‘Mãe de todas as delações’ não vai acabar com a política e muito menos com o pequi de Goiás

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O Encilhamento implantado por Deodoro da Fonseca (1889-1891), concedia empréstimos às empresas que geravam empregos. Qualquer semelhança com o modelo de capitalismo do PT... (http://odia-a-historia.blogspot.com.br/2016_10_01_archive.html)
O Encilhamento implantado por Deodoro da Fonseca (1889-1891), concedia empréstimos às empresas que geravam empregos. Qualquer semelhança com o modelo de capitalismo do PT… (http://odia-a-historia.blogspot.com.br/2016_10_01_archive.html)

Por Wilson Silvestre – Apertem os cintos. O futuro chegou com a detonação da mais poderosa bomba política de nossa história: a delação de Emílio e Marcelo Odebrecht, pai e filho respectivamente. A julgar pelo conteúdo tóxico relatado pelos dois, quando chegar a vez das empreiteiras Camargo Correia, OAS, Andrade Gutierrez e os engaiolados Antônio Palloci, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha e João Vaccari Neto, entre outros menos cotados, ai sim, teremos a podridão da República escancarada. Mas, não seria recomendável destruir um dos pilares que sustentam nossa corrupta democracia: a política.

Muitos paladinos da moral e dos costumes, incluindo parte do judiciário e os semideuses do Ministério Público, gostariam de enviar todos os políticos para as galés, mas e depois? Substituí-los por uma ditadura de leis? Os políticos sim, devem ser julgados pelos seus erros, quer em graus de maior ou menor delito, todos terão que prestar contas à justiça. Esta decantação necessária deve depurar os bons dos maus políticos, preservando ‘a política’, atividade vital para o desenvolvimento e equilíbrio de uma sociedade plural.

Como não existe inocentes neste jogo, principalmente o eleitor que sempre soube da relação promiscua entre uma fatia do empresariado e o estado brasileiro, mas se omitiu votando nas mesmas figuras de sempre, reconhecidas como ‘rico graças à política’, também precisa qualificar seu voto. Formadores de opinião mais esclarecidos, também se omitiram permitindo que esta atividade ilícita proliferasse nas campanhas em todos os níveis. Muitos empreiteiros e fornecedores com negócios ou em busca de um naco do poder, eram uma constante em reuniões sigilosas dos partidos, outros nem disfarçavam. Óbvio que eles seriam beneficiados, vencendo situação ou oposição, já que ambos recebiam ‘ajuda’ por meio de caixa 2 como ficou escancarado pelos Odebrecht.

Desde a redemocratização que o brasileiro vem se especializado – erroneamente – em complacência em cada disputa eleitoral. Foi assim com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seguida pela reeleição e posteriormente, elegendo Dilma Rousseff, mantendo o PT por 13 anos no poder. Até as pedras da fundação de Brasília sabiam que a corrupção corria solta, mas todos se omitiram. Deu no que tinha que dá. O país foi a pique.

A ‘Mãe de todas as Delações’ não vai acabar com a política, mas depurar os políticos, tanto no país quanto em Goiás, onde, desde 1998 os tucanos sobrevoam livres influenciando imprensa, judiciário, tribunais de contas e legislativo. Pode ser que agora, o eleitor saia da letargia e busque uma nova alternativa de poder. Não vai acabar com o pequi de Goiás, mas vai ajudar a aparecer novas caras, novas ideias e decantar os políticos da terra do pequi.

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