Joesley Batista Friboi, o bilionário que comprou a Lulacracia e adoçou a boca do MPF

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Advogado especializado em direito eleitoral, constitucional e consultor político, Paulo Goyaz: “Sob a luz do Direito, pairam muitas dúvidas sobre este acordo de delação premiada entre a PGR e Joesley Batisa”
Advogado especializado em direito eleitoral, constitucional e consultor político, Paulo Goyaz: “Sob a luz do Direito, pairam muitas dúvidas sobre este acordo de delação premiada entre a PGR e Joesley Batisa”

Por Wilson Silvestre – Num futuro não muito distante, a devassa provocada pela operação Lava Jato na política brasileira, será tema de teses acadêmicas, filmes, peça teatral e literatura de cordel. Esta constatação fundamenta-se nas descobertas de novos personagens envolvidos em corrupção, quer no Executivo, Legislativo e no Ministério Público Federal.

Como toda revolução de costumes acaba invariavelmente provocando acalorados debates na sociedade, tanto para o bem quanto para o mal, recomenda-se cautela. Mesmo com aplausos da maioria da sociedade exaltando o lado positivo desta faxina, o cidadão deve ficar atento nas ações dos agentes públicos, principalmente do MPF e do judiciário. Estas duas instituições podem cometer erros graves, destruindo a vida civil de pessoas delatadas e investigadas.

Existem poucos santos e muitos pecadores no andar de cima do poder, como foi escancarado pela gravação clandestina da conversa do presidente Michel Temer (PMDB) e seu algoz, o bilionário Joesley Batista Friboi. Mas a rapidez em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot homologou a delação premiada de Joesley e ele, como um raio, gravou a conversa com Temer provocando dúvidas na lisura da ação.

Várias teses estão sendo debatidas na sociedade por meio de artigos em jornais, blogs e nas redes sociais. A maioria suspeitando da celeridade em que Rodrigo Janot e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin pediu a investigação do presidente e o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB).

O blog ouviu o advogado especializado em direito eleitoral, constitucional e consultor político, Paulo Goyaz sobre este debate nos meios de comunicação. Sem entrar no mérito, o blog compilou parte destas observações.

O QUE DIZ PAULO GOYAZ

“As duas principais questões existenciais do ser humano são: ‘De onde viemos” e para onde vamos’? Para Joesley Batista as respostas para estas duas perguntas são fáceis: ‘Vim pobre do interior de Goiás e vou bilionário para Nova Iorque’.

Mas como tudo na vida de Joesley é peculiar, sua recente biografia acrescenta uma terceira pergunta existencial, essa sim aparentemente impossível de ser respondida: como ele conseguiu fazer isso?

Como toda história que parece ser complexa, mas no final torna-se simples e compreensível, a gravação e a rápida liberação de Joesly pode ser facilmente entendida. Basta responder as perguntas abaixo:

1 – Quem trabalha no escritório de advocacia de Joesley Batista? Marcelo Miller.

2 – Quem é Marcelo Miller?

Ex-Procurador da República, reconhecido como um dos mais duros e eficazes MPF. Seu último trabalho foi para o Procurador-geral da República Rodrigo Janot. Miller era membro da equipe designada para processar os investigados pela Operação Lava Jato. Considerado um dos principais auxiliares de Janot e com acesso irrestrito à todo material produzido pela Lava Jato. Foi o responsável pelas delações do ex-senador Delcidio do Amaral e do ex-diretor da Transpetro, Sergio Machado, ambos com uma peculiar ligação com Joesley Batista.

3 – Por que 6 de março é uma data importante?

Foi nesse dia que Marcelo Miller – para a surpresa de seus colegas da PGR – repentinamente decide encerrar sua bem sucedida carreira pública numa nova fase profissional no mundo privado. Foi trabalhar na conceituada banca carioca de advocacia Trench, Rossi & Watanabe Advogados. Coincidentemente, este é o escritório legal que foi contratado pela JBS para negociar seu acordo de leniência com a equipe de procuradores da Lava Jato de Janot. A mesma equipe que Miller integrava há poucas horas.

4 – Por que 7 março é uma data importante?

Apenas um dia após Miller se aventurar na iniciativa privada, Joesley visita o presidente Temer munido de um gravador Xing e grava a conversa.

5 – Qual é a peculiar ligação entre Delcidio, Machado e Joesley?

O sucesso que o ex-procurador Miller obteve na condenação de Delcidio do Amaral e Sergio Machado, baseia-se no mesmo modus operandi: gravação feita sem conhecimento de quem estava sendo gravado. Parece familiar? Exatamente o que Joesley fez com o presidente Temer. Miller demonstrou que conhece profundamente os instrumentos legais para lidar com casos deste tipo. O escritório de advocacia que empregou o ex-procurador em tempo recorde, conseguiu obter de Janot o incrível acordo de leniência para Joesley, baseado numa gravação clandestina.

6 – O que tem de extraordinário no acordo celebrado pelo escritório de Miller?

Ironicamente Nada! Nada de tornozeleira eletrônica, nada de passaporte apreendido, nada de cadeia, nada de prisão domiciliar, nada de débitos com a justiça, nada de bens apreendidos, nada de burocracia. Nada mal para um ex-açougueiro em Goiás”.

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