DISTRITO FEDERAL] PSD sinaliza abandonar Rodrigo Rollemberg, mas ainda não sabe quando e como

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Presidente do PSD de Brasília, deputado federal Rogério Rosso: angustia para definir o caminho que o partido seguirá em 2018
Presidente do PSD de Brasília, deputado federal Rogério Rosso: angustia para definir o caminho que o partido seguirá em 2018

Por Wilson Silvestre – O habilidoso ex-governador de Brasília e mestre em costuras políticas, Joaquim Roriz quando foi prefeito interventor na capital Goiânia entre 1987-1988, disse numa reunião com vereadores mais ou menos esta frase: “Em política, tem que ter paciência para ouvir o que dizem os adversários sobre você. Se for ofensas fora do contexto político tenha grandeza em perdoá-los, mas jamais caminhe ao lado deles no futuro. Você pode tê-los perdoados, mas o povo não perdoará você”. Em outras palavras, Roriz alertava que determinadas declarações públicas podem dinamitar a travessia que liga possíveis aliados no presente e, dependendo do teor explosivo da fala, também no futuro. Esta recomendação de Roriz encaixa nos dias atuais e serve como alerta a todos os pretendentes ao Palácio do Buriti.

Muitos pré-candidatos que desejam barrar a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), não tem economizado saliva nos ataques à gestão socialista. Uns com mais contundência outros menos, mas tendo em comum o diagnóstico sombrio em que se encontra o Distrito Federal. Até ai, normal em política. O jogo é desconstruir ao máximo a gestão de quem está à frente do poder. Foi assim que o PT enganou a classe média e conquistou a presidência da República.

O que os pretendentes não podem esquecer é o futuro. Imagine se um destes ‘críticos’ por uma questão de sobrevivência política torna-se aliado de Rollemberg? Cairia na recomendação de Roriz citada acima: o povo não irá esquecer o que foi dito. Este é o risco que opositores do governador estão correndo, principalmente deputados distritais e vice versa.

Ninguém contesta que o maior culpado deste ‘isolamento’ político seja o próprio Rollemberg que, desde o primeiro dia de seu governo, virou as costas para aliados ou não. Que o diga o vice-governador, Renato Santana (PSD). Segundo o serpentário de Brasília, Rollemberg nunca deu um telefonema ao vice, quer para um cafezinho ou para conversar sobre a gestão. Os dois se viam apenas protocolarmente. O resultado desta inabilidade do governador está sendo contabilizado agora: os principais partidos estão pulando fora do governo. Dependendo dos acontecimentos na gestão, a tendência é o governador terminar o mandato somente com os ‘burocratas notáveis’, mas sem votos.

Exemplos não faltam, principalmente em se tratando de aliados como os senadores Antônio Reguffe (sem partido) e Cristovam Buarque (PDT). Deputados distritais como Agaciel Maia (PR), Celina Leão (PPS), Joe Valle (PDT) e tantos outros viraram as costas para Rollemberg. Todos eles foram tratados como figuras menores no contexto civilizado entre os poderes. Por pior que fosse a qualidade dos parlamentares, goste ou não eles são o elo mais importante da população com os donos do poder. Sem eles e amargando um alto índice de rejeição, dificilmente o governador conseguirá recompor forças políticas para encarar a reeleição.

Este distanciamento das principais lideranças políticas isolou Rollemberg ao ponto de não ter uma voz para defender sua gestão. Um dos poucos partidos com relevância que permanece ao seu lado é o PSD, mas pelo teor das últimas mensagens cifradas do presidente da legenda em Brasília, deputado federal Rogério Rosso, falta um ‘beicinho de pulga’ para desembarcar do governo.

Ao divulgar recentemente nas redes sociais e na mídia de um modo geral, que “As bandeiras do PSD não estão sendo observadas pelo Governo de Brasília e isso será imperioso na decisão que o partido tomará em breve”, Rosso aprofundou o abismo existente entre o partido que ele comanda e Rollemberg. A frase soa como alerta ao governador e serve para atrair outras legendas que almejam desalojar Rollemberg do Buriti. Teve também o poder de irritar ainda mais o socialista e demolir a frágil ponte que liga PSB/PSD em Brasília. O curioso nesta história é que Rogério Rosso gosta de Rollemberg como pessoa, mas tece críticas à sua forma de governar, portanto, não existe ódio e sim, divergências.

O enfraquecimento da gestão Rollemberg da qual o PSD ainda faz parte, despertou outros personagens que, até recentemente, andavam escanteados pela mídia e lideranças nas regiões administrativas. Esta inflação de pré-candidatos ao Buriti, joga o PSD no meio da tempestade em que se encontra siglas de centro direita como PMDB, PP, PR, PTB e o DEM, todas elas correndo em busca de um consenso. Na outra ponta, estão as siglas de centro esquerda como PDT, PPS, PT, Podemos e Solidariedade articulando alianças. Segundo uma fonte ouvida pelo blog, o PSD não tem nenhum problema em dialogar com os partidos que estão na corrida rumo ao Buriti.

O PSD fez sua escolha embora tenha passado a impressão de que vive em conflito consigo mesmo: quer deixar o governo, mas não sabe quando e nem como. A única clareza na confusa declaração de Rosso é que o PSD não quer ser ‘escada’ por ter um naco de minutos na TV. Quer estar na majoritária, não importa o grupo. Outra evidente leitura aponta que o PSD emite sinais de fumaça avisando que pode ter candidato a presidente da República em 2018. Se não, por que mudar o projeto original que era disputar vaga no Senado e fazer no mínimo dois deputados distritais? Se tem fumaça, existe uma brasa sob as cinzas. Recomenda-se novamente lembrar do animal político Joaquim Roriz: “O sujeito faz um grande sacrifício para pedir um favor, quando chega no governante, pede pouco”. O blog também recomenda: peça muito, mas observe se as frases no passado não implodiram a ponte para o futuro.

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