Esvaziado de líderes aglutinadores, Sudeste deixa de ser protagonista e sofre ‘strike político’

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A Operação Lava Jato reduziu o protagonismo da região Sudeste em dois nomes imprevisíveis: Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin
A Operação Lava Jato reduziu o protagonismo da região Sudeste em dois nomes imprevisíveis: Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin

Por Cesar Maia – No encerramento da campanha presidencial de 2014, a eleição seguinte em 2018 apontava para o presidente seguinte vir do Sudeste.

O mensalão havia produzido importantes perdas, como o ministro José Dirceu e os presidentes do PP, do PR e do PTB.

Mas o PT estava forte, com dois nomes: o ex-presidente Lula e o governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel. No Rio de Janeiro, a vitória de Pezão, do PMDB, colocava no jogo o ex-governador Sergio Cabral.

Por seu turno, o PSDB mantinha-se firme e competitivo através de Minas Gerais, com o senador Aécio Neves, que havia perdido para Dilma por pequena diferença na eleição presidencial de 2014. E a crise econômica já desenhada a fins de 2014, fortalecia ainda mais o PSDB como alternativa para 2018.

No primeiro semestre de 2014 as investigações que tinham como referência a Lava-Jato iniciaram um dos maiores strikes de todos os tempos na política brasileira num prazo de apenas 3 anos.

Em 2017, com os primeiros sinais da pré-campanha, o quadro herdado da eleição de 2014 foi desintegrado, especialmente no Sudeste, de onde sairia mais uma vez o presidente da República.

O impeachment de Dilma, em 2016, desmontou a máquina do PT plantada no governo. Com isso, afetou a máquina eleitoral do PT para 2018. Em seguida, as investigações sobre Lula desintegraram o que seria a forte e pré-favorita alternativa do PT com Lula. Se não bastasse, o principal parceiro de Dilma, eleito governador de Minas Gerais e que compunha com ela e Lula o triângulo principal do PT, foi igualmente desmontado.

As gravações com Aécio Neves, que no mínimo caracterizaram um grave caso de falta de decoro parlamentar, desintegrou a óbvia e automática opção eleitoral do PSDB. O prefeito Dória, de forma açodada, se apresentou como o nome de São Paulo e iniciou sua caravana pelo Brasil. Não resistiu a 2017. Desmoronou com menos de 10 meses de jogo sua pretensão presidencial.

E o PMDB, que contava com a liderança do ex-governador Sergio Cabral que vinha comandando a política do Estado do Rio de Janeiro desde 2006, foi atropelado pelas investigações, levando de roldão sua equipe.

Strike feito, restou ao Sudeste o nome do governador Geraldo Alckmin e do deputado Jair Bolsonaro. Um binômio imprevisível no final de 2014. (Publicado originalmente em www.cesarmaia.com.br)

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