Após décadas na periferia do poder central, DEM se reaproxima da Presidência da República

0
Caso a justiça casse o mandato do presidente Michel Temer (D), o Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM) vira presidente e pode disputar o cargo em definitivo (Marcos Oliveira/Agência Senado)
Caso a justiça casse o mandato do presidente Michel Temer (D), o Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM) vira presidente e pode disputar o cargo em definitivo (Marcos Oliveira/Agência Senado)

Por João Fellet (BBC Brasil) – A ditadura militar se aproximava do fim quando o ex-governador baiano Antônio Carlos Magalhães (ACM) peitou um dos homens mais fortes do regime: o ministro da Aeronáutica, brigadeiro Délio Jardim de Matos.

Matos acusara ACM de traição por rejeitar a candidatura do governista Paulo Maluf na eleição indireta para a Presidência e apoiar o oposicionista Tancredo Neves. ACM retrucou: “Traidor é quem apoia corruptos”.

A declaração expôs o racha que resultaria no partido que, passados 33 anos e após nova metamorfose, volta a se acercar da cadeira presidencial – agora com o nome Democratas (DEM) e liderado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que assumirá o Planalto se Michel Temer for afastado. “Foi um lance genial”, lembra David Fleischer, professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB).

Criticar publicamente um ministro da ditadura poderia significar o fim de uma carreira política – ou algo pior. O gesto de ACM surpreendeu ainda mais porque ele pertencia ao Partido Democrático Social (PDS), que apoiava o governo militar e era o sucessor da Aliança Renovadora Nacional (Arena), sustentáculo político do regime após o golpe de 1964.

“Mas ele passou ileso, mostrando que era possível bater no governo sem levar de volta. Foi uma senha de que a ditadura estava acabando”, conta Fleischer. (Matéria completa em http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40616755)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

AN