Governo endurece com policiais grevistas e planeja federalizar ‘crime de motim’

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Ministro da Defesa, Raul Jugmann e o governador em exercício do Espirito Santo, César Colnago comunicaram que as tropos do Exército e Força Nacional vão permanecer no estado até normalizar a segurança (Fred Loureuri/Secom ES)
Ministro da Defesa, Raul Jugmann e o governador em exercício do Espirito Santo, César Colnago comunicaram que as tropos do Exército e Força Nacional vão permanecer no estado até normalizar a segurança (Fred Loureuri/Secom ES)

Por Wilson Silvestre – A Constituição de 1988 consagrou direitos civis, sociais e políticos, aproximando a sociedade do Estado, mas deixou lacunas que, nas últimas duas décadas, tornaram-se um entrave ao desenvolvimento econômico e transtorno à população. Exemplo são as greves no setor público, em sua maioria estimulada pelos partidos de esquerda que controlam mentes e corações dos servidores concursados. Eles sabem que esta força de trabalho, constitucionalmente não pode ser demitida como punição por ter paralisado serviços essenciais à vida das pessoas. Esta pedagogia de esquerda acabou por contaminar categorias como forças de segurança que, até recentemente, eram impensáveis participarem de uma greve.

A ausência de uma regulamentação mais rígida e a falta de políticas públicas voltadas para este segmento vital à ordem pública, redundou em focos de rebeldia. O mais grave foi o de Salvador, Bahia em julho de 2001 quando, na ausência de policiamento, civis, bandidos e policiais, promoveram o terror na capital baiana. O mesmo filme se repetiu em Vitória, no Espirito Santo. Mais de 100 mortos, saques e depredações levaram o terror à população desarmada e indefesa.

Mais uma vez o governo federal demorou para agir, permitindo que o caos se estabelecesse no estado sergipano com dezenas de mortos e pânico na população. O presidente Michel Temer disse que “demorou, mas agiu”, enviando contingentes do Exército e da Força Nacional para garantir a ordem. Como no Brasil tudo se resolve ‘na bacia das almas’, uma força tarefa dos Três Poderes aterrissaram em Vitória.

Deslocaram-se de Brasília para Vitória o procurador-geral da República Rodrigo Janot e quatro ministros: Raul Jungmann (Defesa), general Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República), Antonio Imbassahy (Coordenação Política do Planalto) e José Levi Mello (interino da Justiça). Encontraram-se com o governador licenciado Paulo Hartung, o governador em exercício César Colnago, comandantes do Exército e da Força Nacional, além de representantes do Tribunal de Justiça e da Procuradoria-Geral do Estado.

Por meio de nota, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que, “Diante do grave comprometimento da ordem pública evidenciado pelas inúmeras mortes, falta de transporte público, fechamento de órgãos públicos e do comércio, além do impasse gerado pela manutenção da paralisação e aquartelamento das forças estaduais, a Procuradoria-Geral da República estuda a possibilidade de postular a federalização de crimes como o de motim”.

Outro duro recado foi dado pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy que não haverá anistia aos policiais militares que estão parados há oito dias no Espírito Santo. Ou seja: a partir de agora, qualquer ameaça de greve de policiais militares será combatida com rigor. As declarações tem endereço certo para alguns movimentos de policiais do Rio de Janeiro, Goiás e outras unidades da federação.

É o mínimo que se espera dos governos federal e estaduais, buscarem uma solução para o impasse. De um lado, a falta de recursos, de outro servidores públicos vital para garantir aos cidadãos direito de ir e vir, trabalhar, estudar e divertir com o mínimo de segurança serem dignamente remunerados. (Com informações da Agência Brasil)

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