GUERRA DE INFORMAÇÃO] Empregado da churrascaria mentiu: Temer só comeu carne brasileira

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Embaixador chinês, Li Jinzhan brinda e o presidente Michel Temer brindam com caipirinha em almoço na churrascaria Steak Bull
Embaixador chinês, Li Jinzhan brinda e o presidente Michel Temer brindam com caipirinha em almoço na churrascaria Steak Bull

Por Camila Mattoso e Débora Álvares (Folha via Tribuna da Internet) – A churrascaria Steak Bull, que recebeu uma comitiva do presidente Michel Temer na noite de domingo (19), tem entre seus fornecedores uma das empresas investigadas pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. O presidente foi ao local após uma reunião para avaliar o impacto das investigações no Palácio do Planalto, acompanhado de embaixadores de países que mais importam carnes brasileiras. Todos os cortes servidos na casa são de origem nacional, de acordo com o gerente, Paulo Godoi. Segundo ele, as carnes são compradas da Marfrig, Minerva e da JBS.

No entanto, após a operação, Godoi afirmou que pediu a redução de compras da JBS —que responde por 20% do fornecimento do estabelecimento.

“Eles tinham um centro de distribuição em Brasília, mas não têm mais. Ficou difícil a logística e diminuímos para 20%. Nunca tivemos problema de qualidade com nenhum dos nossos fornecedores”, disse Godoi à Folha. “Mas não estou defendendo uma empresa ou outra. Até por isso, após a operação, na sexta-feira (17) mesmo fiz um pedido para procurarmos outros fornecedores e reduzirmos a parte da JBS”, completou.

Segundo o gerente, a churrascaria às vezes também compra picanha australiana, dependendo dos preços no mercado, o que rendeu uma brincadeira do presidente com os funcionários. “A compra da picanha australiana é feita em momentos oportunos de preço menor, com qualidade igual”, disse Godoi.

“Ele brincou, perguntou e disse que a carne brasileira é muito melhor que a australiana e disse para valorizarmos o produto nacional. Deu tudo certo, foi legal terem vindo.”

Além de picanha, o presidente se serviu de alcatra, fraldinha, linguiça e carne de cordeiro.

MOVIMENTO NORMAL – A comitiva de 54 pessoas movimentou o restaurante. Na sexta (17), dia em que a operação foi deflagrada, a procura foi abaixo do normal.

“Quando saiu a notícia da operação na sexta, o movimento foi bem abaixo do esperado. No sábado, voltou um pouco e hoje foi normal”, afirmou o gerente.

Horas após fazer um pronunciamento minimizando as investigações da Polícia Federal que deram base à operação disse que a corporação agiu de forma “integrada com o Ministério da Agricultura” e negou acreditar em exageros por parte da PF.

VINHO E CAIPIRINHA – O convite para o jantar foi feito aos embaixadores que estiveram com o presidente no Palácio do Planalto no domingo à tarde. O jantar, que durou cerca de uma hora, foi regado a vinho argentino e caipirinha, bebida tipicamente brasileira que o presidente saboreou.

Sentado entre os representantes de China e Angola, lugares escolhidos por ordem de chegada, Temer tentou passar um ar de normalidade em relação à situação da carne brasileira.

Disse, ao final, que a adesão dos embaixadores e representantes de países a seu convite mostra que eles “entenderam perfeitamente a mensagem”.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG TI – Como seria de se esperar, o empregado da churrascaria quis apenas “mostrar serviço” e mentiu ao atender a reportagem do Estadão, dizendo que a carne era importada. Se o Estadão tivesse procurado o gerente, a notícia não sairia errada. No fim de semana, a Folha também errou, ao noticiar que o Senado adiara a votação para referendar Gustavo Rocha no Conselho Nacional do Ministério Público. A votação aconteceu na semana passada e Rocha foi reconduzido, conforme a mídia noticiou e está no site do Ministério Público. (C.N.)

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