ExpoPec de Porangatu supera expectativas com mais de R$ 30 milhões negociados, sinal que a agropecuária confia na recuperação econômica do país

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Presidente da Faeg, José Mário Schreiner : “A ciência e a pesquisa são os grandes responsáveis pelos avanços do setor pecuário e do agronegócio de um modo geral, âncora de sustentação da economia brasileira” (Larissa Melo)
Presidente da Faeg, José Mário Schreiner : “A ciência e a pesquisa são os grandes responsáveis pelos avanços do setor pecuário e do agronegócio de um modo geral, âncora de sustentação da economia brasileira” (Larissa Melo)

Por Wilson Silvestre – Em meio a tantas notícias negativas, o agronegócio brasileiro e em particular a agropecuária, demostra confiança na recuperação econômica do país. Este segmento da economia não é só o que mais emprega pessoas no campo e nas cidades, mas também o mais importante no equilíbrio de preços nas gôndolas dos supermercados. Graças aos empreendedores no campo, o brasileiro tem à disposição uma grande variedade de produtos à mesa. Esta responsabilidade econômica e social requer constantes avanços em tecnologias e inovação, buscando produzir mais e com sustentabilidade.

Os números positivos do agronegócio tem ocupado todos os dias as mais variadas plataformas de mídia digital e impressa. Nem mesmo o baque sofrido com a desastrada operação da Polícia Federal em alguns frigoríficos, diminuiu o ânimo dos pecuaristas em acreditar no Brasil.

Tecnologias voltadas para o desenvolvimento da pecuária tem contribuído no crescimento da produção de carnes, com destaque para a carne de frango. O brasileiro consome em média, 120 kg de frango por ano ou 2,5 kg por pessoa por semana. Já a carne bovina é de 42 kg/habitante/ano. Portanto, eventos como a 2ª edição da Exposição das Tecnologias Voltadas ao Desenvolvimento da Pecuária (ExpoPec), aberta oficialmente na quinta-feira (23) e encerrada no domingo (26), em Porangatu, tem sido uma constante em todo o território nacional, demonstrando que os produtores, empresas de implementos, insumos e especialistas nas variadas áreas do conhecimento, não param em busca do aperfeiçoamento genético na produção para atender uma demanda crescente.

Organizada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), em parceria com o Sindicato Rural de Porangatu e Instituto para o Fortalecimento da Pecuária (Ifag), a 2ª ExpoPec superou todas as expectativas de seus organizadores, tanto em volume de negócios quanto ao público presente nos três dias da exposição.

Os participantes e o público em geral tiveram, oportunidade de conhecer novidades tecnológicas para o aperfeiçoamento da pecuária nas áreas de genética, mercado, comercialização, manejo e alimentação, além de promover debates e gerar negócios. O evento recebeu mais de 20 mil pessoas de 15 estados diferentes no Parque de Exposição Hilton Monteiro da Rocha, resultando em um volume de negócios superior a R$ 30 milhões.

VALOR AGREGADO – Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, a Expopec representa grande parte do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, isso porque o setor pecuário é responsável por 40% do valor bruto da produção e cerca de 70% do PIB em Goiás. “Discussões como essas, técnica e científica, têm um valor agregado muito grande, porque permite levar novas tecnologias, colocando à disposição tudo aquilo que a ciência e a pesquisa desenvolvem a favor da pecuária de corte, da suinocultura e da ovinocaprinocultura. Além disso, a ciência e a pesquisa são os grandes responsáveis pelos avanços do setor pecuário e do agronegócio brasileiro – que têm sustentado a economia brasileira”, diz.

José Mário disse, na abertura oficial que “Não podemos fugir deste debate. É por isso, que estamos aqui mais uma vez, porque o nosso setor não pode parar por conta das especulações que giram em torno da pecuária do Brasil, que hoje assume a liderança em exportação de carne. Apesar dos rumores que giram em torno da qualidade da nossa carne, se cada um fizer sua parte venceremos estes obstáculos”.

02APRIMORAMENTO TECNOLÓGICO – Para o presidente do Sindicato Rural (SR), Gustavo Dourado, a feira oferece aprimoramento tecnológico a Porangatu e para demais cidades da região Norte. Além disso, ele enfatiza a oportunidade aberta para pequenos, médios e grandes produtores, fazendo com que o pecuarista atraia cada vez mais conhecimento, por meio de todas as ferramentas de mercado que hoje ele possui. “Nosso município é conhecido como a capital goiana do bezerro de qualidade. O coração sertanejo do Brasil, por isso, sinto-me honrado em sediar a segunda edição da ExpoPec, evento nacional, em prol da pecuária de corte”, afirma.

SENAR GOIÁS – Com foco na educação profissional rural, promoção social e assistência técnica e gerencial, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás) levou para a Expopec 2017 diferentes demonstrações. Uma delas que aconteceram no Parque de Exposição de Porangatu foi o de adestramento de cães para pastoreio.  O público que visitou a Expopec 2017 pode também participar da demonstração de processamento de carne suína. Foram apresentadas técnicas simples e práticas para a preparação de produtos de forma caseira, sem utilização de emulsificantes, conservantes, antioxidantes e adição de qualquer aditivo.

As novidades sobre os produtos derivados do leite também foi tema de demonstração na feira deste ano. A instrutora do Senar Goiás, Mariele Garaffa, apresentou as variedades de produtos oriundos do leite, além de ter esclarecido dúvidas específicas sobre a produção e o armazenamento dos produtos. Além dessas demonstrações, o Senar repassou orientações sobre biojóias, confinamento, curtimento de couro, selaria, cerca elétrica, doma racional de equinos, etc.

PALESTRANTES DE RENOME – Renomados especialistas pesquisadores, técnicos e consultores de mercado estiveram na Expopec.  Desde os benefícios da carne vermelha até a criação a pasto foram discutidos ao longo do evento. Manejo bovino, gestão, sucessão feminina, ganho de rendimento, economia, ouvinocultura, suinocultura, pecuária moderna, seleção genética, pecuária lucrativa, vitrine da carne, entre outras, compuseram a programação repleta de informações ao público que compareceu na feira.

MAURÍCIO VELOSO – Presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Faeg, Maurício Velloso, diz que as tecnologias presentes na Expopec abrangem todas as características do Estado. “Concluímos com objetivo nossa feira. Ao longo dos dias oferecemos conteúdos de qualidade e um ambiente para negócios. O nosso intuito foi de fazer com que todos estes negócios se tornassem investimentos e principalmente conteúdos integrados a uma gestão e a novas soluções voltadas para as exigências atuais da nossa pecuária”, explica.

ALFREDO LUIZ CORREA – Outra oportunidade destacada pelo presidente do Fundo para o Desenvolvimento da Pecuária (Fundepec) em Goiás, Alfredo Luiz Correia, é o investimento que a entidade disponibiliza ao setor. “Hoje somos o maior fundo financeiro do País. Tenho orgulho de dizer isso! É por isso, que o Fundepec é também a casa do produtor. O nosso objetivo é sempre oferecer mais visibilidade junto aos produtores e trabalhar com arrojados projetos em parceria com o governo do estado no melhoramento da qualidade sanitária de nossos rebanhos.”, sinalizou.

03ARTHUR TOLEDO – O presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), Arthur Toledo, que representou o governador de Goiás, Marconi Perillo, destacou o potencial agrícola do país. Segundo ele, atualmente, o Brasil produz o suficiente para alimentar mais um bilhão de pessoas. “Nosso setor produtivo só cresce. Isso é uma conquista nossa”, argumentou. Em prol do setor, ele sinalizou também sobre o avanço da pecuária goiana, que de acordo com Arthur, apenas cresce. “Nós conquistamos os mercados mais exigentes do mundo, então, vamos olhar para frente, discutindo sobre o setor, em feiras de grande abrangência como esta, a Expopec”, destacou.

WANDERSON PORTUGAL – Como prova da garantia e sucesso do setor, o diretor técnico do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Goiás), Wanderson Portugal, reforçou a importância em ser parceira de eventos como a Expopec. “Agradeço a oportunidade de participar e ser parceiro desta grande feira. Somos parceiros efetivos de tudo aquilo que venha promover o desenvolvimento dos pequenos negócios em nosso país. A cada ano estamos trabalhando para que seja ofertada cada vez mais tecnologia, com o intuito de tornar o evento cada vez mais competitivo”, explanou.

FERNANDO SAMPAIO – O produtor precisa produzir carne e desenvolver sua atividade no presente já pensando no amanhã. “É necessário sempre acompanhar o que está acontecendo. Avaliar o que existe lá fora e dentro no país. As práticas que estão dando certo e as que não estão tendo resultado. Isso tudo faz parte de uma visão estratégica que poderá garantir a sustentabilidade do negócio”, afirmou.

DRAUZIO VARELLA – Houve uma ‘demonização’ de certa parte da sociedade – especialmente aquela considerada intelectualizada – em relação à carne vermelha. “Isso começou na metade do século 20, com informações erradas de que o alimento era responsável por ataques cardíacos, derrames e outras doenças cardiovasculares. Mas isso nunca foi comprovado. Não existe nenhuma evidência. Criaram uma ideologia apresentada de forma pseudocientífica que convenceu parcela da população que o problema do homem moderno estava na carne. E com isso nós engordamos a população”.

ANDRÉ BARTOCCI – Com a palestra ‘Manejo: como ganhar produtividade sem gastar dinheiro?’, o pecuarista falou das oportunidades e desafios que existem na ‘Pecuária Tropical’, além de acrescentar que para ter sucesso e lucro, é preciso entender e desenvolver tecnologias e manejos respeitando as leis do sistema ‘Tropical de Produção’. “O lado bom é que este sistema pode ser muito mais produtivo, inclusive sendo competitivo em rentabilidade com a agricultura. Já o lado ruim é que ele é complexo e nos próximos anos, muitos produtores que não se adaptarem, serão excluídos da atividade”, ressaltou.

ANDRÉ ROCHA – Quem também defendeu a incorporação da tecnificação na pecuária foi o inspetor técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco), André Rocha. Ele destacou em sua palestra ‘Ovinocultura: ovinos x bovinos ou ovinos + bovinos?’, a importância dos pecuaristas e criadores estarem ligados e cada vez mais modernizados na atividade. “A ovinocultura não é diferente da bovinocultura. Ambos são produtores de carne e precisam estar atentos as demandas recorrentes do mercado”, disse.

KELLEN SEVERO – Economia, política e pecuária. Com essas três palavras a apresentadora e editora-chefe do programa Mercado e Companhia do Canal Rural, Kellen Severo, ministrou palestra ‘Macrodesafios e microsoluções’. Ela trouxe sinalizações da economia brasileira e traçou o cenário político e as projeções do agronegócio neste ano ao público presente no evento.

Segundo ela, a partir da leitura e do entendimento do cenário político e econômico atual é possível ter mais clareza para a tomada de decisões nos negócios. “As projeções de juros, câmbio, inflação, preços de commodities, condições e políticas de governos são de extrema importância para decisões que implicam, por exemplo, no adiantamento ou antecipação da compra de insumos, da tomada de decisão por novos investimentos, da comercialização da safra entre outros”, enfatizou.

LUIZ ANTÔNIO JOSAHKIAN – Com a palestra ‘Eficiência na produção de alimentos da bovinocultura de corte brasileira: a genética como insumo’, o superintendente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Luiz Antonio Josahkian, falou aos pecuaristas presentes no evento a importância de otimizar o sistema de produção e buscar a eficiência e o aumento de produtividade, usando menos recursos e uma área cada vez menor. “Quando se fala de pecuária, principalmente de raças zebuínas, a otimização genética tem sido o caminho para ampliar a produtividade e melhorar o rendimento do animal, mas sem esquecer sanidade e nutrição”, destacou.

ANTÔNIO CHAKER, consultor técnico do Instituto Terra Métricas Agropecuárias, destacou o tema ‘A verdadeira gestão: conta sofisticada ou ‘arroz com feijão?’ De acordo com Chaker, o pecuarista precisa ter controle financeiro e econômico da sua propriedade, além de trabalhar com uma gestão eficiente. “Fazer gestão é ser bom de número e de gente. O pecuarista precisa aprender a administrar o negócio de maneira certa. Os resultados serão outros e breves”, disse.

NILO CHAVES – Diretor-executivo da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), disse que o Brasil ocupa a 4ª posição entre os países que mais produzem suínos no mundo. Do total de animais produzidos, 3,5% são do país. O 1º lugar é da China, que detém 50% da produção suína mundial. Mas apesar de ser o principal produtor, a China também

FLÁVIO DUTRA – “Quem tem pasto tem tudo”, é o que diz o pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) da Secretaria de Agricultura de São Paulo, Flávio Dutra de Resende. O especialista abordou a temática ‘Ganho do rendimento ou rendimento do ganho? O que devemos saber sobre isso’. Para o especialista, o rendimento da carcaça é um dos grandes gargalos do setor pecuário. Considerado por ele como sendo uma das grandes variáveis que medem o resultado final de uma operação de engorda. “É necessário padronizar o rendimento da carcaça, porque o produtor muitas vezes não se sente satisfeito com o resultado de rendimento do lote”, sinaliza. (Com Nayara Pereira, Juliana Barros e Fernando Dantas [textos], Larissa Melo e Fredox Carvalho [fotos] – Ascom Faeg)

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