PSDB), desceu a borduna na gestão anterior decretando ‘estado de calamidade’ na saúde ...
Em Valparaíso, o prefeito eleito, Pábio Mossoró (PSDB), desceu a borduna na gestão anterior decretando ‘estado de calamidade’ na saúde …

CRISTALINA E VALPARAÍSO – O blog acompanha grupos de redes sociais nos principais municípios da Região Metropolitana de Brasília (Rembra), filtrando o que realmente possa ser transformado em informações relevantes. Em duas cidades, Valparaíso e Cristalina, a guerra de acusações entre partidários de quem assumiu o poder e os derrotados, não teve trégua. Em Valparaíso, o novo prefeito Pábio Mossoró (PSDB) e o secretário de saúde, médico Leonardo Esteves Ramos desceram a borduna sem dó e piedade no ex-titular da pasta, Walter de Mattos Dutra. Entre as acusações feitas ao blogdoamarildo.com.br, Pábio e Leonardo disseram que encontraram o setor funcionando de forma inoperante. Citou, por exemplo, o sistema de informática, segundo ele, ineficaz em todas as unidades de saúde e sem internet, além de CPUs ‘limpas’ (…) por conta disso, o prefeito atendeu o pedido de Leonardo decretando ‘estado de calamidade pública’ na área de saúde. Além disso, elaborou um documento emergencial para comprar medicamentos.

A reação do ex-secretário de saúde, Walter Mattos foi imediata, rebatendo as acusações em nota e reportagem no mesmo blog. “Diante dos constantes ataques que a atual administração vem fazendo em relação à gestão 2013/2016 [Lucimar Nascimento, do PT] à Secretaria Municipal de Saúde, informamos que o Sistema Único de Saúde (SUS), é uma política nacional regida por portarias, manuais e protocolos alheio a qualquer gestão ou pessoas que ocupem a pasta”. Prossegue a nota: “O ex-Secretário Walter de Mattos Dutra jamais adotou como conduta administrar com injúrias e difamações gestores anteriores ou futuros que possam estar à frente desta secretaria, tendo em vista que o sistema de saúde é superior a qualquer divergência partidária”. Além da estocada em Pábio e Leonardo, Walter faz um balanço do que foi realizado em sua gestão.

Casos assim, ocorrem pelo país todos. Quem entre, tenta desmerecer o trabalho do outro para conquistar novas plateias. Esta ‘guerra’ sem quartel toma dimensão de calamidade devido o debate passional nas redes sociais. O bom senso e os novos ventos que sopram das ruas, recomendam prudência e muita temperança nas declarações de gestores que assumem mandato. Foi o que fez o prefeito de Cristalina, Daniel do Sabino (PSB). Diante das declarações de seu secretário de saúde, Bispo Moisés Camargo ao jornalista e blogueiro blog Geovane José Leandro http://www.gwcomunicacao.com.br/ sobre a situação da saúde em Cristalina, mais especificamente a Unidade de Atendimento de Urgência (UPA), revelando que a mesma não estava com a documentação legal junto ao Ministério da Saúde, portanto não poderia receber recursos e por isso teria o atendimento reduzido, provocou reações diversas. O grupo do ex-prefeito Luiz Attié (PSD) entrou em cena nas redes sociais dizendo que não era bem assim.

... enquanto em Cristalina, o prefeito Daniel Sabino (PSB) prefere olhar para a frente, tentando equacionar os problemas da gestão anterior sem pregar ‘ódio à terra arrasada’
... enquanto em Cristalina, o prefeito Daniel Sabino (PSB) prefere olhar para a frente, tentando equacionar os problemas da gestão anterior sem pregar ‘ódio à terra arrasada’

A população também ficou sem entender e, por conta do erro de comunicação, o prefeito Daniel Sabino teve que entrar em cena e colocou um ponto final na celeuma. No texto publicado no Facebook, Daniel foi claro: “Quando assumi o enorme desafio de comandar Cristalina, eu já sabia que não seria fácil!
Durante 10 dias, busquei diuturnamente solucionar e agilizar os pagamentos atrasados dos funcionários públicos, dívida essa herdada do Governo anterior.
Em momento algum lamentei o que nos foi deixado daquela Gestão, e fiz (faço) questão absoluta de manter a população informada de tudo que irei administrar: dívidas, salários atrasados, equipamentos quebrados e muitas coisas em desordem.
Poderia usar tudo isso para dar desculpas e “empurrar com a barriga”, mas fiz exatamente o contrário.
Fui eleito para buscar soluções, e tenho satisfação em chegar bem cedo na Prefeitura para trabalhar. De manhã até tarde da noite, a cada dia que passa, meu ânimo se renova, para no outro dia continuar a batalha de deixar Cristalina com os serviços em ordem, e os servidores com o que lhes são de direito, ou seja, seus salários em dia”. Cristalino e objetivo no recado aos auxiliares e aliados: a eleição acabou, agora é olhar para a frente e desenhar um futuro melhor do que o passado. Parodiando o personagem do romance Quincas Borba, do genial escritor Machado de Assis: “Aos derrotados, as batatas! Viva os novos donos do poder!

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