“Não foi o PSDB que criou o caos em que vive o país”, diz Giuseppe Vecci

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Deputado federal e presidente do PSDB de Goiás, Giuseppe Vecci em entrevista na Rádio 730: “Meu voto não foi para [o presidente Michel] Temer, mas para o Brasil”. (Reprodução Rádio 730)
Deputado federal e presidente do PSDB de Goiás, Giuseppe Vecci em entrevista na Rádio 730: “Meu voto não foi para [o presidente Michel] Temer, mas para o Brasil”. (Reprodução Rádio 730)
Por Wilson Silvestre – Escolher caminhos político e alianças em meio a um quadro de conflitos, quer regional ou nacional, é uma operação complicada para qualquer cúpula partidária. Este é o calvário que o PSDB padece neste momento em que uma ala apoia o presidente Michel Temer (PMDB). Enquanto na outra ponta do cabo de guerra, encontra-se os ‘cabeças pretas’ – denominação dos parlamentares mais jovens do partido – que ensaiam outros rumos.

Após o day after da votação na Câmara que livrou Temer do pêndulo do STF, os 21 deputados que disseram ‘sim’ à denúncia do Procurador Geral da República (PGR), Rodrigo Janot bateram bumbo anunciando com trombetas o desembarque do governo. Criou-se então factoides na mídia, pregando a implosão tucana.

Para observadores mais atentos, este ‘racha’ é apenas um jogo combinado para despertar na sociedade o debate qual modelo de governo quer a população: continuidade dos agentes da corrupção ou mudanças estruturais no aparelho de estado?

Dentre a ala moderada do partido, encontra-se Giuseppe Vecci um dos mais qualificados parlamentar tucano na Câmara Federal. Ele participa ativamente da vida partidária, não só como membro do diretório nacional, mas sobretudo pela sua experiência político-administrativa quando esteve à frente dos principais projetos estruturantes que desenvolveram Goiás. Um estado que nos últimos oito anos, saltou da posição periférica a protagonista nos debates nacional sobre excelência em gestão pública.

Vecci advoga que o calendário de convenções que serão realizadas em outubro (municipais), novembro (estaduais) e dezembro nacional quando o partido deverá atualizar sua carta partidária. Ele sabe que a convenção nacional em dezembro, não terá nome de consenso para candidato à vaga de presidente da República. Até lá, nomes como os dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, Goiás, Marconi Perillo e o prefeito de São Paulo, João Dória devem ocupar espaços na mídia assim como outros tucanos.

O deputado disse na entrevista à Rádio 730 que na reunião com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati vão discutir um calendário do partido que vigorará até o mês de dezembro. “Precisamos atualizar nossa carta programática (…) rever nossa identidade para que possamos avançar naquilo que o PSDB já fez de positivo no Brasil”, disse ele em entrevista na terça-feira (15/8) à Rádio 730, de Goiânia.

RENOVAÇÃO GERAL – Nestas convenções o partido vai renovar todos os dirigentes, tanto municipal, estadual e nacional. Além da renovação, o debate servirá para corrigir assimetrias no projeto de poder do PSDB. Na avaliação das lideranças do partido e militantes, o PSDB pode construir um projeto viável para o país.

De fato, estados como Goiás, São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, tem a bandeira tucana tremulado na gestão pública. Além disso, são quase 1,5 milhão de filiados, 11 senadores, 46 deputados federais, 96 estaduais, 803 prefeitos e 5.346 vereadores. Um capital político que está acima da média, mesmo com desgastes junto à opinião pública.

Para comprovar que tem um projeto de poder, o presidente nacional da legenda, senador Tasso Jereissati disse, terça-feira (15/8) ao presidente Michel Temer que os tucanos não vão “ceder nenhum milímetro em sua posição de independência ao governo por causa de cargos”. Esta posição reflete o desejo do PSDB em ser protagonista na disputa presidencial de 2018.

Vecci não poupou críticas ao PT. “Não foi o PSDB que criou o caos que vive o país, por isso entendi que o meu voto não foi para o Temer, mas para o Brasil. Como ficaria o país derrubando o presidente”? O deputado defende a tese de que as reformas previdenciária, política e tributária não são do presidente Michel Temer, mas para a retomada do crescimento e geração de empregos.

Outro ponto abordado pela entrevista foi a polêmica liberação de emendas parlamentares. Ele foi um dos contemplados. “Segundo a mídia, foram liberados R$ 6 milhões em meu nome, mas, é bom ressaltar que estes recursos vão diretamente para as prefeituras. O deputado não recebe um centavo, portanto estou muito tranquilo quanto a qualquer insinuação. Todo mundo recebeu incluindo gente de oposição”.

Sobre a pergunta se a elevação do déficit público era bom para o país, Vecci foi categórico: “Ninguém é a favor de déficit público. Isso confirma o descalabro que o governo recebeu do PT. Só para se ter uma ideia, dos 100% do orçamento, 42% vai para pagar o serviço da dívida e 22% para a previdência, só ai temos 64% do orçamento. Isto é um monstro que suga os recursos do Brasil. Só para ter uma ideia, a educação no país consome apenas 3,9% do orçamento”. (Integra da entrevista em http://portal730.com.br/images/Podcasts/2017/agosto/15/giuseppe_vecci.mp3

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