Rollemberg entre burocratas ‘notáveis’ e a desconfiança do eleitor em seu governo

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Governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg entre seus três principais secretários: Wilson de Paula (Fazenda), Chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio e Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos. Arautos de notícias ruins. (Pedro Ventura/Agência Brasília).
Governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg entre seus três principais secretários: Wilson de Paula (Fazenda), Chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio e Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos. Arautos de notícias ruins. (Pedro Ventura/Agência Brasília).

Por Wilson Silvestre – Em artigo publicado no final de julho deste ano no jornal O Estado de S. Paulo, o professor Ives Gandra da Silva Martins registrou que “A carga tributária no Brasil é elevada porque a carga burocrática e política é enorme, pagando o brasileiro seus tributos em grande parte para sustentar os privilégios dos três Poderes, a Federação inchada e a corrupção inerente a todo sistema político em que ser do governo é tornar-se superior aos comuns mortais e sofridos cidadãos desta República”.

Ives Gandra interpretou o sentimento que o brasileiro tem em relação ao país, sua elite política e os poderes de um modo geral. Este desgaste acentuou-se nas duas últimas décadas e culminou em desastre na ‘era do lulopetismo’. Corrupção à solta e gestão pública sendo tocada por burocratas ‘notáveis’, criadores de fórmulas mágicas fundamentadas em meritocracia e experimentos de outros países.

Nunca se contratou tanta consultoria para tornar a máquina pública eficiente, mas nada foi feito para estacar a corrupção e o aparelhamento ideológico. O resultado está escancarado sob o maior déficit público que o país já teve, 14 milhões de brasileiros na fila do emprego, estados e municípios quebrados.

A elite do andar de cima da pirâmide social e seus burocratas ‘notáveis’ no legislativo, executivo, judiciário, Ministério Público (União e estados), tribunais de contas e acadêmicos, todos recheados de diplomas ‘pós-tudo’, não conseguiram estacar a sangria dos recursos públicos. Estes teóricos do ‘fantástico mundo novo’ – a maioria deles filhos da classe média –, formados quase todos em universidades públicas com pós-graduação no exterior, nunca pisaram na lama da periferia. Fizeram e continuam fazendo ouvidos moucos aos reclames dos assalariados com muitos deveres e poucos direitos.

Estes ‘notáveis senhores da burocracia’ nunca tiveram privações batendo à porta como parte do cotidiano, portanto, teóricos da pobreza e dos problemas do país totalmente virtuais e livrescos. Esta nova elite burocrática alastrou-se na gestão pública brasileira fazendo com que os governantes, eleitos pelo povo conduzissem a gestão tendo os ‘notáveis do saber’ como bússola. Assim, de governo em governo, o mandatário da vez foi perdendo a conexão entre ‘a boa política’ com seus representante no legislativo, tornando-se refém dos ‘maus políticos’ que sabem como ninguém tirar proveito dos erros na gestão de ‘notáveis’.

Esta pode ser uma das pedras no caminho da popularidade do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB). Um político calejado nos embates no parlamento e no contato com os mortais comuns que, ao assumir o governo, teve que adotar um modelo austero de gestão, atingindo no coração os servidores públicos.

Passou a administrar o caos herdado da gestão Agnelo Queiroz, a mais desastrada gestão pública que Brasília pode presenciar. Até os adversários reconhecem que não tem sido fácil para Rollemberg. O equilíbrio financeiro e a retomada dos investimentos, terá um caminho longo e não será resolvido em quatro anos.

Os críticos dizem que Rollemberg deixou-se levar pelo canto dos burocratas ao invés de dialogar com os políticos, ou seja, com a Câmara Legislativa. Por mais rejeitada, desmoralizada e um verdadeiro serpentário venenoso que seja, a CLDF é o poder que impõe limites ao executivo, por mais venal que seja, no regime democrático o executivo não caminha sem o legislativo.

Ao ouvir mais os ‘burocratas notáveis’ de seu governo, abriu um fosso entre a gestão e os interesses da população, principalmente os servidores públicos. Passou quase três anos de gestão em rusgas com os deputados, enquanto se desgastava mais do que o necessário. O resultado desta contenda é que Rollemberg não consegue sair da faixa ‘ruim’, segundo pesquisas coletadas nos quase três anos de gestão.

A pergunta que se faz é: daqui em menos de um ano ele terá condições de equilibrar estes números negativos? É possível porque o governo de Rodrigo Rollemberg amarga desconforto, não por ser corrupto, mas por não ter atendido as benesses irresponsáveis de Agnelo Queiroz (PT) feitas aos funcionários públicos.

A sabedoria política ensina que a constante rejeição de um governo, tende a refletir com furor nos corações e mentes do eleitor. Rollemberg tem dado mostras em superar dificuldades orçamentárias e lidar com a fome dos aliados por cargos, mas não reconquistou, até agora, a confiança do eleitor em sua gestão. Superado os problemas de equilíbrio fiscal, pode dedicar-se no que faz melhor: política.

O governador sabe como ninguém, que ao realizar um governo considerado fraco pela população, abre espaço para a sanha de todos os partidos que até então, hibernavam quase esquecidos pela população. Muitos por estarem envolvidos até à raiz em corrupção, outros pela incapacidade de ampliar seu eleitorado, mas travestidos de ‘competência administrativa’. Neste balaio de siri, o PSB pode produzir o milagre e reeleger Rollemberg, mesmo com seus ‘burocratas notáveis’ atrapalhando.

O raciocínio é simples: se todos estão na mesma vala comum da descrença do eleitor, quem está no poder tem chances de continuar, não importa os números negativos. O cidadão mais conservador busca no menos pior a solução para suas expectativas de gestão.

Na avaliação de um socialista que ronda com desenvoltura as cercanias do Palácio Buriti, na hora do voto, o eleitor vai perceber que ‘ruim com ele [Rollemberg], pior sem ele’ terá peso na escolha, optando por alguém que ele conhece. “Rollemberg prega sustos, mas passa ao largo dos escândalos, tão em evidência nos últimos anos. O risco na troca de governo em tempo de Lava Jato e dezenas de outros escândalos, é mudar para pior”, avalia a fonte do blog.

A capacidade em aglutinar novas alianças para garantir um bom tempo de televisão e o teor do discurso, vão apontar se Rollemberg tem chances ou será apenas um sonho que ficou restrito ao seu eleitorado classe média do Plano Piloto. Que venham as urnas!

EM TEMPO: o blog leu a análise do jornalista Hélio Doyle nesta terça-feira (17/10), após este artigo. Concorda plenamente com suas observações, principalmente o parágrafo em que cita a situação do governador Rodrigo Rollemberg (Veja em heliodoyle.com.br).

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