PSDB aclama Geraldo Alckmin, mas no meio do caminho tem um Arthur Virgílio

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Prefeito de Manaus, Arthur Virgílio: estrela solitária que pretende mostrar outros caminhos para o PSDB diferentes dos apontados por Geraldo Alkmin, terceiro da direita para esquerda sentado ao fundo. (Reprodução Portal do PSDB)
Prefeito de Manaus, Arthur Virgílio: estrela solitária que pretende mostrar outros caminhos para o PSDB diferentes dos apontados por Geraldo Alkmin, terceiro da direita para esquerda sentado ao fundo. (Reprodução Portal do PSDB)

Por Wilson Silvestre – A plutocracia paulista do tucanato enfrenta pela primeira vez, mesmo que solitário, um oponente que promete não só fazer barulho, mas também balançar a torcida. Seu nome: Arthur Vírgílio Neto. O prefeito de Manaus tem currículo e história para propor prévia na escolha quem irá disputar a Presidência da República.

Diplomata de carreira, foi um dos críticos mais combativo na era PT como senador e agora, promete ser o maior obstáculo que o governador de São Paulo, Geraldo Alkmin terá que transpor. Pretendente a ser ungido candidato do PSDB em março, Alkmin não contava com um oponente aguerrido dentro de seu partido. Vírgílio promete ir para as prévias “para unir o partido com quem ele precisa: o povo”, conforme relato do repórter Vinicius Sassine de O Globo, sábado (9).

Pela primeira vez os tucanos são sacudidos da letargia em terem um candidato único, sem uma disputa prévia. Caso Arhur siga com seu intento, só o fato de estar na mídia quase que diariamente, coloca o PSDB no centro do debate presidencial. De um lado isso é bom para a legenda, mas também pode ocorrer, caso Arthur Virgílio vença a convenção – mesmo sendo uma possibilidade remota –, uma guinada de 180 graus na hegemonia paulista, berço do PSDB.

O grupo de Alckmin acha o discurso de Arthur radical já que ele não quer alianças com partidos ‘contaminados’ só para aumentar tempo de rádio e TV. “Tem que ter o PP? Sou contra. Tem que ter o PMDB? Sou contra. Com três minutos benditos você vence essa eleição e derrota quem tiver 15 minutos malditos”. É exatamente o contrário o que Alckmin busca para seu arco de alianças.

Enquanto as águas de março não chegam, haverá muitas bicadas arrancando penas de tucanos, principalmente paulistas que até hoje reinavam de costas para as regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. Basta uma rápida retrospectiva do que ocorreu recentemente quando o governador de Goiás, Marconi Perillo e o senador pelo Ceará, Tasso Jereissati disputaram a presidência nacional do partido. Houve ranger de dentes e discussões acaloradas, próximas ao UFC.

Com a derrocada da elite política do Rio de Janeiro e a perda de prestígio da região Sudeste, talvez forcem os ‘bandeirantes’ olharem com interesse para os rincões do país. Como bem lembrou o ex-presidente Fenando Henrique Cardoso, grão duque da plutocracia paulista: “O PSDB precisa se reconectar novamente com as ruas. Nós temos que abrir um novo caminho para o Brasil. Temos que escutar o pulsar o povo”. FHC sabe que se a legenda não se movimentar para o andar de baixo, muitos outros Arthur Virgílio vão surgir.

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