Os vetores políticos que vão atrair os eleitores em 2018

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Por Cesar Maia – Existem dois vetores políticos que atraem os votos dos eleitores. E as alternativas dos eleitores entre eles formam uma combinação de quatro hipóteses.

Esses vetores políticos são: Conservadores e Liberais. Conservadores na Economia ou intervencionistas. Liberais na Economia, com um intervencionismo mínimo. Conservadores nos Valores, que se poderia resumir como Valores Cristãos. Liberais nos Valores em relação a vida (aborto), em relação à família, e em relação ao comportamento.

Pesquisas nos últimos anos procuram entender as tendências políticas não mais na clássica disjuntiva direita/esquerda, ou mesmo nas alternativas partidárias. Para isso, fazem perguntas sobre economia, estado, comportamento, família, sexo, etc., aos eleitores.

E, em seguida, agrupam os eleitores nas 4 hipóteses citadas. 1) Liberais na Economia, Liberais nos valores; 2) Liberais na economia, conservadores nos valores; 3) Conservadores na Economia, liberais nos valores; 4) Conservadores na economia, conservadores nos valores.

A Direita tanto pode afirmar-se liberal como conservadora na economia. Mas sempre afirma-se como conservadora nos valores. A Esquerda será sempre conservadora na economia e liberal nos valores. Raramente se encontra uma representação política liberal na economia e liberal nos valores. Esta última hipótese é de baixa atratividade eleitoral, pois confunde os eleitores.

Quanto mais claras as opções políticas nestas hipóteses e alternativas, mais fácil o eleitor identificará sua representação. Usando as pesquisas recentes e a movimentação dos pré-candidatos, se vê que Lula é claramente conservador na economia e liberal nos valores. Bolsonaro, sempre conservador nos valores, recentemente fez uma opção por ser liberal na economia em sua viagem aos Estados Unidos. Com isso, sua candidatura passa a ter uma imagem mais nítida.

O PSDB, seja com Alckmin como com Dória, afirma-se conservador nos valores. Na economia, com ambos, afirma-se liberal, embora de forma mais nítida com Dória. Marina, enquanto personagem, flutua na economia entre afirmações liberais e conservadoras e, da mesma forma, em relação aos valores. Isso já ficou claro em 2014 e fica muito mais claro hoje. Dessa forma, será difícil aglutinar maiorias.

O PDT afirma-se sempre como conservador na economia. Mas, nos valores, será muito difícil ter unidade com Ciro, o que dificultará a identificação com maiorias de opinião eleitorais. Alvaro Dias mistura, em suas posições, opiniões liberais e conservadoras tanto em economia como nos valores. Dessa forma, muito dificilmente marcará uma identidade e tenderá a flutuar num patamar muito baixo.

Tentar ser as duas coisas ao mesmo tempo, para conseguir votos, é o caminho para confundir e perder votos. É claro que somente em campanha se poderá identificar o binômio de cada candidato. Essas são hipóteses em função das posições que divulgam e que a mídia clássica e social multiplica.

Há que esperar. Mas serão os binômios descritos acima e a identidade relativa dos candidatos em relação a eles que informarão a competitividade dos candidatos, esses ou outros que surjam. (Artigo publicado originalmente em www.cesarmaia.com.br/)

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