CRISE DA CARNE] O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

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02Por Fernando de Castro – Há dez anos havia uma predominância bem maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas “bondades”. E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele “malvadão” que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras “protecionistas” que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar “irregularidades” como “a cor da parede”, pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de “aos amigos os favores, aos inimigos a lei”, onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a “fiscalização” sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para “resolver” tudo. (Mais em http://www.ilisp.org/artigos/o-estado-matou-liberdade-dos-acougues-em-prol-dos-empresarios-corporativistas/)

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